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Versão remasterizada mostra que "Dark Souls" é um jogo atemporal

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Jogos

04/06/2018 04h00

É difícil encontrar jogadores que sejam indiferentes à série "Souls". Enquanto uns fogem da típica alta dificuldade, das situações frustrantes e da lógica punitiva do game, outros idolatram a série justamente por isso e pela sensação de superar os desafios apresentados.

Apesar de "Dark Souls" muitas vezes ser lembrado como o precursor da série, o game de 2011 foi precedido por "Demon's Souls". Esse jogo de 2009, exclusivo para PlayStation 3, apresentou vários dos conceitos que fizeram a fama da série, como os pontos que servem para o jogador descansar, mas que faz todos os inimigos do cenário voltarem à vida (as "archstones" no "Demon's Souls" e as fogueiras nos "Dark Souls") e o temido "sistema de morte", no qual o jogador, quando morre, perde todas as almas adquiridas.

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Com a popularização do estilo promovida por "Dark Souls", vieram não apenas as sequências para a franquia, mas também diversos games inspirados pelas ideias da From Software. A própria produtora lançou "Bloodborne, enquanto outras desenvolvedoras trouxeram "Nioh", "The Surge" e até mesmo interpretações indies, como "Salt and  Sanctuary" e "Sundered".

Fato é que diante de tantas inserções no gênero, o "Dark Souls" original acabou se tornando um game um tanto quanto obsoleto. Havia problemas crônicos, em especial no que diz respeito à parte técnica do jogo. Quedas nas taxas de quadros era algo padrão quando rolava muita ação na tela - a parte de Blighttown, inclusive, fez muitos jogadores abandonarem o game e não voltarem para a série nunca mais.

Soma-se aos problemas de desempenho o visual que já estava datado - especialmente considerando que o game original foi lançado para a geração passada de consoles.

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Visual recebeu um upgrade em remasterização Imagem: Reprodução

Mas e se esses problemas fossem corrigidos? E se o jogo ganhasse um visual refeito e um desempenho exemplar? Ele seria páreo tanto para suas sequências quanto para games que se inspiraram nele?

Pois basta jogar alguns minutos de "Dark  Souls  Remastered" para responder essas dúvidas com um sonoro "sim".

Mudanças para melhor

O primeiro aspecto que chama a atenção do jogo, como não poderia deixar de ser, é o visual. As texturas têm uma definição melhor, assim como os modelos de personagens, inimigos e cenários são muito mais detalhados e bonitos. O jogo pode rodar em resolução 4K no PS4 Pro e no Xbox One X, mas somente no PC isso ocorre nativamente. No Switch, a resolução é de 1080p com o console ligado à TV e 720p no modo portátil.

Se você joga no PC, no PS4 ou no Xbox One notará também outro detalhe: o game está rodando a 60 quadros por segundo - o que não ocorre no Switch. Essa mudança parece trivial, mas convém lembrar que ele é o primeiro jogo da série a oferecer esse desempenho de forma nativa. E isso muda completamente o feeling do jogo: o personagem se movimenta de um jeito extremamente suave, sendo que o mesmo ocorre com os inimigos.

Em suma: ficou mais fácil achar o tempo correto de esquivas e também para parar de contra-atacar os inimigos. Por outro lado, ainda mais em comparação a "Dark Souls 3" e "Bloodborne", o ritmo mais lento de "Dark Souls" ficou escancarado com essa mudança.

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Jogo também teve mudanças no multiplayer online Imagem: Reprodução

As mudanças que também agraciaram o modo multiplayer. Só para citar as principais diferenças, agora até seis jogadores podem dividir uma sessão online, sendo que um item específico (Dedo Seco) é necessário para isso. Jogar no cooperativo também ficou mais simples, já que "Dark Souls" agora aceita o sistema de senha visto nos jogos recentes da série. E, nesse caso, se os jogadores estiverem em um nível muito diferente, o próprio jogo equilibra a força deles.

Por fim, o jogo agora conta com servidores dedicados. Durante o teste de UOL Jogos foi possível notar que as partidas multiplayer transcorrem de maneira lisa, sendo que a conexão entre jogadores acontece muito mais rapidamente.

Envelheceu bem 

Para quem não perdeu nenhum jogo da série, é fácil notar que a jogabilidade de "Dark Souls" é um pouco mais travada do que a vista nos demais jogos da série, em especial "Dark Souls 3". Ainda assim, poucos minutos de jogatina são necessários para sentir uma sensação de familiaridade e deixar de lado qualquer incômodo que inviabilize a diversão.

Há, claro, alguns pontos que poderiam ser melhorados, como o sistema de ataque furtivo que exige um posicionamento milimétrico e passa a impressão de funcionar "quando quer".

Outro ponto legal desta versão é o fato de que ela já conta com o conteúdo adicional "Artorias of the Abyss", considerado uma das melhores expansões de toda a franquia e que não só traz uma história envolvente - e que se liga diretamente com uma das batalhas contra chefe mais icônicas de "Dark Souls" - como também acrescenta cerca de dez horas ao tempo total do jogo.

Agora, um game atual 

Essa remasterização, no final, fez um bem tremendo ao jogo e não apenas o colocou no mesmo nível de produções atuais, mas também ressaltou a sua influência na indústria de games ao mostrar que, no final das contas, trata-se de um jogo atemporal.

Poderia ser melhor? Sem dúvida: alguns pequenos ajustes na jogabilidade tornariam a experiência perfeita. Se você for encarar essa aventura novamente, se prepare para morrer. Isso vai acontecer muito, mas, ao menos agora, você será um morto-vivo com um visual de cair o queixo.

Nota: 9