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Pague para ganhar: a ganância está colocando bons jogos em risco

Sombras da Guerra
Orc de "Sombras da Guerra", ou executivo de produtora de games?
Imagem: Reprodução/Warner Bros.

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

11/10/2017 12h41

Utilizando táticas vistas em jogos grátis para celular, produtoras como Warner e 2K Games estão piorando seus games para obrigar os fãs a gastarem mais dinheiro.

Para aproveitar "NBA 2K18" ao máximo, não basta pagar os R$ 250 que as lojas pedem: o progresso no adorado modo 'carreira' do jogo foi reduzido em relação ao game anterior na tentativa de forçar o jogador a abrir a carteira. Para melhorar os atributos ou modificar a aparência de seu atleta em um ritmo decente, jogadores precisam desembolsar grana real por pacotes de uma moeda virtual chamada VC, que custam entre R$ 7 e R$ 307.

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O verdadeiro final da campanha de "Terra-média: Sombras da Guerra" está escondido atrás de um novo modo em que o jogador deve participar de inúmeras batalhas repetitivas sem qualquer fundo narrativo. Ele tem duas escolhas: enfrentar batalha após batalha por mais de 20 horas (sendo que a campanha normal dura menos que isso), ou então pagar dinheiro de verdade por companheiros orcs mais fortes que aceleram o progresso.

"Sombras da Guerra" também custa R$ 250, e os pacotes de moeda 'premium' saem por até R$ 300. E ainda há, claro, a opção de comprar por R$ 130 um passe de temporada, que promete mais missões e conteúdo.

Sim: produtoras de games são um negócio. Elas não lançam jogos para fazer caridade. Mas a ganância por trás de vários dos grandes lançamentos deste final de 2017 está passando dos limites, e piorando experiências que poderiam ser divertidas e marcantes.

Reprodução/Electronic Arts
Jogadores podem gastar dinheiro pela chance de pegar itens melhores no novo "Star Wars" Imagem: Reprodução/Electronic Arts

"Star Wars: Battlefront 2" parece melhorar todos os aspectos do game original. Ele tem uma campanha com história, mais opções de armas e veículos, mais variedade de personagens e cenários, e até mesmo a promessa de atualizações gratuitas com novos mapas.

O game da Electronic Arts estava no caminho certo para ser um dos mais empolgantes lançamentos para a temporada de Natal.

Mas eis que veio a revelação: usuários podem pagar dinheiro de verdade por itens que dão vantagens no campo de batalha. 'Loot boxes' trazem cartas sortidas, que desbloqueiam armas, melhorias de atributos e até mesmo novos poderes - e quem colocar a mão no bolso consegue acesso a tudo isso muito mais rapidamente que jogadores que não querem pagar mais do que os R$ 220 cobrados pelo game.

Estamos acostumados a aceitar táticas como essas em jogos gratuitos. Mas a história é completamente diferente quando as produtoras tentam trazer esses modelos de negócio para games pelos quais pagamos bem caro logo de cara.

Felizmente, o público está reagindo; a 2K Games precisou reduzir os preços de cortes de cabelo para os atletas de "NBA 2K18" em mais de 90% por causa da repercussão negativa nas redes sociais. De maneira parecida, a Turn 10 Studios precisou fazer alterações a um dos extras pagos de "Forza Motorsport 7", o 'passe VIP', após ser acusada por fãs de marketing enganoso.

Mas é uma pena precisarmos lutar contra o exagero dos executivos para conseguir aproveitar os games que amamos.

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