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"Burnout Paradise" ainda é um ótimo jogo de corrida, mesmo 10 anos depois

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

13/03/2018 04h00

O "Burnout Paradise" original foi lançado uma década atrás e, ao iniciar sua remasterização em 2018, já tive certeza de que poucas vezes na história dos games uma música licenciada foi tão bem utilizada.

Você dá a partida no carro na saída do ferro-velho e os primeiros acordes de "Paradise City", do Guns N' Roses, enchem a sala, ditando o ritmo acelerado e destrutivo com que as coisas vão acontecer dali em diante.

O game é o mais puro jogo de corrida "arcade". Esqueça o realismo e a simulação física dos "Forza" e "Gran Turismo". A regra aqui é dirigir em altíssima velocidade, queimar nitro como se não houvesse amanhã e, eventualmente, participar de acidentes impressionantes.

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O game tem 150 carros para você colecionar, em uma frota que vai de esportivos japoneses até hot rods irados. Imagem: Divulgação

Cada um dos 120 semáforos de Paradise City traz um evento diferente, como corridas, provas de manobras, batalhas sobre rodas, perseguições ou tomadas de tempo. Mais eventos são liberados conforme você avança na carreira e ganha novas licenças. Carros especiais aparecem pelas ruas e você tem que abate-los para que eles entrem na sua garagem. Colecionáveis estão por todos os lados, na forma de outdoors, portões e saltos cinematográficos.

Ao todo são 150 carros, cada um com uma pegada própria e mais apropriado para certas competições (os veículos são classificados em velocidade, manobras e agressividade) e você pode usar qualquer um deles na maior parte das competições - mas cuidado ao usar um carro esporte rapidinho num evento de "Road Rage", onde o objetivo é detonar a maior quantidade de oponentes dentro de um limite de tempo. Você vai acabar virando sucata.

Paradise City tem muita coisa para se fazer e a remasterização inclui todos os carros extras (até o DeLorean voador de "De Volta para o Futuro") e a expansão Big Surf Island, com uma ilha inteira feita para manobras realmente radicais.

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As batidas de "Burnout Paradise" ainda tiram o fôlego, mas bem que podiam rolar umas partículas a mais... Imagem: Divulgação

Visual remasterizado

O gameplay é o mesmo de 10 anos atrás e funciona muito bem. O fato de "Burnout Paradise" ter envelhecido tão bem mostra o quanto o game da Criterion foi pioneiro e trouxe inovações que hoje são padrões dos jogos, como multiplayer online e mundo aberto, por exemplo.

A trilha sonora está inteirinha lá e é cheia de hard rock, eletrônico e o punk chiclete de Avril Lavigne. Pelo menos em "Paradise" só temos uma versão de "Girlfriend".

E, claro, os gráficos remasterizados: 1080p e 60 quadros de animação por segundo (fps) no PlayStation 4 e no Xbox One. Nos parrudos PS4 Pro e Xbox One X, a resolução chega aos 4K. Por outro lado, faltou aquele cuidado extra que outras remasterizações recentes receberam, como modelos mais detalhados, efeitos de luz e sombra volumétrica, por exemplo.

Viagem no tempo (em alta velocidade)

Para os novatos, "Burnout Paradise Remastered" é uma ótima amostra de como os jogos de corrida não precisam ser sempre simuladores fiéis ao mundo do automobilismo e às leis da física.

Agora, se você é um piloto veterano da série, assim como eu, pode ficar tranquilo: o game passa a mesma sensação hoje, que passava 10 anos atrás. Jogar "Burnout Paradise" novamente, parafraseando David Lee Roth, é como viver no paraíso. E eu não quero voltar para casa.

Nota: 8