"The Surge" leva fórmula de "Dark Souls" para a ficção científica

Rodrigo Lara

Do Gamehall, em Paris*

Um RPG de ação que mistura alta dificuldade, sistema de evolução baseado em uma espécie de "moeda", inimigos que retornam ao cenário assim que o personagem descansa e ações limitadas por uma barra de fôlego. Essa fórmula, popularizada pela série "Dark Souls", tem sido uma das preferidas da indústria. Não à toa, tivemos diversos games lançados nos últimos anos que a utilizaram, em maior e menor escala.

Um desses jogos foi "Lords of the Fallen", lançado em 2014 para PC, PlayStation 4 e Xbox One. Produzido pela alemã Deck 13, esse RPG bebia direto da fonte ao apresentar um mundo medieval, mas também trazia ideias próprias como a estrutura de classes, o uso de magia e um sistema de recompensa mediante risco. Infelizmente, porém, esse jogo deixou a desejar em alguns aspectos: sua dificuldade se baseava em uma espécie de desequilíbrio entre o personagem do jogador e os inimigos e questões técnicas, como jogabilidade e câmera, acabaram manchando seu currículo.

A Deck 13, porém, não desistiu desse estilo de jogo e passou a trabalhar em "The Surge". E, pelo o que UOL Jogos pode ver durante um evento para a imprensa realizado em Paris, a produtora aprendeu com os erros. 

O estilo de "Dark Souls"

Em "The Surge", a Deck 13 resolveu insistir na fórmula queridinha do momento: um RPG de ação com visão em terceira pessoa, alta dificuldade e que cativa jogadores que se sentirem motivados a avançar por meio da insistência. Sim, a série "Souls" produzirá mais um "filho", ainda que "The Surge" traga diversos elementos inéditos. 

A ambientação é futurista e o seu personagem explora ambientes devastados, possivelmente o resultado de uma malsucedida tentativa de fusão entre corpos humanos e próteses mecânicas. Essa novidade soma-se ao sistema de desmembramento, que permite que o jogador mire seus ataques em determinadas partes do corpo dos inimigos e, com isso, torne seus ataques mais efetivos e tenha uma chance de obter equipamentos usados pelos adversários.

Será que isso é o suficiente para "The Surge" se destacar em um meio que tem nomes como "Dark Souls 3", "Bloodborne" e "Nioh"?

Reprodução
Conforme o jogador progride no jogo, é possível equipar partes mecânicas e usar uma espécie de exoesqueleto

De acordo com o diretor criativo do game, Jan Klose, a resposta é sim. "Nossa ideia é levar essa fórmula de sucesso a um ambiente ainda inexplorado. E também adicionamos diversos elementos que o jogador poderá utilizar, como o sistema de criação de itens. Nossa ideia é oferecer uma experiência bastante aprofundada e que não se limita a simplesmente explorar um ambiente e combater inimigos".

A Deck 13 também seguiu na contramão dos jogos do estilo e tornou "The Surge" uma experiência solo. Até o momento, ao menos, não há a intenção de dotar o jogo de um modo multiplayer o que, de acordo com Klose, fará com que aqueles que decidirem se aventurar por esse mundo pós-apocalíptico se sintam mais imersos na experiência.

Visual na média

"The Surge" não é exatamente um game que salta aos olhos, porém não têm defeitos visuais aparentes. Está na média do que é visto nessa geração e isso, por si só, basta. A jogabilidade, por sua vez, apresenta um avanço considerável em relação ao visto em "Lords of the Fallen", com comandos responsivos e um layout idêntico ao da série "Souls", utilizando botões de ombro dos controles para ataques.

A versão testada do game também não apresentou engasgos ou problemas de colisão durante a ação, o mesmo valendo para a câmera, posicionada mais distante do personagem. Essas são características capazes de estragar a experiência em jogos do tipo e, felizmente, "The Surge" escapa ileso nesse tipo de avaliação.

Previsto para ser lançado em março, "The Surge" terá versões para PC, PlayStation 4 e Xbox One. 

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