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As histórias que você perde por não jogar videogames

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

25/01/2018 04h00

Jogar videogame não é um passatempo barato e nem simples: fora o investimento num console ou computador e o preço elevado dos jogos, há controles com 12 ou mais botões, telas de toque, sensores de movimento e até óculos de realidade virtual. Não são poucos os obstáculos que afastam quem não passou a vida inteira brincando com um Nintendo ou PlayStation.

O que é uma pena, pois essa barreira impede que muita gente aproveite algumas das melhores histórias da ficção contemporânea. São produções que nada devem aos filmes de Hollywood ou séries da HBO e Netflix - tanto que atores e diretores do cinema estão cada vez mais interessados e envolvidos com os videogames.

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O cineasta Guillermo Del Toro (de "A Forma da Água") se uniu ao diretor Hideo Kojima para produzir "Death Stranding", um jogo de aventura aterrorizante estrelado por Norman Reedus, o Darryl de "The Walking Dead".

O jogo, exclusivo para PlayStation 4, não tem data para ser lançado, mas a cada novo trailer os fãs descobrem novas pistas sobre a história e se envolvem mais e mais com um game que ainda nem colocaram as mãos.

Não é a toa: Kojima, o diretor, é famoso por tramas elaboradas e surpreendentes, como as de "Metal Gear", saga de espionagem que se espalha por pelo menos 10 games desde o Nintendinho até o PS4 e o Xbox One.

"Death Stranding": cada trailer traz mais perguntas sobre a trama

"Metal Gear" conta as aventuras do espião Solid Snake e sua luta contra uma conspiração que controla o mundo desde o final da Segunda Guerra Mundial. A história aborda temas como a Guerra Fria, clonagem, nano-máquinas, inteligência artificial, pacifismo e é tão complexa que muitos fãs não entendem a trama toda.

Para curtir isso tudo, você precisa dominar diversos sistemas de jogo diferentes. A saga não é contada em ordem cronológica e "Metal Gear Solid  V: The Phantom  Pain", último jogo da série (estrelado por Kiefer  Sutherland), é o quarto na sequência dos eventos apresentados por Kojima, ligando a saga atual com jogos lançados décadas atrás.

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Você até pode jogar "Metal Gear Solid V" na dificuldade mais baixa para curtir a história com tranquilidade. Mas vai ser 'zoado' pelo game, que coloca um chapéu de galinha na cabeça do protagonista durante todo o game. Imagem: Divulgação

Boas histórias não precisam ser complicadas de jogar

Algumas das melhores histórias nos games atuais são contadas em "adventures", jogos onde os controles são mais simples e envolvem, geralmente, apontar com o direcional e clicar em objetos ou escolher falas em diálogos com outros personagens. Essa é a fórmula de "The Walking  Dead" e "Wolf  Among  Us", por exemplo.

"The Walking Dead" é uma aventura paralela aos eventos vistos nos quadrinhos e no seriado da AMC e coloca você no controle da garotinha Clementine no apocalipse zumbi mais popular dos últimos anos.

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"The Walking Dead" é simples de jogar, mas nem por isso deixa de contar uma história super envolvente - e bem melhor do que a das últimas temporadas da série de TV! Imagem: Divulgação

"Wolf Among Us" também é inspirado em outra mídia, os quadrinhos "Fábulas", que contam a história surreal de personagens dos contos de fadas exilados num bairro de Nova York nos dias de hoje. No game, você controla o xerife Bigby Wolf, o Lobo Mau, e precisa descobrir a identidade de um assassino que persegue as fábulas.

São jogos feitos em episódios com cerca de 1 h de duração, num formato bem próximo de séries de TV.

Mas há um jogo que dá um passo além ao explorar o popular formato dos seriados: "Quantum Break" se divide entre jogo de tiro e série com atores reais - tudo no mesmo disco e estrelado por atores bem conhecidos como Aidan Gillen (o Mindinho de "Game of Thrones") e Dominic Monaghan (de "Lost" e "O Senhor dos Anéis"), entre outros.

Enquanto no game você acompanha a história dos mocinhos, entre cada fase são exibidos os episódios da série, mostrando o lado dos vilões. Não é dos jogos mais fáceis para quem não está acostumado, ainda mais quando os poderes de acelerar ou parar o tempo entram em ação, mas acompanhar a história inteira vale o esforço.

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Aidan Gillen (o Mindinho de "Game of Thrones") faz o papel do vilão de "Quantum Break" Imagem: Divulgação

Eles estão de olho

Se as histórias dos games são tão boas e envolventes, mas jogar é um empecilho, as produtoras de cinema e televisão têm a solução. A próxima onda em Hollywood é a adaptação de games de sucesso para um formato mais fácil de consumir.

Baseado num dos mais famosos jogos online, "Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos" é um ótimo exemplo de como levar uma boa história que está espalhada entre vários games, livros e quadrinhos ao longo dos últimos 20 anos, para um público mais amplo.

"Warcraft" simplificou a história dos games para o cinema

No filme, os orcs atravessam um portal para escapar de seu mundo semi-destruído e precisam enfrentar os humanos que reinam em Azeroth. É uma fantasia leve, mas que introduz o público ao universo onde Horda e Aliança lutam eternamente - e forças malignas muito piores espreitam nas sombras.

"Warcraft" fez sucesso e abriu os olhos de Hollywood para essas adaptações: o filme custou US$ 160 milhões e arrecadou US$ 433 milhões nas bilheterias.

O longa-metragem "Assassin's Creed" é o primeiro de vários projetos envolvendo franquias da Ubisoft, por exemplo. Capitaneado por Michael Fassbender, o filme mostra a aventura de Cal Lynch e seu antepassado Aguilar, um assassino espanhol do século XV. 

O filme não fez o mesmo sucesso de "Warcraft", mas rendeu o bastante para que a produtora já prepare filmes de "Far Cry" e "Splinter Cell".

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A saga dos caçadores de vampiros "Castlevania" pode estar meio abandonada no mundo dos games, mas ganhou uma bela animação na Netflix. A segunda temporada chega no meio do ano. Imagem: Divulgação

E se é bom para o cinema, é bom para a Netflix, que já adaptou os jogos de "Castlevania" para o formato de anime e agora trabalha em "The Witcher", uma série de fantasia sombria ao estilo "Game of Thrones", baseada nos livros do polonês Andrej Sapkowski, que já renderam games premiados.

A série vai mostrar os eventos dos livros que antecedem aos games, mas é bem óbvio que a adaptação se deve ao sucesso do game "The Witcher 3": a franquia já vendeu mais de 25 milhões de unidades em todo o mundo e a Netflix sabe que sem um joystick servindo de obstáculo, a trama pode alcançar um público ainda maior.

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