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R$ 250? Entenda porque o preço dos jogos prensados no Brasil está subindo

Théo Azevedo

Do UOL, em São Paulo

27/03/2015 15h51Atualizada em 01/04/2015 16h46

Cinco dias após a publicação desta reportagem, a distribuidora do jogo "The Witcher 3" no Brasil entrou em contato para informar sobre o aumento de preço do game. As edições para consoles passaram a ter preço sugerido de R$ 230 enquanto a versão para PC passou para R$ 130.

Pela primeira vez em dez anos o dólar rompeu a barreira dos R$ 3. Os efeitos da alta já são visíveis em diversos setores da economia e os games não fogem à regra. Nem mesmo os jogos fabricados no Brasil, uma medida que visa justamente evitar as despesas decorrentes da importação, estão alheios às consequências da alta.

Talvez o caso mais emblemático seja o de “Mortal Kombat X”: o preço do jogo, que chega às prateleiras em 14 de abril, subiu de R$ 220 para R$ 250 no PlayStation 4 e Xbox One, enquanto a versão para PC aumentou de R$ 100 para R$ 120 – no Steam, contudo, o valor continua R$ 100.

Mas por que um jogo prensado em território nacional sofre os efeitos da alta do dólar?

Royalties, inflação...

Chegar às razões por trás do aumento dos preços não é tarefa fácil. Para começar, as próprias publishers têm certa resistência em falar sobre o assunto: só para citar um exemplo, o UOL Jogos procurou a Warner, que preferiu não falar com a reportagem.

Porém, isso não significa necessariamente que os publishers sejam vilões na história. Há certos custos na composição de preço de um jogo que, independentemente de fabricação local, incorrem em dólar. É o caso dos royalties pagos à Sony, Microsoft e Nintendo, detentores das plataformas dominantes do mercado.

Sim, as três gigantes do mercado ganham uma parcela de cada jogo vendido para seus consoles – por isso mesmo Sony e Microsoft conseguem preços mais vantajosos com os chamados jogos first party, como “Uncharted” ou “Halo”, já que não precisam pagar royalties a si mesmas.

“O grande indexador da indústria é o dólar”, resume Glauco Bueno, diretor da Ecogames, que distribui no Brasil jogos de empresas com Bandai Namco, Take 2 e Square Enix. “As licenças, as propriedades intelectuais e os próprios custos de desenvolvimento; tudo é pago em dólar, pois não se trata de um know-how criado no Brasil”.

Além da alta do dólar, Bueno destaca ainda outro fator que contribui para o aumento no preço dos games: a inflação. “Nos últimos anos há um acúmulo da inflação, e o valor dos games continuava, em média, R$ 199”.

Para o executivo, outros jogos serão lançados no Brasil a R$ 250, o que representa um desafio e tanto para o varejo: “Vai haver redução de vendas e nossa principal tarefa é manter o mercado ativo, num patamar de preço no qual o consumidor continue comprando”.

“Tem gente saindo do videogame e indo pro PC”

Na opinião do economista Samy Dana, que também é um consumidor de games, os dias da mídia física estão contados: “O custo da mídia física é enorme, desde os insumos até a distribuição: tudo isso não conta quando se fala em mercado digital”.

Para Dana, o Brasil tornou-se um mercado caro: “Tudo por aqui é mais caro, seja um livro ou um jogo eletrônico, o que transforma o mercado quase em uma anomalia, com margens injustificáveis”.

Com isso, o economista enxerga uma migração maior para o PC que, normalmente, oferece jogos mais baratos, especialmente no Steam: “A política de preços [nos consoles] é injustificável e prejudica o mercado no longo prazo, tanto é que os jogos de PC e celular são maioria”.

Em meio à perspectiva de aumentos de preço dos jogos, um caso positivo – porém isolado – é o de “The Witcher 3”, um dos games mais aguardados do ano, com lançamento previsto para maio. O preço? R$ 199, mantidos assim após intensas negociações entre a produtora CD Projekt e a distribuidora NC Games.