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Conheça as HQs oficiais de "Street Fighter" criadas no Brasil nos anos 90

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

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    Gibis brasileiros de "Street Fighter" promoveram até duelo mortal entre Ryu e Ken

    Gibis brasileiros de "Street Fighter" promoveram até duelo mortal entre Ryu e Ken

Na primeira metade dos anos 90, "Street Fighter II" foi rei. O jogo de luta da Capcom ditou tendências, criou personagens memoráveis e movimentou milhões de dólares e cartuchos no mundo todo.

Com uma franquia tão valiosa em mãos, era de se esperar que a Capcom cuidasse da marca e acompanhasse de perto todos os produtos com Ryu, Ken e companhia.

Infelizmente, não foi o que se viu: o filme de 1994 estrelado por Jean Claude Van Damme, Raul Julia, Kylie Minogue e outros é considerado até hoje um dos piores filmes baseados em games já feitos.

  • Após trabalhar nas HQs de "Street Fighter", Alexandre Nagado escreveu também sobre a série para a revista Herói e editou revistas sobre a franquia. Você pode conhecer mais sobre o trabalho de Nagado pelo blog oficial dele, o Sushi Pop

Por outro lado, a atitude mais despreocupada da empresa gerou bons frutos aqui no Brasil. Em 1993 a Editora Escala conseguiu licença para publicar no Brasil os gibis de "Street Fighter II" produzidos nos EUA.

A série foi cancelada nos Estados Unidos, mas vendeu bem por aqui, incentivando a editora a contratar talentos locais para criar aventuras inéditas para os guerreiros, conforme lembra Alexandre Nagado, um dos principais roteiristas das HQs brazucas de "Street".

"A série foi mal de vendas nos EUA e acabou cancelada no número 3. Já aqui foi um sucesso, com mais de 30 mil exemplares vendidos e, como não havia mais nada para publicar, chamaram o roteirista Marcelo Cassaro para criar novas aventuras.

Apesar de já ter criado histórias para HQs de "Flashman", "Changeman" e outras para a Editora Abril, Nagado ainda era pouco experiente na época e viu em "Street Fighter" uma oportunidade de crescer na carreira.

Na época, ele ainda pouco conhecia a série: "apenas jogava (mal) o game. Quando surgiu a chance de escrever o gibi, fui atrás de referências, assisti ao anime 'SF II: The Animated Movie', que havia saído há pouco tempo".

"Tentei ficar por dentro dos lutadores e aos poucos fui me afeiçoando a vários personagens".

Com liberdade para criar histórias cheias de elementos originais, bom humor e confrontos inesperados, Nagado e a equipe exploraram bem as possibilidades.

"A minissérie 'A ilha da morte' pegava gancho na série "Street Fighter II Victory" e juntava referências ao filme do Van Damme. Eram universos incompatíveis, mas ao deixar as referências lá sem me aprofundar muito eu criei um universo com elementos dos games, TV e cinema. Acho que na época funcionou bem."

Da parte da Capcom, quem cuidava da marca no país na época era a extinta Romstar. "Eu tinha total liberdade criativa e somente depois de mais de um ano de produção, a empresa de licenciamento Romstar pedia uma cópia do roteiro pra aprovação. E nunca pediram que nada fosse mudado, nesse aspecto eu não tenho nada a reclamar. Hoje em dia talvez fosse tudo diferente."

O fax foi a salvação

Em uma era ainda pré-internet, o processo de confecção dos gibis era quase artesanal.

"Cada um trabalhava em sua casa e, uma vez por mês, a gente combinava de se encontrar numa estação do metrô para que eu levasse o roteiro ao desenhista, o Arthur Garcia", conta Nagado.

ANTES E DEPOIS

  • Antes dos gibis americanos e das séries feitas por Alexandre Nagado e Arthur Garcia houve duas edições com estilo bem diverso. A primeira foi um fanzine japonês, não licenciado pela Capcom. O seguinte foi uma revista feita no Brasil, do artista Wagner Fernandes.

  • Após as HQs da Escala, a editora Trama chegou a publicar revistas inspiradas na série "Alpha" (ou "Zero"), com roteiros de Marcelo Cassaro e arte de Erica Awano.

"Na época, a vida estava corrida e eu não estava conseguindo produzir na velocidade ideal, que era de uma história de 28 páginas por mês. Foi quando o Arthur sugeriu que eu comprasse um aparelho de fax. O aparelho foi uma ajuda e tanto para mandar páginas avulsas; já não precisava mais sair de casa pra levar um roteiro".

Em 1997, porém, mesmo com as revistas vendendo cerca de 10 mil exemplares por edição, a Escala decidiu não renovar a licença de publicação.

"Por conta de problemas operacionais, a última edição, que fora produzida e paga normalmente, acabou não sendo impressa, pois o contrato já havia expirado", revela Nagado.

"Nessa fase final, eu já estava pouco envolvido com a série. Estava bastante ocupado com outros trabalhos e o roteirista Rodrigo de Goes era quem estava cuidando da história principal, enquanto eu escrevia histórias complementares. O Rodrigo havia iniciado uma minissérie em 3 partes com o lutador Akuma e esta ficou sem sua conclusão. Até hoje perguntam sobre essa história".

As HQs canceladas...

Antes dos gibis brasileiros, a Escala publicou por aqui as três edições da HQ produzida pela Malibu Comics. Com traços realistas, a trama polemizou ao mostrar Sagat matando Ken com uma faca e também por apresentar um novo personagem, chamado Furão. Não vingou...

 

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