"Dragon Ball Xenoverse 2" mistura bem RPG e jogo de luta, mas faltou inovar

Rodrigo Lara

Do UOL, em São Paulo

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    Mesclando momentos clássicos com história inédita, "Xenoverse 2" deverá agradar os fãs mais fiéis da franquia

    Mesclando momentos clássicos com história inédita, "Xenoverse 2" deverá agradar os fãs mais fiéis da franquia

Em veredicto expresso, é possível dizer que não, "Dragon Ball Xenoverse 2" não é um jogo ruim. Ele passa longe disso, aliás, ao trazer uma história inédita - que continua diretamente à vista no game anterior -, gráficos bacanas e, acima de tudo, diversão quem é fã da franquia multimídia. A sensação, porém, é que o game nada mais é do que uma atualização de tudo que já foi visto no primeiro "Xenoverse". E isso incomoda um bocado.

Montagem/UOL

Vejamos: a história de "Dragon Ball" já foi explorada de diversas formas e, por se tratar de uma obra praticamente finalizada - sim, há atualmente "Dragon Ball Super", mas é inegável que games costumam utilizar as passagens vistas em "Dragon Ball Z" com mais frequência - há pouco espaço para algo inédito. Ainda assim, a Bandai Namco criou um recorte original de tudo aquilo que já estamos cansados de ver. 

Nesse aspecto, "Xenoverse 2" dá sequência aos acontecimentos do primeiro game. O jogador assume o posto de um guerreiro original, que atua como Patrulheiro do Tempo e pode ser de cinco raças distintas: saiyajin, humano, majin, freeza e namekuseijin. A sua função é preservar os acontecimentos vistos na linha do tempo de "Dragon Ball". Para dar alguns exemplos: Raditz precisa morrer juntamente com Goku, Freeza precisa matar Kuririn e fazer com que Goku vire Super Saiyajin, Gohan precisa derrotar Cell e assim por diante. 

O problema é que há uma dupla de inimigos, chamados Mira e Towa, que estão interferindo com esses eventos e criando situações que podem causar sérios danos à ordem natural dos fatos. Ao lado deles, estão vilões de filmes de "Dragon Ball" como Turles, Slug e Cooler. Ajudando o aspirante a patrulheiro está Trunks, em sua versão do futuro, além do Supremo Senhor Kaioh e da Kaioshin do Tempo. 

Pancadaria a todo vapor

Ainda que exista bastante coisa para se fazer na cidade de Conton City, que possui um mapa consideravelmente maior do que o visto no primeiro "Xenoverse" e funciona como uma espécie de lobby do jogo, todas elas acabam envolvendo lutar. Nesse aspecto, "Xenoverse 2" mostra que "Dragon Ball" chegou ao limite quando o assunto é game de luta. O sistema é similar ao de "Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi", game de 2005 para PlayStation 2 e um dos primeiros a permitir liberdade de movimentação pelos cenários, exatamente como ocorre nos episódios do anime.

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Conton City é grande, mas tudo fica mais fácil de ser acessado a partir do momento que o jogador é liberado para voar pela cidade

Conforme o jogador avança no game, ele destrava técnicas, que são atribuídas a determinadas combinações de botões. Ao todo, é possível programar quatro super ataques, dois ataques especiais mais fortes, uma transformação e uma técnica evasiva. Algumas destas técnicas demandam uma certa prática no uso - você não vai querer utilizar um ataque em linha reta contra um oponente distante, por exemplo -, sendo que a escolha varia de acordo com o estilo de jogador. Há também técnicas que só podem ser utilizadas por determinadas raças.

Na hora do combate, "Xenoverse 2" pode ser encarado de maneiras distintas. Uma mais agressiva, que envolve repetir os mesmo tipos de combos à exaustão, e outra mais técnica, aproveitando brechas na defesa adversária e tentando encaixar sequências mais compridas e capazes de gerar mais dano. Novamente, aqui o que manda é o humor e a habilidade do jogador.

