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Com jogabilidade imbatível, "PES 2018" repete acertos e erros do passado

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

14/09/2017 14h58

"PES 2018" é um jogo sem muitos segredos e firulas que vai direto ao ponto: é uma versão ainda mais refinada da edição anterior, melhorando tudo que já era bom, mas sem se preocupar em trazer novidades. Confira comigo no replay.

É muito claro que o foco da Konami nas versões para PlayStation 4 e Xbox One foi polir o excelente sistema de jogo visto em "PES 2017". De fato, tenho a impressão de que este é o maior salto de qualidade que a série teve nesta geração de consoles, desde que "PES 2015" colocou a série de volta ao caminho da vitória.

Divulgação
Game foi testado nas versões para PS4 e Xbox One Imagem: Divulgação

O ritmo de jogo é cadenciado sem ficar lento demais e passes e chutes equilibram conforto e desafio na medida ideal. Quem joga sabe sempre muito bem o que está fazendo e quando erra fica a sensação de que faltou habilidade, não de que foi falha do game. Até os cruzamentos estão bem melhores desta vez!

A jogabilidade de "PES 2018" é imbatível e traz um equilíbrio perfeito entre estratégia e momentos imprevisíveis do futebol.

Ele é fácil para pegar e tirar alguns contras rapidinho, mas também traz camadas diversas de estratégia, que permitem se aprofundar ainda mais na brincadeira.

Esse capricho todo se aplica também aos gráficos, com uma atenção sem igual ao que acontece entre as quatro linhas. Os movimentos dos atletas estão bem mais suaves, distanciando o "PES" daquele jeito meio robótico que marcou edições recentes.

No detalhe é possível ver pingos de chuva rebatendo nos atletas, pedaços de grama voando em jogadas mais intensas, o spray que marca a linha da barreira sumindo aos poucos depois de uma jogada de bola parada e assim vai.

Pena que essa qualidade toda não se aplique também ao que acontece fora dos gramados. As recriações de dezenas de arenas e estádios pelo mundo todo são impressionantes, mas as animações das torcidas ainda destoam da qualidade dos jogadores, assim como outros elementos à beira do gramado, como os fotógrafos.

Falta mais festa e barulho, coisas que ajudariam a diferenciar bem quando um time joga em casa, ao lado da torcida, ou como visitante, encarando os fãs do time adversário. "PES 2018" segue como sempre foi, com uma atmosfera um pouco pálida e sem graça que começa a chamar atenção de forma negativa na comparação com outros elementos tão bem feitos do jogo.

Aliás, faltam  muitos times licenciados, como o Real Madrid, mas a comunidade de fãs é incrivelmente competente e produz atualizações de uniforme e elencos que são fáceis de baixar e aplicar no jogo.

Como de costume também, o game tem muito carinho com o futebol brasileiro. Corinthians e Flamengo seguem exclusivos na série, agora também com o Vasco da Game nessa condição. Aliás, a casa da equipe carioca, o estádio de São Januário, também aparece apenas no "PES", mesma situação de Allianz Parque, Arena Corinthians, Beira-Rio, Maracanã, Mineirão, Morumbi e Vila Belmiro.

Este já é o segundo ano de Milton Leite como narrador oficial do game, ao lado do comentarista Mauro Beting, mas é difícil notar qualquer melhoria nessa parte. Milton ainda repete muitas frases do narrador anterior, Silvio Luiz, e chegamos a ver até situações em que Mauro chama o narrador de Silvio, não de Milton.

Infelizmente, um deslize que pode deixar a impressão de que a narração brasileira não foi uma das prioridades na produção do "PES 2018".

Em termos de modos de jogo, há novidades, mas nada muito revolucionário. Depois de anos de muitos pedidos, a Konami finalmente trouxe de volta o Random Selection, em que times são montados aleatoriamente. Uma opção divertida, mas sem muita profundidade.

Entra em cena também um modo cooperativo 3-contra-3, disponível tanto online quanto no multiplayer local. A exemplo do Random, é diferente e divertido, mas dificilmente vai ser o centro das atenções para jogadores mais dedicados.

A Master League e o MyClub seguem como os destinos certos para jogadores hardcore e apresentam pouquíssimas mudanças. Só mesmo quem já joga muito "PES" e sabe que vai jogar bastante também o "PES 2018" vai notar os ajustes. Apesar de apresentar um sistema de jogo sensacional, "PES" ainda falha onde "FIFA" cada vez mais acerta: na variedade de modos de jogo.

Para um game que basicamente se propõe a repetir com mais intensidade o que a versão anterior fez, o resultado é o mesmo do ano passado: "PES 2018" traz a melhor jogabilidade da série e vai agradar em cheio quem já é fã da série, mas dificilmente vai converter quem é fã de "FIFA".