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Ao estilo "Sexta-Feira 13", "Until Dawn" é terror para curtir com amigos

Pablo Raphael

Do UOL, em Las Vegas*

06/12/2014 19h30

Ao jogar “Until Dawn”, esqueça o terror psicológico e o horror japonês pontuado por criaturas sinistras e pesadelos encarnados de jogos como “Silent Hill”, “Siren" e “Clock Tower”. Este game, exclusivo do PS4, oferece uma experiência mais próxima ao terror ocidental, como “Sexta-Feira 13” e “Hora do Pesadelo”.

O jogo coloca um grupo de jovens em um casarão na montanha. O grupo planejava passar um final de semana numa boa, curtindo a vida. Mas não contavam com a presença de um assassino serial com requintes sobrenaturais no lugar.

Presos na casa e perseguidos por um maníaco mascarado que lembra uma mistura de Jason, Chucky e Jigsaw, cada um dos personagens pode morrer durante a aventura. Assim como em “Heavy Rain”,  a história segue em frente. O melhor final envolve a sobrevivência do grupo todo e o pior, a morte dos oito protagonistas.

UOL Jogos testou uma demonstração de “Until Dawn” no PlayStation Experience e conversou com Pete Samuels, produtor executivo do jogo sobre a transição do projeto do PS3 para o PlayStation 4.

A demo de “Until Dawm”coloca você no controle da jovem Sam. No começo da cena, a moça está curtindo um banho demorado na banheira, sem saber que está sendo observada pelo vilão. Quando percebe que suas roupas sumiram, Sam imagina ser vítima de uma peça pregada pelos amigos e não que está sendo perseguida por algum tipo de monstro sanguinário.

Ao explorar a casa, você acompanha a garota em busca dos amigos e vai encontrando pistas. A sequência de exploração é mais a construção da tensão de quando Sam vai descobrir o que está se passando e de quando o vilão vai se revelar do que a estruturação do mistério - até porque, você, o jogador, viu o assassino ao lado da banheira e sabe o que está acontecendo.

Ao contrário do que se poderia imaginar, saber de antemão o que vai acontecer não estraga a emoção da revelação. O vilão avisa que estava de olho em Sam, que seus amigos não poderão salvá-la e o que você faz? Foge. Corre por outros cômodos, decidindo no caminho o que fazer (ir para baixo da cama? se esconder num canto e golpear o assassino quando puder? Você decide).

O jogador faz pouco nessas sequências: aponta o controle com movimentos precisos, herança do projeto original para PS Move, e escolhe uma ação antes que seja tarde demais. Evita tropeçar numa escada ou tranca a porta antes que o matador chegue perto demais, clicando num botão que aparece na tela ou movendo o controle do jeito solicitado.

Ainda assim, é divertido acompanhar as desventuras de Sam na demonstração. Tentar achar a melhor maneira de sobreviver ao matador incansável em sua cola. “Until Dawn” não é um jogo de ‘survival horror’. É um adventure com comandos surpreendentemente simples e efetivos (sensores de movimento nunca me agradaram, mas é preciso admitir que funcionam bem aqui).

Para jogar e assistir

Ao superar a barreira do controle, o game se torna atraente para quem não é familiarizado com os vários botões do DualShock 4 e também para quem quiser apenas ficar do lado assistindo. As cenas de ação não dependem da habilidade do jogador, mas sim de suas escolhas.

“Nos inspiramos nos filmes de terror, como ‘Sexta-Feira 13’ e ‘Hora do Pesadelo’”, explica Pete Samuels. “Você não assistia esses filmes sozinho e sim ao lado dos amigos, todos juntos no sofá˜. Da mesma forma, “Until Dawn” é um game que pode ser apreciado tanto por quem está jogando quanto pelos amigos ao redor.

“Levar ‘Until Dawn’ para o PS4 permitiu mudar a câmera do jogo e tirar o foco do controle de movimentos”, comenta Samuels. Também permitiu inserir uma boa dose de expressões e movimentos ‘humanos' nos personagens.

Sam passa a demonstração toda enrolada numa toalha. No começo, quando ainda pensa ser vítima de uma brincadeira dos amigos, ela anda sorrindo, com uma expressão suave no rosto. De vez em quando, a moça ajeita a toalha ou se abraça com frio. A moça tem um olhar muito expressivo, mesmo numa demo que não oferece grandes diálogos.

O jogo é feito em uma versão melhorada do motor gráfico de “Killzone: Shadow Fall”, e o time de “Until Dawn” dedicou muita atenção aos rostos, expressões e olhares dos personagens. “Em uma conversa no jogo, você pode perceber quando alguém está com medo ou, se ficar bem atento, quando alguém está mentindo”, disse Samuels.

Migrar para o PlayStation 4 parece ter sido a melhor coisa para “Until Dawn”. O jogo passou de um projeto voltado para promover um controle no qual nem a Sony botava tanta fé assim em uma plataforma já ultrapassada, para um dos jogos mais originais do novo console.

Exclusivo para PS4, “Until Dawn” está previsto para 2015 e chegará com legendas e dublagem em português.

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