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Em visita ao Brasil, presidente da Nintendo diz que empresa tem plenas chances de liderar o mercado local

THÉO AZEVEDO

da Redação

01/11/2011 14h05

Conforme prometeu na E3, em junho, Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America, enfim visitou o Brasil – mais especificamente, São Paulo. Não foi em setembro, como programara originalmente, mas ainda assim o executivo arrumou tempo para visitar revendas oficiais e até a Santa Ifigênia, região conhecida pelo mercado informal de eletrônicos.

Reggie reforçou sua crença de que, se trabalhado da forma certa o Brasil pode ser o maior mercado da América Latina. E disse também que a Nintendo tem plenas chances de deixar Sony e Microsoft para trás e assumir a liderança local desta indústria.

Só faltou dizer como: Reggie não está muito animado com as conversas entre Nintendo e Governo, no sentido de rever a carga tributária que incide sobre videogames no país. Tampouco quis falar sobre a possibilidade de fabricar jogos e consoles localmente, ainda que tenha deixado no ar esta que isso pode acontecer.

Leia você mesmo a entrevista concedida ao UOL Jogos e tire as suas conclusões:

UOL Jogos: Por que visitar o Brasil e, sobretudo, por que visitá-lo neste momento?

Reggie Fils-Aime: Porque o Brasil é um mercado muito importante e, no futuro, pode ser o 3º maior das Américas em termos de volume, atrás apenas de Estados Unidos e Canadá. Por que vir agora? Bem, acabamos de lançar formalmente o Wii no Brasil e, meses atrás, o 3DS. Além disso, temos muitos produtos importantes vindo aí, como “Zelda: Skyward Sword”, “Super Mario 3D Land” e “Mario Kart 7”. Também é uma chance, para mim, de falar com as revendas e com os consumidores.

UOL: Falando em revendas, além de visitar as oficiais, você esteve na Santa Ifigênia?

Reggie: Sim, ontem [segunda-feira] visitei alguns mercados informais para ver o que que está acontecendo lá e para entender os tipos de produto que estão sendo oferecidos. Vi produtos do Japão e de outros mercados pelo mundo.

UOL: E o que você achou do mercado informal brasileiro? Tem alguma característica diferente daquele encontrado no México, por exemplo?

Reggie: Eu diria que não é tão parecido em mercados como o do México ou alguns dos mercados asiáticos. São vendedores que estão procurando uma maneira de se sustentarem e que investem em consumidores que amam nossos produtos.

RESUMO DA CONFERÊNCIA DA NINTENDO NA E3 2011

  •  

UOL: Nos últimos anos o discurso da Nintendo, em geral, é o de que o Brasil é um mercado importante e que a empresa está buscando formas de melhor estar presente por aqui. Ao mesmo tempo, é a única entre as três grandes que ainda importa jogos e consoles – e, portanto, os preços não ajudam. Quanto tempo o consumidor ainda terá que esperar por alguma mudança?

Reggie: Vamos por partes: você e eu falamos sobre este assunto diversas vezes, ou seja, que este mercado é importante e que precisamos encontrar a melhor forma de atingir nossos objetivos e visão no Brasil. Temos um parceiro muito importante nesta jornada, que é a Gaming do Brasil [ex-Latamel]. Passo muito tempo com eles e vou passar ainda mais, porque eles são uma autêntica extensão da Nintendo no Brasil.

Em relação aos nossos planos de fabricação ou como nós vamos lidar com este mercado, não há nada que eu possa lhe falar agora.

UOL: O que é mais fácil, na sua opinião: o Governo rever a carga tributária que incide sobre os games ou a Nintendo optar pela fabricação local?

Reggie: Sabe... (risos), temos falado com o Governo há muito tempo. Estou prestes a completar meu 8º aniversário na Nintendo e desde o primeiro ano temos falado com o Governo brasileiro sem ver muito progresso.

Em relação à fabricação local, o mais importante é encontrar os melhores parceiros de negócio e a melhor forma de fazer este processo acontecer.

UOL: Já que você falou em encontrar parceiros de negócio, a Foxconn, que é parceira da Nintendo no exterior, foi autorizada pela Suframa a fabricar jogos e consoles no Brasil. Isso tem algo a ver com a Nintendo?

