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Mulheres criticam prêmio para fundador da Atari, acusado de assédio

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Nolan Bushnell, considerado um dos pioneiros da indústria de games, recebeu críticas pelo tratamento de mulheres durante sua chefia da Atari Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

31/01/2018 16h31

Os organizadores da GDC (Game Developers Conference), um dos eventos mais conceituados da indústria de games, anunciou na terça-feira (30) que honraria o cofundador da Atari, Nolan Bushnell, com o Pioneer Award, por suas contribuições ao mundo e mercado de videogames.

A nomeação, porém, causou muitas críticas por parte de mulheres que trabalham com games e tecnologia, em especial pelo histórico controverso em relação ao tratamento de funcionárias e outras figuras femininas na época em que chefiava a Atari.

Em uma entrevista feita em 2011, por exemplo, o antigo executivo da Atari Ray Kassar relembrou seu primeiro dia na empresa, em que chegou no trabalho de terno só para encontrar Bushnell com uma camiseta estampada com a frase "I like to fuck" ("Eu gosto de trepar", em tradução livre).

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Um episódio mais problemático descrito pelo designer de "Pong", Allan Alcorn, no livro "The Ultimate History of Video Games" (ou "A Grande História dos Video Games", inédito no Brasil): "Nolan precisava de alguns papeis e documentos, então ele ligou para seu escritório e disse: 'Fale para a senhorita tal e tal trazê-los aqui para cima'. Nós estávamos na banheira, então ele tentou convencer ela de entrar com a gente durante a reunião de executivos.

"O advogado do Nola ficou irritado porque molhamos os papeis. Ele não estava na banheira e não estava se divertido nem um pouco com tudo isso."

O próprio Bushnell comenta sobre estes dias vividamente no mesmo livro, lembrando que eles "faziam reuniões em banheiras, bebiam muito, experimentavam com drogas... Às vezes as reuniões da Atari pareciam mais festas de fraternidade do que encontros de negócios."

Episódios como este levaram figuras como a desenvolvedora e candidata política Brianna Wu a criticaram a GDC pela premiação, particularmente após a ascensão de movimentos como #metoo e Time's Up, que tem como objetivo acabar com a influência de figuras masculinas que, graças a seu poder dentro da indústria de entretenimento, puderam praticar atos de assédio e violência sexual com impunidade.

"Eu nunca li um livro de história da Atari que entrevistou muitas mulheres", escreveu Wu. "Tem sido homens entrevistando homens - mas isto são só as coisas que o Bushnell se vangloriou. Mal consigo imaginar as coisas que poderiam ser encontradas se fossem pesquisadas a fundo."

"Bushnell é uma figura importante. Mas este não é o ano para honrá-lo."

Outra designer, Gillian Smith, também criticou a decisão da organização da GDC, com recortes de atitudes sexistas de Bushnell e membros da Atari nas décadas de 1970 e 1980, incluindo a contratação de secretárias por sua aparência e apelidar projetos de jogos com nomes das funcionárias mais atraentes da empresa.

A organização da Game Developers Conference não se pronunciou sobre as críticas.

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