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É possível virar aprendiz de praticamente todos os personagens principais de "Dragon Ball" e, com isso, dominar suas técnicas

Apesar de transpor bem a ação do anime, alguns elementos, como colisão de poderes, acabam fazendo falta. Não é um sistema totalmente raso, mas ele acaba ficando pouco desafiador com o tempo. Outro ponto que deixa a desejar são os cenários. Sim, eles estão mais bonitos e maiores do que nunca, mas o impacto de projéteis ou lutadores causam um dano superficial a esses elementos, que volta ao normal segundos depois. Seria bacana ver um Kamehameha destruir alguma montanha ou causar algum estrago permanente nessas arenas.

Patrulheiro atarefado

Além das missões que seguem a história do jogo, há diversas atividades paralelas capazes de ocupar o jogador. É possível jogar on e offline, sendo que no primeiro caso centenas de jogadores dividem o mesmo mapa. Entre as atividades offline, estão os treinamentos, ministrados por personagens de "Dragon Ball" e que rendem o aprendizado de novas técnicas, além de missões paralelas.

Conectado ou não a outros jogadores é possível batalhar contra inimigos mais poderosos, como uma versão Oozaru de Nappa. Nessa espécie de raide, os jogadores cooperam entre si para derrotar os inimigos. Por fim, há a opção de batalhar contra outros jogadores em lutas de um contra um. Nesses casos, é possível escolher qualquer um dos personagens desbloqueados, em todas as suas versões.

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Dependendo da raça escolhida, é possível ter acesso a transformações que deixam seu guerreiro mais forte

Cada batalha dá recompensas, seja em dinheiro e experiência ou com itens que podem ser utilizados dentro e fora das batalhas. Além das técnicas, todos os elementos visuais do personagem podem ser personalizados, com roupas e acessórios distintos. Nos primeiros momentos, o jogador só pode se deslocar por Conton City a pé ou utilizando uma espécie de hoverboard. Conforme progride, o personagem consegue a permissão para voar, o que ajuda bastante neste tipo de deslocamento.

Bonito de ver, mas não de ler

Como dito anteriormente, o visual de "Dragon Ball Xenoverse 2" é ótimo e representa um belo avanço em relação ao game anterior. Da mesma forma, a parte sonora vai bem, com vozes japonesas fieis às encontradas no anime.

A interface em si funciona bem, porém o excesso de tutoriais acaba irritando em alguns momentos. O mesmo vale para a música de Conton City: eventualmente você se pegará assoviando ela por aí. Não por ela ser boa, mas sim, por ser grudenta.

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Há algumas falhas na localização do game para o português brasileiro; neste caso, Cell virou "Célula"

A partir daí, há alguns pontos negativos, a começar pela ausência de dublagem na versão brasileira. Restam então as legendas, mas elas são um tanto problemáticas: além de alguns erros de grafia, nomes de alguns personagens, como Turles, aparecem escritos com uma grafia que pode causar estranhamento - neste caso, Tullece não está errado, mas provavelmente demandará algum tempo para ser reconhecido. 

Outro ponto ruim de acompanhar os diálogos por legendas é que, por vezes, eles acontecem durante os combates. Dado o ritmo das batalhas, quem não é fluente em inglês ou japonês poderá perder alguns detalhes da história.

Veja trailer de "Dragon Ball Xenoverse 2"

Vale o seu Ki?

Diante destes fatos, recomendar "Dragon Ball Xenoverse 2" não é uma tarefa simples. É um jogo que tende a agradar os fãs mais fervorosos da obra, especialmente pela sua história inédita. História, aliás, que tende a prender os jogadores e fazer com que o sistema de batalha repetitivo, por exemplo, não seja exatamente um problema. 

Quem espera uma reinvenção de "Dragon Ball" nos games, porém, tende a se frustrar. Mesmo divertido, o jogo não apresenta nada propriamente novo que seja digno de nota em termos de jogabilidade. Talvez isso seja um reflexo do esgotamento das adaptações da franquia para a mecânica de jogos de luta e é algo que, infelizmente, tende a se repetir enquanto os games baseados na obra continuarem por esse caminho.

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