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Choro e emoção: grupos de WhatsApp têm disputas animadíssimas de jogos

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Imagem: Getty Images

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

18/01/2018 04h00

Se você usa o WhatsApp só para bater papo, pode estar perdendo uma boa oportunidade de se divertir e matar o tempo. Isso porque o aplicativo de troca de mensagens também virou palco de games em grupo.

Existem jogos que envolvem grupos inteiros apenas para esta função – comecei recentemente a jogar um "Máfia" online que me deixou bastante viciado – e outros que são como correntes que circulam pelos diversos grupos. Existem até sites com dicas de "brincadeiras no WhatsApp".

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Participar de jogos no WhatsApp não é exatamente algo novo, assim como há uma infinidade de games no Facebook, em grupos ou não. Mas cada vez mais pessoas estão descobrindo como eles podem ser interessantes e animados.

Se você ainda não conhece, dê uma chance.

Lembra do "Cidade Dorme"?

O Máfia foi, de longe, o jogo que me deixou mais viciado. Se você já jogou partidas de "Cidade Dorme" (ou "Polícia e Ladrão") em um bar ou com os primos no Natal, vai se identificar.

O jogo gira em torno de duas facções, que nos jogos comuns são a máfia e os cidadãos. O objetivo é fazer a sua facção vencer, mas apenas trocando mensagens no grupo do WhasApp.

No app, a partida gira em torno da conversa. São argumentos para lá e para cá - e tudo o que você tem é a confiança (ou não) de que alguém está falando a verdade. Cada personagem também conta com um poder, que pode revelar informações de outras pessoas. 

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Você pode acabar assim em algum momento enquanto joga Máfia no WhatsApp: doido Imagem: Getty Images

As regras do jogo que eu disputo foram adaptadas pelo moderador de um jogo que rola no fórum ResetEra, mas existem várias versões.

"A parte mais trabalhosa é equilibrar tudo: é preciso fazer testes de como os diferentes poderes podem afetar o jogo. É provavelmente o jogo que mais cobra raciocínio lógico que eu conheço. Ele desafia seu intelecto constantemente, e por isso a sensação de resolver um desses quebra-cabeças é de pura euforia", aponta o moderador Pedro Henrique Lutti Lippe.

Isso do jogo incentivar diálogos e desconfianças pode render momentos tensos. Foi o que aconteceu com Camila Mamede. Em um momento do game (que durou 22 dias até a máfia perder), um de seus melhores amigos estava na berlinda pela cidade achar que era mafioso. Ele, um mero cidadão, se defendeu ao máximo e até revelou seu personagem, mas Camila, outra cidadã, ajudou a eliminá-lo.

"Eu comecei o dia confiante da minha teoria. E acho que foi justamente isso que me deixou tão mal quando comecei a perceber que estava errada. Me lembro de estar parada no meio da rua, com o celular na mão, torcendo até o fim da votação para estar certa", conta.

Quando vi o erro, me veio uma emoção real. Até pensei 'é só um jogo de WhatsApp', mas me emocionei e cheguei a chorar

RPG online

As antigas reuniões para jogar partidas de RPG também migraram para o WhatsApp. O game em que você assume uma identidade também pode ser feito no mensageiro, apenas com diálogos e movimentações. 

Páginas no Facebook tentam aglutinar interessados em partidas do tipo, organizadas por pessoas como Leonardo Lourenço.

Em fóruns, não dá para ter uma intimidade legal. Já na vida real é preciso marcar encontros, levar material. No WhatsApp, bastam duas pessoas, e você pode ter um tempo entre as cenas. Acabei fazendo vários amigos de outros Estados e até países

Jogo de emojis

Mas os jogos mais comuns no WhatsApp são bem mais simples que isso - e sequer precisam de um grupo específico. Certamente, você já viu um desses por aí.

Um de grande sucesso - e bem legal - é o que envolve emojis. Ele circulou entre 2016 e 2017 por vários grupos e em diversas versões: adivinhar nomes de filmes, nomes de jogadores de futebol, letras de músicas ou expressões brasileiras.

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Brincadeira de acertar filmes fez grande sucesso no WhatsApp Imagem: Reprodução

O bacana é que as palavras eram formadas por emojis.

Anos atrás, também circularam brincadeiras como jogo-da-velha com emoji - cada jogador poderia preencher as lacunas com um X ou 0.

E, é claro, existem brincadeiras mais juvenis que nos levam de volta aos tempos de Orkut: quem lembra do "beija ou passa"? Ou de escolher um número para a pessoa revelar algo, apontar um objeto com uma frase na frente que lembra da pessoa... A criatividade é enorme.

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