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Realidade virtual: testamos HTC Vive, Morpheus e Rift; qual está melhor?

Théo Azevedo

Do UOL, San Francisco

06/03/2015 13h27

Na Game Developers Conference (GDC), que reuniu milhares de desenvolvedores de games de todo o mundo em San Francisco, nos EUA, não se falou em outra coisa: a realidade virtual é a próxima grande aposta da indústria de games, e três dispositivos despontam como os donos dos holofotes: o Oculus Rift, da Oculus VR; o Morpheus, da Sony; e o HTC Vive, da Valve.

Após testar cada um deles, o UOL Jogos garante: a disputa vai ser boa.

O HTC Vive tem um brilho único, já que permite que você se movimente enquanto joga, graças a sensores de movimentos que ficam posicionados pelo ambiente. Já o Morpheus conta com a praticidade de funcionar no PS4, sem que seja preciso se preocupar com upgrade de máquina ou coisa do tipo. O Rift, por sua vez, é o que está há mais tempo nas mãos dos desenvolvedores, que se adiantam em explorar o potencial do aparelho.

Em comum, os três compartilham a capacidade de impressionar. Após experimentá-los, é difícil voltar ao "mundo real" sem uma vontade urgente de ter um deles em casa, de mostrar a amigos e parentes o quão imersiva, divertida e envolvente uma experiência de realidade virtual pode ser.

Mas nem tudo são flores: nenhuma das empresas ainda fala em preços e a maioria do que foi mostrado até agora são demos tecnológicos - cadê os jogos? E não é todo mundo que tem espaço em casa para fios, sensores etc.

Conheça um pouco mais sobre os principais dispositivos de realidade virtual que vêm aí:

Oculus Rift
Fabricante:
Oculus VR
Para: PC
Lançamento: 2015

Mesmo em um negócio que, a rigor, sequer ainda existe de fato, o Rift já pode se considerar um pioneiro - o primeiro kit de desenvolvimento do dispositivo começou a ser comercializado em 2012. De la pra cá, muita coisa aconteceu na trajetória da Oculus VR, que foi adquirida no ano passado por US$ 2 bilhões pelo Facebook. A empresa até já se uniu à Samsung para levar uma versão do dispositivo às plataformas móveis, e tem em John Carmack, um dos criadores de "Doom", um de seus porta-vozes e mais dedicados funcionários.

O diferencial: o Oculus Rift é a tecnologia de realidade virtual mais popular até o momento: há milhares de dev kits nas mãos de desenvolvedores ao redor do mundo, que não apenas estão produzindo jogos para a plataforma, mas também explorando-a em outros segmentos, como educação, turismo e até tratamento de fobias.

O que precisa melhorar: foi-se o tempo em que o Oculus Rift reinava sozinho no pedaço. Sony e Valve introduziram seus próprios dispositivos de realidade virtual e, ao menos momentaneamente, ofuscaram o pioneiro do setor. A Oculus VR precisa começar logo a falar sobre preço, data de lançamento e jogos, para não perder a atenção da indústria e do jogador.

Morpheus
Fabricante:
Sony
Para: PlayStation 4
Lançamento: 1º semestre de 2016

De um ano pra cá -  o Morpheus foi revelado na GDC 2014 -, os óculos de realidade virtual da Sony sofreram um avanço notável: estão mais confortáveis e exibem gráficos em 1080 linhas progressivas a 120Hz. Segundo a própria Sony, com as especificações técnicas praticamente definidas, é hora de arregimentar desenvolvedores. Por enquanto, a própria empresa trabalha em demos para o Morpheus, como "The London Heist", um impressionante tiroteio que tive a oportunidade de experimentar. Malemá protegido atrás de uma mesa, me vi trocando disparos com capangas, tentando sair vivo dali, algo tão intenso que você literalmente se sente parte daquele universo. Sim, é tão legal quanto parece.

O diferencial: O Morpheus, por ora, é a solução de realidade virtual mais prática do mercado: basta ter um PlayStation 4, plugar os óculos e pronto. Enquanto os outros concorrentes ainda têm que provar um funcionamento simples, quem jogar com o Morpheus não vai precisar se preocupar com upgrade de máquina, por exemplo.

O que precisa melhorar: Tudo muito bem e tal, mas e os games? Ainda há um ponto de interrogação com relação aos jogos que, afinal, serão lançados para o Morpheus. E a Sony tem uma responsabilidade extra, pois há a expectativa de ver franquias conhecidas, seja um "Gran Turismo" ou um "God of War", exploradas na realidade virtual. Se serve de consolo, este mistério deve começar a ser revelado na E3, em junho.

  •  

HTC Vive
Fabricante:
HTC\Valve
Para: PC
Lançamento: final de 2015

Com 125 milhões de usuários, o Steam é referência quando se fala em games para PC. Por isso, quando a Valve resolve entrar em um negócio - neste caso, em parceria com a chinesa HTC - não é pra ser mera coadjuvante.  Anunciado há menos de uma semana, o Vive já causa furor na indústria de jogos. O maior diferencial do dispositivo está em sensores que funcionam por laser e captam os movimentos do jogador. Junto com os controles - ainda em fase de protótipo - que lembram a empunhadora do PS Move, um em cada mão - o Vive VR oferece um nível de profundidade que seus concorrentes por enquanto não conseguem replicar.

O diferencial: Caminhar alguns metros ao seu próprio redor, delimitado por paredes virtuais que surgem no visor para lembrar o usuário dos limites do ambiente, é literalmente como entrar em um novo mundo. Fui rodeado por uma baleia em um navio naufragado, e preparei refeições em uma cozinha maluca. Foram cerca de 30 minutos de demonstração, mas o suficiente para me fazer querer ficar lá, na realidade virtual do Vive, por horas.

O que precisa melhorar: Ainda em fase de protótipo, o Vive é tão desajeitado que sequer me permitiram fotografá-lo. Para utilizar os controles e o visor, tive que vestir uma espécie de cinto, rodeado por fios. Certamente é algo no qual a Valve ainda deve trabalhar até o lançamento.

DESAFIOS DA REALIDADE VIRTUAL

Ver pra crer: por mais que se tente, explicar a experiência com um desses dispositivos de realidade virtual não é suficiente. A pessoa precisa experimentar por si mesma, e isso vai representar um desafio para as empresas na tentativa de conquistar os consumidores.
Quanto vai custar: Oculus Rift, HTC Vive e Morpheus já tem datas estimadas para chegar ao mercado, mas nada se falou sobre o preço de cada um deles até agora, o que causa um certo temor quanto ao valor final dessas maravilhas da tecnologia - especialmente no Brasil.
Modelo sustentável: é ótimo ter várias alternativas entre as quais escolher, mas a falta de um padrão pode representar um obstáculo para os desenvolvedores de jogos. Se não for possível criar games multiplataforma, o custo de produção - e consequentemente o risco - aumenta.
Conforto: oferecer um dispositivo confortável e prático está entre as prioridades de Oculus VR, Sony e Valve, mas ainda há espaço para melhorar: vazamento de luz, dificuldades para quem usa óculos comuns e fios estão aentre os pontos que precisam ainda ser aperfeiçoados.

 

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