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Aos 22 anos, fã de "LoL" ganha até R$ 2 mil em um mês com cosplay

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

  • Mariana Moreira/Acervo pessoal

    Para interpretar Lulu, de "League of Legends", Mariana investe até em aulas de teatro

    Para interpretar Lulu, de "League of Legends", Mariana investe até em aulas de teatro

Mariana Moreira, de 22 anos, é bem conhecida dos fãs de "League of Legends" e da comunidade cosplayer, tanto pela participação em eventos de anime e nas etapas presenciais do campeonato brasileiro do game, quanto pelo documentário "VIVER/JOGAR", produzido pela Riot Games. O que começou como um hobby para Mariana hoje é uma profissão: ela chega a ganhar R$ 2 mil em um mês bom, produzindo cosplays para outros entusiastas.

"Faço cosplay há uns 4 anos", contou Mariana ao UOL Jogos. "Meu primeiro cosplay foi Alisa, de 'Tekken 6'. Eu comecei a jogar 'League of Legends' em 2012, quando ainda não existia o servidor brasileiro. Eu jogava de suporte e a Lulu era um dos personagens que eu sempre escolhia".

Mariana Moreira/Acervo pessoal
"Se você vai começar a fazer cosplay, escolha um personagem que goste e uma costureira de confiança para fazer a roupa", ensina Mariana. "Comece com algo simples, mas não deixe a costureira fazer tudo. O cosplayer tem que fazer uma parte da roupa, pra sentir a emoção de fazer parte disso mesmo".
"Ninguém fazia cosplay de 'LoL' naquela época, era um jogo novo que pouca gente conhecia", se lembra Mariana. "Daí eu pensei, 'vou fazer um cosplay desse joguinho que comecei a jogar' e escolhi a Lulu porque eu gostei dela, ela é baixinha e era simples de fazer". Diferente de outros personagens mais elaborados, o traje da Lulu não tem lâmpadas de led ou partes mecânicas.

"No primeiro evento que fui como Lulu, eu não estava nem com o rosto pintado, foi no Anime Friends antes do CBLoL de 2013. Lá tinha muita gente que jogava e a repercussão foi muito boa, várias pessoas reconheceram o personagem, foi muito gostoso". Além de se vestir como a personagem, Mariana passou três meses estudando as falas e trejeitos de Lulu no game. "Eu queria ter algum diferencial nos campeonatos de cosplay, ganhar uns pontos com a interpretação".

Apesar da boa recepção do público, Mariana não se sente confiante para participar de competições internacionais de cosplay. "Eu amo a Lulu mas não levaria ela para um grande campeonato, onde o nível dos cosplays é mais elevado. Ainda preciso achar o personagem certo para isso".

Dá para viver de cosplay?

"Como cosplayer, eu sempre quero melhorar, chamar mais a atenção e por isso comecei a fazer teatro, para realmente interpretar o personagem", conta Mariana, que admite não ganhar muito como cosplayer, mesmo quando é contratada para aparecer em um evento. "Não dá para viver disso, já me pagaram de R$ 150 a R$ 450 para participar em eventos, mas não é algo que acontece o tempo todo, não dá retorno financeiro".

Mariana Moreira/Acervo pessoal
"O traje mais caro que já fiz custou cerca de R$ 450, foi a Cassiopéia de 'LoL', saiu caro porque eu tive que fazer uma cauda de 7 metros usando corino".
Ainda assim, Mariana transformou o hobby em uma profissão, confeccionando e vendendo trajes para outros cosplayers: "Eu fiz um curso de costura e fazia os meus cosplays e os da minha irmã. O tempo passou e sempre vinha gente perguntar onde eu comprava minhas roupas e eu enxerguei uma oportunidade aí, comecei a pegar encomendas e fazer cosplays para os outros".

"O retorno ainda é pequeno, tem meses em que não dá quase nada. Já em maio, dois meses antes dos eventos de anime, a procura é grande e dá para tirar uns R$ 2 mil. Eu não acho que isso seja o suficiente", explica Mariana, que considera o cosplay como seu trabalho, "mas mais pela figura pública que eu me tornei do que por ser cosplayer".

Para conseguir um melhor custo-benefício na produção dos cosplays, Mariana conta que pesquisa bastante antes de comprar os materiais, buscando sempre preços em conta e produtos com boa aparência. "O traje mais caro que já fiz custou cerca de R$ 450, foi a Cassiopéia de 'LoL', saiu caro porque eu tive que fazer uma cauda de 7 metros usando courino".

Na hora de vender, Mariana diz que a melhor forma de divulgação são as redes sociais, em grupos específicos para o comércio de cosplays e acessórios como perucas e lentes de contato.  "Nos eventos até existe a procura, mas é mais o lance do pessoal chegar em você e perguntar, pegar o contato. Na internet o contato é maior e dá mais visualização".

Reprodução
O documentário "VIVER/JOGAR" foi publicado no dia 12 de agosto pela Riot Games, produtora de "League of Legends" e sua versão brasileira já conta mais de 800 mil visualizações. O documentário acompanha um dia na vida de cinco jogadores de "League of Legends" ao redor do mundo, entre eles a brasileira Mariana, famosa por sua interpretação da personagem Lulu.
Mariana conta que depois do documentário passou a ser mais reconhecida quando não está fazendo cosplay. "Aumentou uns 300%, todo mundo que joga viu a minha cara, né?", brincou a cosplayer. "Já me viram no metrô, na rua, no curso. É como se eu fosse uma sub-celebridade dentro do jogo".

MARIANA CONTA COMO FOI PARTICIPAR DO DOCUMENTÁRIO DE "LOL"

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