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'Vovô gamer': ele tem 63 anos, joga videogame e vende PlayStation

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Imagem: Reprodução

Barbara Gutierrez

Do UOL, em São Paulo

09/10/2017 04h00

Dentro de uma livraria num shopping da Mooca, bairro tradicional de São Paulo, você pode encontrar o seu Edson Garcia, também conhecido como "vovô gamer".

O senhorzinho simpático de 63 anos tem muita história pra contar e ânimo de sobra, e hoje trabalha como promotor de games.

É isso mesmo: Edson foi o primeiro a participar de um programa da PlayStation, que contrata pessoas acima de 60 anos para integrar 10% de seus promotores de vendas em todo o Brasil.

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Eu o encontrei embrenhado no "cantinho gamer" da livraria, entre os últimos lançamentos e as propagandas coloridas, atendendo um cliente.

“Esse daqui é o Slim, né?”, ele aponta um cartaz da promoção com o console fino da Sony e mais outros três títulos. “Vem com esses jogos e ainda com os ingressos da BGS! Vale muito a pena.”

Muito bem articulado, seu Edson até riu quando eu perguntei se ele sabia o que é a BGS, a maior feira de games da América do Sul.

“É claro que sei! É a… Brasil Game Show, né? Eu nunca fui, mas este ano será a minha primeira! Para mim tudo isso está sendo novidade, eu sabia que existia, mas nunca pude participar. Eu estou em êxtase, de coração.”

Lá em mil novecentos e bolinha…

Tudo começou em meados de 1970 e 1980.

“Quando eu era mais novo, mesmo sendo maior de idade, meu pai não me deixava jogar. Era uma época diferente, a televisão era em preto e branco e esse tipo de coisa era restrita.”

“Joguei muito nas lanchonetes, mas escondido. Eu precisava chegar em casa às 22h, e por isso deixava um monte de ficha e saía correndo para casa.”

“Eu joguei muito ‘Karate Champ’ [game lançado para fliperamas em 1984], era o que mais tinha na época. Eu sempre gostei de games, mas nunca tive oportunidade pela questão financeira mesmo.”

Foi quando seu Edson começou a trabalhar, namorar e finalmente se casar que ele finalmente realizou seu sonho: ter o próprio console.

Barbara Gutierrez
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“Comprei um videogame da Tec Toy, minha irmã trabalhava em frente ao prédio deles e na época, aconteceu uma promoção muito boa. Ela comprou para a família dela e eu aproveitei para comprar um também. Eu tenho até hoje guardado, junto com os jogos!”

“Quando minha filha nasceu, a gente sentava e jogava em família, ela adorava ‘Pac-Man’, o come-come, sabe? A gente tinha um pouco de dificuldade por causa do inglês, minha filha se interessou pela língua por conta dos games. Hoje ela e minha outra menina - a Alicia e a Aletia - falam inglês graças a isso.”

“Eu tinha os meus jogos e minha filha tinha os dela. Joguei muito ‘Crash’ no PlayStation 2 com ela, mas também gostava de ‘Nascar’, ‘Bomberman’... Tanto jogo, né?”

Além disso, ele também diz, todo pomposo, que está encaminhando seus quatro netos para o mesmo caminho: “Quando eu cheguei com o PlayStation 4 em casa, eu perdi o controle pra eles!”

Vovô gamer

Quando pergunto o que ele anda experimentando no console, ele diz que está apanhando muito do novo remaster de “Crash Bandicoot”. Honestamente, quem não está?

“Eu estou jogando bastante o novo ‘Crash’ e ‘The Order’, que tem uma história vitoriana, mas gosto mesmo dos jogos de esporte, tipo automobilismo.” São-paulino de coração que é, ele também comenta que está adorando o lançamento “PES 2018”.

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Enquanto responde às perguntas, ele mostra um smartphone e tablet como parte do trabalho. Tanta tecnologia assim não confunde a cabeça de vez em quando?

“Ah, a gente até tem um pouquinho de dificuldade pela idade, mas mesmo formado em Contabilidade, eu me viro bem.” Seu Edson também conta que trabalhou por muitos anos com vendas - por isso, lidar com o público está sendo fichinha para ele.

“Eu estou encantado, adorando o pessoal interagindo comigo. As pessoas recebem bem minhas dicas e me chamam de 'vovô gamer' por aqui. Você tinha que ver no final de semana passado, encheu de gente! Só faltei virar atração”, diz às risadas.

Sua rotina conta com 8h de trabalho entre vendas, análise de estoque, organização de prateleiras de jogos e materiais de divulgação. Quando pergunto sobre aposentadoria, ele até arregala os olhos: 

“Não, não consigo. Você ainda está conseguindo me deixar quieto por bastante tempo, eu não paro e não consigo. Eu sou o primeiro idoso aqui no PlayStation e estou deixando um legado, por isso saio daqui sempre feliz e motivado".

Dentro de uma livraria num shopping da Mooca, bairro tradicional de São Paulo, você pode encontrar o seu Edson Garcia, também conhecido como \"vovô gamer\".

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