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"Super Mario Odyssey" é a sequência de "Mario 64" que sempre quisemos

Divulgação/Nintendo
Imagem: Divulgação/Nintendo

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

01/11/2017 15h56

"Super Mario Odyssey" não é uma revolução. Na verdade, trata-se da mais tradicional aventura 3D do bigodudo desde que "Super Mario 64" criou tais tradições lá em 1996.

O chapéu Cappy não muda a maneira como Mario se comporta no mesmo nível que a F.L.U.D.D. fez em "Sunshine", e o game não tem uma mudança de perspectiva tão grande quanto as proporcionadas pelos planetas de "Galaxy" ou os dioramas de "3D Land", nem de ritmo como a trazida pelo caos do multiplayer de "3D World".

O que "Super Mario Odyssey" tem é a coleção mais variada e engenhosa de desafios de plataforma já criada. Estágios que são grandes mundos abertos com personalidades próprias, segredos por todos os lados e surpresas que brincam com as expectativas de quem achava que conhecia os limites da franquia.

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Para progredir em "Odyssey", Mario precisa assumir controle dos inimigos ao seu redor Imagem: Divulgação/Nintendo

Bowser raptou Peach mais uma vez, e agora conta com a ajuda de um grupo de planejadores de festas malignos, os Broodals, para preparar o casamento forçado.

Para impedir que o vilão consiga o que quer, Mario precisa viajar pelos diversos reinos do mundo na nave Odyssey, contando com a ajuda de um novo companheiro: o chapéu fantasma Cappy. Além de esconder a cabeleira surpreendentemente bem cultivada do ex-encanador, Cappy também pode ser usado como projétil, plataforma para saltos... e como um meio para que Mario 'possua' inimigos e objetos ao seu redor.

É uma mecânica incrível, que se desdobra em várias outras. Ao assumir o controle de um Paragoomba, por exemplo, Mario ganha a habilidade de voar pelo cenário, alcançando lugares antes inatingíveis. No casco de um Hammer Bro, o herói ganha saltos mais potentes e a capacidade de arremessar martelos. E como era de se esperar, certos objetivos só podem ser alcançados com criaturas específicas.

Não seria surpresa se o jogo tivesse meia dúzia de criaturas realmente únicas, e que o resto fosse meramente descartável. Mas "Odyssey" vai muito além: praticamente todos os corpos que Mario possui são utilizados de maneiras inteligentes em quebra-cabeças, e, acima de tudo, são divertidos de usar.

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O companheiro Cappy é a principal 'arma' de Mario para enfrentar os desafios dos diferentes reinos do game Imagem: Divulgação/Nintendo

A filosofia do progresso em "Super Mario Odyssey" é bem parecida com a de "Zelda: Breath of the Wild". Mario não ganha novas habilidades ao longo do jogo: ele já começa com todas as ferramentas a seu dispor. A única coisa que separa o jogador das Power Moons espalhadas pelos estágios é a curiosidade necessária para encontrá-las.

Montagem/UOL
Imagem: Montagem/UOL

E, como em "Zelda", todas as descobertas feitas nos enxutos, porém densos mundos de "Odyssey" são devidamente recompensadas. O game não interrompe a ação quando Mario alcança um objetivo, como acontecia em "Mario 64" ou "Sunshine" - o que abre espaço para que um único quebra-cabeça esconda mais de uma Power Moon em suas entranhas.

O ritmo constante de descobertas e recompensas é incrível, e faz com que as horas passem voando. Do começo ao fim, "Super Mario Odyssey" não deixa de surpreender nem por um momento sequer.

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Os reinos de "Odyssey" são tão diversos, que até mesmo o realista Metro Kingdom cai bem Imagem: Divulgação/Nintendo

Curiosamente, apesar da genialidade do Cappy ser um destaque inegável, a característica mais forte de "Odyssey" é a diversidade entre os reinos. O jogo vende a imagem de que Mario é um explorador, capaz até mesmo de tirar fotografias de suas aventuras para transformar em cartões postais. Em termos de estrutura, é como uma sequência direta de "Mario 64".

Não é possível entrar em detalhes sobre os estágios mais empolgantes do game sem revelar demais, mas dá para afirmar que "Odyssey" é um daqueles jogos em que os cenários são como personagens. Cada um deles foi criado como se fosse o único. O esmero fica evidente quando observamos os habitantes de cada um dos reinos, ou até mesmo a consistência de suas estéticas.

Jogar "Super Mario Odyssey" é um deleite. Seja em curtas sessões de poucos minutos, ou então em longos finais de semana, o game é capaz de colocar um sorriso enorme na cara de qualquer fã de plataforma. E isso vale até mesmo depois que os créditos rolam: algumas das maiores surpresas ficam para após a derrocada de Bowser.

Imperdível.

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