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God of War


Sexo em "God of War" era legal ou só vergonha alheia?

Arte/UOL Jogos
Aparentemente, muitas mulheres devem achar super sexy um cara completamente branco, com cicatrizes e meio rude. Imagem: Arte/UOL Jogos

Barbara Gutierrez

Do UOL, em São Paulo

2017-08-18T04:00:00

18/08/2017 04h00

Próximo game da franquia não terá minigame de sexo, mas... Na real, é melhor assim

Deveria ser uma reunião de pauta, mas lá estávamos nós, discutindo sobre as cenas de sexo de "God of War", enquanto assistíamos a um compilado de todas as vezes em que Kratos mostrou a Hidra de uma só cabeça nos jogos da franquia.

"Meio vergonha alheia, né?", alguém comentou entre os gemidões do vídeo (e não os do Zap).

E não é só a gente que pensa assim. De acordo com o próprio Cory Barlog, a cabeça por trás de “God of War”, este tipo de mecânica nem estará mais presente no próximo jogo, provavelmente porque o novo título da série traz um Kratos cuja proposta vai além do 'fortão comedor'.

Falar que esses momentos são “meio” vergonha alheia é pouco - e acredite em mim: estou longe de fazer o estilo puritana. Não digo que cenas de sexo são desnecessárias nos games. A questão aqui é muito mais… profunda.

Relembre as cenas de sexo na série God of War

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É engraçado lembrar que, na época em que joguei os games da série, eu achava aqueles momentos até que legais. Sem julgamentos, por favor. É que no auge da minha adolescência, eu me sentia descolada pra caramba fazendo um personagem fortão transar com NPCs que simplesmente eram inseridas no cenário sem qualquer função além do clichê sexual. Todas, claro, com os peitos de fora.

Que pessoa de 15 anos não curtiria isso? Bom, atualmente com alguns anos a mais, todo mundo fica mais crítico. O que quero dizer é: cenas de sexo podem ser muito bem utilizadas nos games como complemento narrativo, e não apenas uma maneira de mexer com o fetichismo dos jogadores.

Antes de ir mais a fundo nisso, vamos primeiro assistir ao minigame de “God of War II”:

Kratos afogando o ganso

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Não faz sentido algum você sair de um aqueduto, chegar em um caldário, destruir um biombo e simplesmente sair distribuindo beijos gregos em duas NPCs que estão no cenário só para agradar os sonhos molhados de alguns adolescentes.

Por que elas estão lá? Quem são elas? Elas conhecem o Kratos? As personagens sequer demonstram qualquer tipo de emoção quando o espartano chega quebrando tudo e de repente se mete ali no meio! E, pra variar, quando o momento ‘Cine Privé’ acaba, elas não possuem mais propósito algum, além de oferecer orbes vermelhos.

E é nesse momento que começam os argumentos do tipo “mas estas mecânicas davam personalidade e adicionavam um momento engraçado no game!”

Caramba, que forma madura de fazer isso! Não é nem como se os desenvolvedores pudessem inserir outros elementos narrativos para dar um tom diferente ao jogo, não é mesmo?

“God of War III” ainda tentou aplicar uma motivação para a transa do deus da guerra com Afrodite, deusa do amor. Neste caso, até fez sentido pela história do jogo (o pobre Hefesto que o diga), mas o desenrolar da cena é o maior clichê possível, com uma representação puramente estética e plastificada do sexo.

Afrodite e Kratos

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Inegavelmente, a evolução do mercado trouxe jogos com gráficos mais realistas e roteiros bem trabalhados. Como resultado, as cenas de sexo aos poucos estão sendo inseridas com o cuidado de não simplesmente ter a função de um easter egg pornô, mas sim transformarem-se em momentos factíveis em forma e conteúdo dentro da trama do game.

A franquia “The Witcher”, por exemplo, tem um crescimento visível ao observar como cada um de seus jogos retrata o sexo. É muito louco pensar que alguém realmente achou uma boa ideia a criação dos “Romance cards” (recurso do primeiro jogo, também chamados de “sexcards”), que eram basicamente cartões especiais que o jogador adquiria após fazer Geralt botar a mão na massa com alguma das mulheres do jogo.

Reprodução
Cada mulher tinha um cartão próprio com pinturas suas em poses sensuais e normalmente sem roupa alguma, tipo coleção de figurinha. Que adulto. Imagem: Reprodução

De lá para cá, temos um “The Witcher III” introduzindo momentos quentes (e explícitos) que complementam o relacionamento de Geralt com mulheres que fazem parte essencial na trama. É disto que eu estou falando!

Existe a transa em cima do unicórnio? Sim, mas ei, estamos falando de um jogo que brinca com o imaginário do jogador. A fantasia não é um problema, o meu incômodo é a profundidade psicológica rasa e utilização do sexo por fetichismo em um game cuja proposta não é esta.

Assim com "The Witcher", a franquia do deus da guerra também parece ter evoluído, afinal de contas os tempos eram outros.

“Não teremos mais [os minigames de sexo]", disse Cory Barlog, diretor de "God of War" em entrevista durante a E3. "Sabe, eu cresci, o estúdio amadureceu, o público cresceu. Aqueles jogos são parte da nossa história e foi uma jornada para chegar até onde chegamos, mas estamos em um momento diferente com um game diferente.”

Ainda bem.

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