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Pouco atrativo, "Devil May Cry HD Collection" sofre para disfarçar a idade

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Imagem: Divulgação

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

26/03/2018 04h00

A Capcom aproveitou a onda nostálgica deste começo de 2018 para lançar mais uma remasterização para os consoles atuais. Só que, ao contrário do que foi feito com “Age of Empires” e diferentemente do que ocorreu com “Shadow of the Colossus”, o serviço realizado em "Devil May Cry HD Collection" foi muito mais burocrático.

A coletânea com os três primeiros jogos da série frenética de ação, todos lançados originalmente no PlayStation 2, permite que donos de PC, PS4 e Xbox One conheçam, ou revisitem, a saga do invocado Dante e sua luta contra os demônios.

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O atrativo e única real novidade da coletânea são os visuais turbinados para resolução 1080p, o famoso Full HD. É a primeira vez que “Devil May Cry”, “Devil May Cry 2” e “Devil May Cry 3: Special Edition” podem ser jogados com essa qualidade. No mais, esse é exatamente o mesmo pacote lançado anos atrás para PS3 e X360, mas que naquela versão, rodava em 720p, o básico da alta resolução.

O cuidado com a aparência do jogo é perceptível quando se está no controle de Dante, porém não se estende a menus e até parte dos pequenos filmes que apresentam a história dos três games. Há momentos em que a imagem aparece quadrada, com bordas pretas, o que mostra que nem tudo recebeu o tratamento Full HD.

Toda a ação rola em 1080p, porém até ela deixa a desejar, tanto visualmente quanto na sensação de jogar. Isso porque trata-se de um pacote cujo jogo mais recente tem 13 anos. O primeiro título, em especial, é simplório na jogabilidade e parece velho nos gráficos – compreensível, afinal é game de 2001, começo da vida do PS2. Dentro do pacote, o game tem seu valor como registro arqueológico, mas não é uma experiência tão envolvente quanto os fãs das antigas se lembram através do filtro da nostalgia.

Primeiro contato

Para um novato na série, como este que escreve, a adaptação aos controles do primeiro “Devil May Cry” foi complicada, afinal o jogo te solta logo na ação, sem uma introdução compreensiva aos comandos. Às cegas e na base da tentativa e erro foi possível pegar o jeito da coisa, mas ainda assim, tendo como parâmetro séries que vieram depois, como “Bayonetta” e “God of War”, o jogo parece arcaico quando jogado em 2018.

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Única diferença entre a coletânea atual e a lançada para PS3 e X360 é a resolução Full HD Imagem: Divulgação

Embora não seja um problema, a dificuldade não facilita a vida daqueles que estão dando os primeiros passos na franquia. Os níveis são curtos e podem ser terminados em cerca de 20 minutos, só que é necessária concentração, habilidade no controle e, na falta disso, persistência para superar batalhas contra chefes e inimigos novos.

Em caso de fracasso, você pode ser jogado de volta ao começo de cada estágio, caso não tenha itens que evitem o “Game Over” – orbes amarelas permitem que você volte em um local próximo ao da morte.

O padrão se mantém para “Devil  May  Cry 2”, que tem outros pecados. Com gráficos menos ultrapassados e ambientes mais abertos para exploração, o segundo game tem como falha a apresentação mais genérica e o combate repetitivo, com mais inimigos em ambientes maiores, só que sem o desafio do primeiro.

A franquia atingiu a maturidade em “Devil  May  Cry 3: Special  Edition”, que recupera a personalidade do primeiro jogo com o visual mais moderno do segundo em um pacote mais robusto em todos os sentidos. As mecânicas de jogo são mais próximas de outros games de ação e pancadaria que vieram depois, o que o torna mais divertido e menos irritante que seus antecessores.

Os ambientes são maiores e os níveis um pouco mais longos, estimulando exploração em busca de itens obrigatórios, melhorias e segredos escondidos. O combate tem mais variedade, com chefes com características completamente distintas que exigem do jogador estratégias diferentes, como o uso da verticalidade em certas arenas.

Todas as qualidades do terceiro jogo da coletânea, indiscutivelmente o mais moderno deles, são o principal atrativo de “Devil May Cry HD Collection”, produto que recebeu pouco carinho para justificar a compra de R$ 150. Veteranos da série não encontrarão novidades que justifiquem adquirir o pacote, que ao mesmo tempo é pouco interessante como um todo a novatos.

O pacote tem seu valor por possibilitar que uma franquia influente como “Devil May Cry” tenha seus primeiros passos experimentados por uma nova geração de jogadores, jovens demais para terem jogado a trilogia original. Porém com o preço salgado, a indicação fica apenas para quem está com saudades da ousadia e rebeldia de matar demônios no controle de Dante.

Nota: 6