Reggie: Não há nada que eu possa comentar ou dizer sobre isso. Você está certo: a Foxconn fabrica para a Nintendo no Oriente, mas eu não posso falar nada a respeito do que está acontecendo no Brasil.

UOL: Você não acha um estranho um Xbox 360 ser mais barato que um Wii no Brasil?

Reggie: É muito estranho. Mas, isso dito, o que eu vi em relação aos nossos competidores por aqui foi muitos produtos por preços variados. Também vi meus competidores no mercado informal. Por isso, eu diria que a Nintendo continua tendo oportunidades significativas para liderar o mercado de games no Brasil e para atingir um público de massa. Na minha opinião, temos a melhor chance entre todas as empresas de videogame para fazer isso, sejam com nossos produtos ou, é claro, com preços também.

UOL: Desde a E3 não ouvimos falar muito sobre o Wii U. A quantas anda o sucessor do Wii?

Reggie: Quando mostramos o Wii U em junho, deixamos claro que seria um produto para 2012, especificamente após abril do ano que vem. Neste momento, para o Natal estamos completamente focados no 3DS, no Wii e nos jogos que vamos lançar. Após o Natal vamos começar a falar mais sobre o Wii U e, na próxima E3, exibi-lo uma vez mais.

UOL: Após o lançamento de “Zelda: Skyward Sword”, o que será do Wii?

Reggie: Mais bons games. Muitos me perguntam se “Zelda: Skyward Sword” é o último grande jogo para o Wii e a resposta é não. Vamos falar mais sobre os próximos jogos para Wii no final de dezembro ou no início de janeiro.

UOL: Que lições a Nintendo aprendeu com o lançamento do 3DS?

Reggie: O lançamento do 3DS foi muito interessante: o portátil causou uma ótima impressão na E3 2010, teve uma pré-venda excelente e vendeu mais na 1ª semana de lançamento do que qualquer outro portátil. Então, tivemos muitos acertos com o 3DS.

Mas em termos de lições aprendidas, precisamos nos assegurar de que tenhamos uma forte linha de jogos quando lançarmos um hardware – em especial, de títulos da Nintendo. E, olhando para trás, talvez não tenha sido a melhor linha de jogos que podíamos fazer para o 3DS. Também é importante que os recursos digitais do hardware estejam disponíveis logo de cara. No 3DS, os recursos digitais vieram depois.

E foi por isso que as vendas não foram tão boas assim, o que nos obrigou a tomar algumas decisões drásticas e reduzir o preço. Desde que fizemos isso, e com o lançamento de “Zelda: Ocarina of Time” e dos recursos digitais adicionais, nossas vendas têm sido muito boas. E temos expectativas altíssimas para o 3DS nesse Natal.

VEJA AS FASES DE "SUPER MARIO 3D LAND"

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UOL: Já começaram rumores, especulações e conversas sobre os sucessores de PlayStation 3 e Xbox 360. Você acha que já é hora pra isso?

Reggie: Sob a perspectiva da Nintendo, o que define o timing para lançar uma nova plataforma é quando temos ideias que nossos produtos atuais não podem colocar em prática. Um bom exemplo é o 3DS: quando imaginamos jogos como “Super Mario 3D Land”, um game que para ser divertido realmente precisava daquela perspectiva 3D, foi isso que nos disse que era hora para investir em um novo sistema. Ou o Wii U, quando imaginamos o que poderia ser feito com duas telas diferentes.

Após nossos competidores se derem conta do que a Nintendo pode fazer, como eles vão inovar, como trarão novas experiências para os consumidores que só podem ser viabilizadas com um outro sistema? Sabe, falando talvez sob a perspectiva a nossa performance nos EUA, mesmo após nossos competidores terem lançados seus dispositivos de movimento, passada a empolgação inicial, onde estão os jogos, as experiências bacanas? Eles têm sido devagares em colocar isso em prática.

Para o consumidor, a pergunta é: onde estão as experiências realmente inovadoras do mercado? Creio que estamos fazendo isso com o 3DS e que acreditamos que o faremos com o Wii U também.

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