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Universidade brasileira dá bolsa de estudos para pro players de "LoL"

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Barbara Gutierrez

Do UOL, em São Paulo

31/01/2017 16h20

Quem disse que games atrapalham os estudos? No Brasil, já existe até faculdade que oferece bolsa de estudos a pro players de “League of Legends”, tornando possível o verdadeiro sonho de conseguir um diploma... jogando.

A Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC), em Belo Horizonte, é uma das pioneiras a entrar na onda dos eSports. Diferentemente de outras escolas superiores que já possuem times - como a Universidade Presbiteriana Mackenzie, Faculdade Cidade Verde, Universidade Estácio de Sá -, a FUMEC trata seu projeto de esportes eletrônicos como estágio, cujo valor mensal é de R$ 788 mais o vale transporte.

O esquema na faculdade é levado a sério e apenas os cursos mais relacionados à área de tecnologia estão dentro da grade aceita para o estágio: Ciência da Computação, Computação Gráfica, Engenharia de Computação, Gestão da Tecnologia da Informação, Jogos Digitais, Redes de Computadores e Sistemas de Informação EaD.

“Eu elaborei e apresentei o projeto no começo de 2016, mas sempre fui um gamer e apaixonado pelo esporte eletrônico”, diz Allan Borges, coordenador do projeto de eSports da FUMEC. “Fizemos um processo seletivo na universidade em setembro e escolhemos seis alunos. Agora temos um time com cinco jogadores e um técnico.”

O time é composto por Breno "Wildey" Giarola (topo), Arthur "Devil" Gomes (selva), Nivercino "Bxxters" Lorber (meio), Victor "Alithe" Barcellos (carregador), Rodrigo "P1NK" Matias (suporte) e Bernard "Ohxy" Ladeia (técnico).

“Eles jogam de segunda a sexta-feira, do meio dia às 18h. Compramos equipamento especializado e estamos montando uma sala própria para eles treinarem. Pretendemos ter uma estrutura completa.”

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Laboratórios da faculdade estão equipados com computadores de última geração e a equipe terá uma sala própria com equipamentos gamer Imagem: Reprodução

“Como a universidade já tem curso de psicologia, por exemplo, nossa ideia é integrar esses cursos dentro do projeto junto à assessoria dos professores”, continua Borges. “Ou também com o pessoal de educação física para observar a postura e posicionamento durante os jogos para evitar problemas, utilizando as disciplinas da faculdade ajudando o time e os alunos com a experiência e não ficar em algo rotineiro.”

A equipe já participou de campeonatos amadores para os jogadores se acostumarem com o lado mais competitivo. Na Campus Party de Belo Horizonte, o time conseguiu o terceiro lugar, sendo o primeiro teste para ver a reação dos pro players em um campeonato offline.

“Estamos juntos há três meses agora, a gente treina dentro do campus da faculdade no mesmo laboratório”, comenta o jogador da selva Arthur Mares, de 22 anos, estudante de Ciência da Computação. “É tranquilo conciliar com as aulas. Eu estudo de manhã, mas meus colegas de time que estudam à noite também possuem uma facilidade com nosso horário de treino.”

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A principal missão do projeto é ser a equipe destaque de Minas Gerais. “Damos uma oferta de estágio e devemos ser o primeiro modelo no Brasil que oferece isso. O objetivo final é sim chegar ao CBLoL, mas nosso anseio não é tão imediatista e sim trabalhar com os alunos. Quem sabe podemos evoluir isso para uma Gaming House ou contratar pessoas de fora com o benefício de morar na GH e ter bolsa integral na faculdade”, comenta Borges.

O projeto tende a evoluir conforme a legislação, apesar de não existir uma lei específica para o caso de eSports. “Os times do CBLoL hoje não possuem contrato com carteira assinada com seus jogadores, somos mais legais que eles. Como queremos levar isso para frente, cogitamos contrato CLT normal mesmo, com carteira assinada”, compara o coordenador.

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A intenção da faculdade ensinar conceitos através dos eSports que também existem em esportes tradicionais, como trabalho em equipe e respeito aos colegas - além de, claramente, oferecer apoio aos pro players.

“Minha mensalidade não é tão barata, a bolsa ajuda muito”, explica o jogador Mares. “No meu caso, eu já tinha tentado jogar competitivo, mas tive que parar e fiquei jogando por diversão. Quando apareceu essa oportunidade, vi que era a melhor chance.”

Segundo os jogadores, o projeto tem muita relação com os cursos que estão nesse mercado, como Jogos Digitais e Computação Gráfica, que possuem ligação direta com o mercado de games.

Victor Figueiredo, o carregador do time, tem 24 e faz Jogos Digitais na FUMEC. “Eu acho que ajuda muito na minha faculdade. Como game designer, você precisa conhecer bem os jogadores e não somente a parte técnica. Assim, eu conheço o lado competitivo dos jogos e entendo o lado do consumidor.”

Quando questionado sobre o projeto, o jogador vai direto ao ponto: “Trabalho na minha própria faculdade fazendo o que gosto. Tem coisa melhor que isso?”

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