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Conheça "Shadowrun", o jogo que mistura "Senhor dos Anéis" e "Matrix"

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Imagem: Reprodução

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

2017-08-05T04:00:00

05/08/2017 04h00

A fantasia medieval sempre foi o principal combustível dos RPGs de mesa. Desde o primeiro "Dungeons & Dragons" até o recente "Pathfinder", não faltam jogos inspirados na mitologia europeia e em obras como "O Senhor dos Anéis".

Outro gênero bastante popular é a ficção-científica, principalmente a vertente ciberpunk, que envolve filmes como "Blade Runner" e "Matrix", entre vários outros.

Com elfos, anões, orcs e magia de um lado, gangues de rua, drogas, ciberespaço, megalópoles e mercenários cibernéticos do outro, é difícil imaginar algo que una os dois gêneros - mas foi o que "Shadowrun", da editora norte-americana FASA, fez em 1989.

O jogo usa elementos típicos de fantasia, ciberpunk e até terror e histórias de detetive para apresentar um universo dos mais criativos - e, não à toa, cultuado pelos fãs até hoje.

Meta-humanos e monstros fantásticos

Em "Shadowrun", os jogadores exploram um mundo futurista (no jogo original, a trama se passa no então distante ano de 2011), onde um fenômeno genético não explicado transformou humanos em mutantes, com variantes que lembram criaturas como elfos, anões, orcs e trolls.

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A Terra alternativa de "Shadowrun" é chamada de Sexto Mundo. O nome é uma referência a outro jogo da mesma editora, o RPG medieval "Earthdawn", que se passa no Quarto Mundo. A nossa Terra, na cosmologia da FASA, seria o Quinto Mundo. Imagem: Divulgação

Isso, numa época em que o uso de implantes cibernéticos e nanotecnologia já era bastante disseminado. Ou seja, você pode jogar com um orc "samurai urbano" com braços e pernas biônicos. Ou um elfo "tecnomago" que mergulha na "Matrix" com implantes neurais.

Sim, "Shadowrun" já usava o termo Matrix, com "x", um bom tempo antes de Neo acordar e descobrir que a realidade era uma farsa. E que sabia kung-fu.

Além dessas mutações, um vírus "vampírico" transformou suas vítimas me monstros. Então algumas gangues de rua vão ter não só punks com modificações cibernétivas e armas de fogo, mas também goblins, wendigos e outras criaturas maiores.

Até dragões existem no futuro de "Shadowrun", geralmente no comando de grandes corporações internacionais - assim como Smaug, em "O Hobbit", os dragões do RPG gostam de acumular grandes tesouros.

Inspirado na cultura ciberpunk, "Shadowrun" coloca os jogadores como mercenários que realizam trabalhos sujos para megacorporações (ou contra elas). Os chamados "runners" funcionam de forma bem similar a um grupo de "D&D": cada personagem tem sua raça e classe, armas, magias, poderes especiais e o grupo meio que se complementa e joga junto para superar a aventura proposta pelo mestre do jogo.

Ciberespaço

Uma das inovações de "Shadowrun" em comparação com outros RPGs da época, foi a inclusão do ciberespaço. Certos personagens, os deckers, podem navegar em uma forma física por essa dimensão, chamada, olhe só, de Matrix. Lá, eles roubam dados e segredos dos inimigos, mas podem se envolver em batalhas de vida ou morte contra os sistemas de segurança da rede.

Nas ruas, a briga é mais tradicional, mas envolve tanto tiroteios com submetralhadoras quanto duelos de katana e magias poderosas, inclusive com a invocação de espíritos - o jogo se passa na América do Norte e explora o folclore nativo-americano nesse ponto.

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Muito antes de Neo e sua turma popularizarem a "Matrix", os jogadores de "Shadowrun" já estavam por lá, roubando dados e lutando contra o sistema. Imagem: Divulgação

Para jogar esses combates e realizar outros feitos, os jogadores usam dados comuns de 6 faces - e não os famigerados dados multifacetados de 20, 12, 10, 8 e 4 lados, típicos de "Dungeons & Dragons". A mecânica é um pouco mais complicada no princípio e envolve vários números, mas uma vez preenchida a ficha de personagem, os jogadores se acostumam rapidamente.

Edição atualizada

De 1989 para cá, "Shadowrun" teve cinco edições, que atualizaram não só as regras do jogo, mas também a ambientação. Afinal, o que imaginamos hoje como a Matrix é bem diferente do que rolava no final dos anos 1980.

No Brasil, o RPG de mesa foi lançado originalmente pela Ediouro e depois recebeu um relançamento pela editora Abril. Alguns romances chegaram a sair em português, mas nada comparado com o volume de livros e suplementos publicados nos EUA.

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"Shadowrun Returns" é um jogo de estratégia em turnos para PC que captura perfeitamente a ambientação ciberpunk e a magia única do RPG original. Imagem: Divulgação

"Shadowrun" recebeu versões para videogames - um jogo para SNES, um para Mega Drive nos anos 1990 e, em 2007, um game de tiro para PC e Xbox 360, curiosamente ambientada em uma versão futurista de Santos (SP). Nos últimos anos, "Shadowrun" ganhou games de RPG e estratégia por turnos para computador, financiada via Kickstarter.

A quinta edição do jogo vai chegar ao Brasil através da editora New Order, que já lançou uma caixa introdutória com um guia básico do Sexto Mundo (como é chamada a Terra do jogo), regras básicas e personagens prontos para jogar, além de um par de dados de 6 faces personalizados.

O livro básico mesmo, deve sair em dezembro, mas é possível comprar a quinta edição de "Shadowrun" através da campanha de financiamento coletivo, que vai até meados de agosto e já arrecadou mais de R$ 54 mil.

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A quinta edição de "Shadowrun" será lançada no Brasil. O módulo básico traz regras mais modernas e também atualiza a ambientação para o ano 2076. Imagem: Reprodução

Misturando elementos típicos de RPGs de fantasia ao melhor estilo "Senhor dos Anéis", com a ficção ciberpunk ao estilo "Matrix", "Shadowrun" se consolidou como o mais popular RPG de mesa do gênero - e é uma ótima pedida para quem já está jogando "D&D" e outros jogos similares mas quer experimentar algo um pouco diferente - sem deixar de lado as bolas de fogo, duelos de espada e batalhas contra dragões.