Análises

"Call of Duty: WWII" e como games de 2ª Guerra são melhores na memória

Divulgação/Activision
Imagem: Divulgação/Activision

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

07/11/2017 12h11

"Call of Duty: WWII" é duas viagens no tempo em um único pacote. Uma rumo a 1944, quando tropas aliadas pisaram nas praias da Normandia em uma França sob ocupação nazista. E outra para o início da década passada, antes de "Call of Duty" destoar como um dos maiores titãs da indústria dos games ao abandonar a 2ª Guerra Mundial como tema em "Modern Warfare".

O game passa muito à frente dos maiores tropeços da série, como o terrível "Ghosts", mas é assustadoramente familiar para qualquer pessoa que tenha memórias de jogar um shooter lançado antes de 2005.

A desenvolvedora Sledgehammer jogou seguro, e criou uma experiência erguida sobre os clichês mais óbvios da 2ª Guerra, que escancara quão pouco "Call of Duty" avançou nos nove anos entre "World at War" e os dias atuais.

Divulgação/Activision
O ano infernal: história acompanha a trajetória de um grupo de soldados na Europa ocupada Imagem: Divulgação/Activision

Como todo "Call of Duty" desde "Black Ops", "WWII" é dividido em três experiências: uma campanha linear, o adorado multiplayer, e o consistentemente bizarro modo de combate contra zumbis.

A campanha coloca o jogador nas botas de Ronald "Red" Daniels, jovem texano de 19 anos que acaba fazendo parte da incursão do Dia D na Normandia como um recém-alistado da 1ª Divisão da Infantaria do Exército dos EUA. As lições de História não permitem que a trama traga grandes surpresas no quesito rumos da guerra, e décadas de filmes e séries sobre o conflito têm o mesmo efeito no que diz respeito aos dramas pessoais do protagonista e seus companheiros.

Arte/UOL Jogos
Game foi avaliado no PlayStation 4 Imagem: Arte/UOL Jogos

Ainda que as raízes no mundo real obriguem a trama a fazer sentido lógico (algo que melhoraria muito a campanha de "Black Ops III") e deem mais peso ao sofrimento dos soldados, a história de "WWII" nunca emerge do mar de clichês.

Há algo a ser dito sobre o porquê de todo mundo ter desistido de adaptar a 2ª Guerra Mundial nos tempos recentes: as melhores histórias do período já foram contadas. Apostando tudo na camaradagem entre soldados atravessando o inferno, a campanha de "WWII" nunca teve nenhuma chance de sair das sombras de "Band of Brothers" ou "O Resgate do Soldado Ryan".

Minto: talvez houvesse uma chance, se este "Call of Duty" tivesse coragem de ser mais do que apenas mais um "Call of Duty". Mecanicamente, não há nada que separe o primeiro game da série deste lançamento. As fases da campanha seguem todas as batidas previsíveis que a série vem repetindo há anos: o herói atravessa cenários lineares, derrubando alvos no caminho, até que uma explosão dramática interrompe a ação por alguns momentos.

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Dois trechos bem específicos da campanha permitem que você controle um tanque e um caça Imagem: Divulgação/Activision

A única exceção é uma missão de espionagem em Paris, protagonizada pela líder da resistência francesa Rousseau, que obriga o jogador a decorar informações de um passaporte falso para evitar conflito com soldados alemães.

Tal missão não é particularmente engenhosa ou desafiadora, mas ganha destaque em meio ao marasmo por ao menos tentar fazer algo diferente.

Tentando "voltar às raízes" da série, "WWII" marca o retorno dos 'kits de primeiros socorros' do game original. Mas a mudança é mera firula: nada mudou no ritmo dos tiroteios. Os itens estão por todos os lados, e muitas vezes você os pega sem nem perceber. A única diferença é que agora é preciso apertar um botão para recuperar a vida, ao invés de apenas ficar parado em uma trincheira por alguns segundos.

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Jogadores podem interagir e abrir loot boxes lado a lado na nova área social do multiplayer Imagem: Divulgação/Activision

No multiplayer, sim, a busca pelas origens de "Call of Duty" faz grande diferença.

Com soldados que não são ciborgues capazes de voar, correr pelas paredes ou escorregar como se o chão fosse feito de sabão, os combates voltaram a ter um ritmo parecido com aquele de "Modern Warfare".

A experiência é mais amigável para quem não planeja investir um ano inteiro aprendendo técnicas de movimentação avançadas. O foco volta a estar no posicionamento estratégico e na precisão da mira, e não na qualidade das acrobacias (o que é bom, pois "Titanfall 2" faz combate verticalizado dezenas de vezes melhor do que "Call of Duty").

O problema: a seleção inicial de mapas do game é muito fraca. Com exceção de Pointe du Hoc, as arenas são excessivamente simétricas, e punem quem gosta de jogar agressivamente. Partidas de Team Deathmatch rapidamente se transformam em meras competições de cabo de guerra, na qual ou você fica do lado do seu time do mapa, ou morre.

Visualmente, os cenários parecem pasteurizados, no maior estilo "Call of Duty". Isso não era um problema tão grande no futurista "Infinite Warfare", mas destoa aqui. Hermeticamente fechados, eles mais parecem recriações cenográficas para uma novela da Globo situada na 2ª Guerra do que cenários reais de conflito.

Curiosamente, é copiando o rival "Battlefield" que o multiplayer de "WWII" mais acerta. O modo 'War', um clone de 'Rush' em que dois times disputam objetivos em sequência, é o que melhor aproveita as mecânicas precisas de tiroteio do game. Ele dá mais variedade à ação com objetivos claros e um sentimento de progresso dentro de cada partida que empolga.

De acordo com a equipe de marketing da Activision, a grande novidade do modo é o espaço social Headquarters, no qual jogadores podem interagir entre partidas. Na prática, ele serve apenas para aumentar os tempos de carregamento que quebram a ação. É um emaranhado de créditos, missões diárias e semanais, contratos, capacetes especiais, cartões de visita e outros apetrechos que só os jogadores mais assíduos terão coragem de explorar. Para quem só quer trocar tiros em arenas, tudo isso parece enrolação.

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Os zumbis nazistas do modo cooperativo de "WWII" são realmente assustadores Imagem: Divulgação/Activision

O modo restante é o que menos chama atenção na prateleira, mas também é o que "Call of Duty: WWII" tem de melhor a oferecer.

'Nazi Zombies' troca o humor dos modos cooperativos dos últimos dois "Call of Duty" pelo horror: as monstruosidades que perseguem os jogadores são corpos remendados com arame e parafusos, e os protagonistas são muito menos engraçadinhos do que é costume.

Como sempre, o modo zumbi obriga quatro jogadores a experimentarem para alcançar o sucesso. Os cenários são repletos de portas, armas e objetivos escondidos, e a ação pode progredir de várias maneiras distintas de acordo com a habilidade e as escolhas da equipe. Só avança quem consegue manter a calma e limpar as hordas de mortos-vivos enquanto pensa na próxima meta.

A grande novidade no modo é um indicador de próximo objetivo, que ajuda a dar ordem ao caos. Se em games anteriores era preciso ter um jogador veterano como guia ou apostar na sorte para encontrar os próximos passos da aventura, agora até mesmo times de iniciantes têm uma chance de ir longe nas partidas.

"WWII" é um jogo contente em ficar na média. Apesar de tentar vender a volta à 2ª Guerra Mundial como uma grande mudança, o game não faz nada marcante com o material. Quando o próximo "Call of Duty" for anunciado, a comunidade certamente já estará mais que pronta para seguir em frente. Com sorte, em direção a um tema menos batido.

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