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Aventura eletrizante de "A Way Out" compensa falhas com originalidade

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Imagem: Divulgação

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

23/03/2018 04h00

Dois presidiários, Vincent e Leo, precisam ajudar um ao outro para escapar da prisão e se vingar de quem colocou eles atrás das grades. Essa é a premissa de "A Way Out", game que traz muitas ideias inovadoras e ao mesmo tempo, entrega uma trama intensa que ganha ainda mais força por ser compartilhada entre os dois jogadores que participam da aventura.

A principal característica de "A Way Out" é que você não pode jogar o game sozinho. Seja em uma partida online ou no aconchego do sofá, jogar com um amigo é obrigatório. O jogo é cheio de momentos em que os dois jogadores devem cooperar para superar os desafios e resolver quebra-cabeças.

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Nos primeiros momentos da fuga, Leo cava um túnel nos fundos do banheiro de sua cela, enquanto Vincent fica de olho caso os guardas apareçam. Depois, Vincent procura por uma saída numa caverna enquanto Leo ilumina o caminho com uma lanterna. Em outras cenas, um guia uma camionete enquanto o outro atira nos perseguidores, os dois se apoiam um no outro para alcançar lugares altos e assim por diante.

Muitas das sequencias de ação em "A Way Out" envolvem atividades quase corriqueiras, como descolar roupas, comida e combustível, que são bem mais complicadas e emocionantes quando você é um foragido da justiça. O jogo é bem generoso em apontar o caminho e salvar constantemente o progresso, ou seja, vocês dois não terão que ficar repetindo muitas missões quando falharem em algum objetivo.

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A dinâmica entre Vincent e Leo é excelente e um dos pontos altos do game. Imagem: Divulgação

Tela dividida

O modo multiplayer online de "A Way Out" ainda não estava ativo quando recebi o game para análise e, por isso, curti a aventura ao lado de uma amiga, no bom e velho - e um tanto esquecido hoje em dia - multiplayer local em tela dividida.

O bom é que o game não usa uma divisão fixa na tela: a linha de corte muda conforme a ação que está rolando na tela e colocar cada um dos jogadores no holofote em seus melhores momentos. A dinâmica combina muito com a direção artística do jogo, ambientado no começo dos anos 1970. Há uma cena em especial onde o game se supera, usando a câmera de forma genial para saltar de um jogador para o outro e passar o clima de urgência da perseguição.

O jogo tenta equilibrar (nem sempre com sucesso), bons momentos de ação, combate, e furtividade com longas cenas e diálogos típicos de um adventure independente, onde você apenas anda e descobre cenários interessantes enquanto acompanha a narrativa. Na real, algumas das cenas que você acompanha não são diferentes da parte jogável que rolou antes - e isso é um problema na hora de prender a atenção não só de um, mas de dois jogadores.

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Todas as sequências de ação são planejadas para que os dois jogadores tenham papéis importantes. Imagem: Divulgação

Trama envolvente

O que salva a longa narrativa de "A Way Out" é o fato de que a história é realmente boa e os dois protagonistas são personagens bem construídos e interessantes de se acompanhar.

Vincent é o cara agradável embora meio grosseiro, mas cheio de habilidades. Leo é um cara mais fortão e adepto de resolver as coisas de forma bem direta. Inesperadamente, ele tem as falas mais engraçadas do jogo. A dinâmica da dupla é excelente e durante a trama, seus segredos vão sendo revelados e um vínculo é criado entre os personagens.

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A tela dividida dinâmica de "A Way Out" dá o tom de filme de ação dos anos 1970. Imagem: Divulgação

E aí mora a magia de "A Way Out": quanto mais vocês sabem sobre Vincent e Leo e mais situações os dois encaram juntos, maior o vínculo entre os dois jogadores que estão no controle. A experiência de jogo não é só cooperativa, é compartilhada.

Nota: 8