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Análise: "Mario Tennis Aces" brilha em quadra, mas peca em personalização

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

06/07/2018 04h00

“Mario Tennis Aces” é um retorno à boa forma de um dos mais tradicionais spinoffs dos jogos do encanador bigodudo da Nintendo. Lançado no dia 22 de junho custando R$ 233,19 na loja oficial, o game é uma evolução completa em relação aos dois últimos títulos da franquia, um mediano para o Nintendo 3DS e outro completamente dispensável para o Wii U.

O jogo esportivo foi desenvolvido pela Camelot, produtora responsável pela série desde os tempos do Nintendo 64 e Game Boy Color. Após o lançamento do raso “Ultra Smash” no Wii U, a empresa caprichou para o título exclusivo do Switch, o principal game inédito da Nintendo para o console neste semestre de 2018.

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“Mario Tennis Aces” retomou algo que jamais havia aparecido nos games para consoles caseiros da empresa: um modo história. Só que em vez de um personagem inédito, como era no Game Boy Color e Game Boy Advance, desta vez o protagonista é, ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Mario.

A narrativa é simples, como era de se esperar. Um grande torneio de tênis está chegando ao fim no estádio do Reino dos Cogumelos, quando versões possuídas de Wario e Waluigi aparecem para atrapalhar a festa. A dupla de antagonistas traz consigo a raquete Lucien, um artefato amaldiçoado capaz de possuir pessoas que é apresentado a Mario e Peach como prêmio pela vitória na competição.

Toad alerta a dupla do risco do objeto, só que o desastrado Luigi fica curioso e segura o item de qualquer forma. Possuído, o irmão de Mario se transforma em um monstro a ser derrotado.

Sob o risco do apocalipse, Mario parte em uma jornada para coletar cinco Power Stones, a fim de evitar que Luigi e seus parceiros recuperem os objetos e devolvam um poder ancestral a Lucien.

História divertida e educativa

Essa é a premissa da história, que funciona na prática como um ótimo tutorial das mecânicas básicas do jogo. Além de apresentar partidas tradicionais de tênis, a aventura de Mario coloca o protagonista diante de desafios e chefes, que exigem do jogador o uso das técnicas mais avançadas do game.

Como no tênis da vida real, há uma boa variedade de golpes que podem ser executados em quadra. É possível aplicar o famoso top spin (vermelho), slice (azul) e uma batida seca, sem efeito na bola (roxo). Além deles, a curtinha e o lob, que é a rebatida para o alto que visa encobrir o adversário, também fazem parte do repertório.

Fora os fundamentos básicos, distribuídos entre os botões A, B, X e Y (para cima e para baixo), existem os trick shots, feitos com o analógico direito (ou apertadas duplas no Y, mais uma direção no analógico normal), que são ótimos para recuperar uma bola devolvida longe do seu personagem. E o jogo não para por aí: existem as zone e special shots, animações que paralisam a ação e permitem que o jogador mire uma porrada em algum lugar na quadra.

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Modo história permite batalhas contra chefes clássicos Imagem: Divulgação

Se recuperar de um golpe desses exige um timing preciso, alcançável muitas vezes apenas a partir do uso da Zone Speed, um poder que deixa tudo em câmera, exceto o personagem controlado.

São muitos elementos que encaixam perfeitamente em uma jogabilidade prazerosa, cheia de balanços e contra balanços: se você rebateu com top spin, seu adversário fará bem em devolver com um slice, para citar apenas uma das combinações de golpes e contragolpes.

Tudo isso é introduzido de uma forma didática e divertida por meio da história, que exige o uso de técnicas avançadas por parte do jogador. Conforme você progride na aventura, destrava novas raquetes que podem ser utilizadas por Mario, que também evolui estatísticas como em um RPG. Só que, embora os novos objetos conquistados sejam mais poderosos e o protagonista ganhe pontos em velocidade ou força, essas variações não pareceram fazer diferença na jogabilidade.

Cuidado com a raquete

Um elemento inédito de “Mario Tennis Aces” é a durabilidade da raquete, que pode ser destruída dependendo de rebatidas fortes dos adversários. Caso um zone ou special shot seja mal defendido, uma mensagem aparecerá indicando que o jogador reagiu cedo demais àquele ataque. Se abusado, o timing errado resulta em uma vitória por nocaute, como se acabasse o estoque de raquetes dos personagens.

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Zone e special shots são golpes poderosos que podem nocautear rivais Imagem: Divulgação

No modo história, o número de raquetes disponíveis para as partidas aumenta de acordo com o progresso, conforme Mario vai coletando-as em diferentes fases. Só que a limitação também existe nas partidas de multiplayer local e online, com uma contagem mais restrita, que combine com a dinâmica das partidas curtas que o game disponibiliza.

O funcionamento é o mesmo: uma vez esgotadas as raquetes, o personagem que ficar sem o equipamento para jogar é nocauteado, mesmo que esteja a um ponto da vitória. É um método rigoroso, mas que traz mais imprevisibilidade às partidas e dá um toque especial a essa versão alternativa do tênis tradicional.

Ou seja, é possível ganhar daquele amigo que está te dando uma surra nas quadras, mas foi ousado ao tentar defender um special shot seu e errou o tempo da defesa. Isso permite reviravoltas empolgantes, especialmente no multiplayer online, que apresenta partidas simples e um modo de torneio com uma proposta mais competitiva.

Nele, você vai competindo com adversários aleatórios de acordo com diferentes posições em um chaveamento. Conforme avança, encontra rivais melhor ranqueados, até chegar na final e ganhar um troféu. Meu limite foi chegar às quartas de final.

Quem quiser liberar novos personagens para jogar deverá explorar os torneios online, que permitirão o acesso antecipado a figuras como o ágil Koopa Troopa, disponível para quem competiu em julho. Quem não quiser se arriscar, terá que esperar até agosto para receber o atleta.

Jogos curtos (até demais?)

As partidas dos torneios são no formato mais longo disponível no game: apenas um set, sendo que a duração máxima dele é de cinco games, sendo o último o tie-break. É bom para quem quer uma experiência rápida, mas tira um pouco da essência do esporte. No online, contra estranhos, funciona bem, mas para o multiplayer local ou online com amigos, seria boa a opção de personalizar a duração das partidas.

Senti falta poder realizar uma partida com duração real, com pelo menos melhor de dois sets, com no mínimo seis games cada. Pode parecer purismo, mas é o tipo de coisa que podia muito bem estar nas opções de partida, sem ser o padrão estabelecido pelo jogo. Quem sabe uma atualização inclui isso no futuro.

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Raquetes de Mario Tennis Aces quebram caso jogador não tenha cuidado Imagem: Divulgação

Ainda falando de customização, o jogo peca nesse quesito nos modos locais. Quer jogar uma partida rápida com um amigo? A única coisa que você seleciona é qual personagem cada um vai jogar. A seleção da quadra é automática, embora existam filtros que, se aplicados, excluem certos tipos de arenas. O personagem escolhido é aquilo ali: nada de mudar a raquete ou a roupa vestida.

A única exceção, por enquanto, é Mario, que pode vestir sua roupa tradicional caso sua conta do Switch tenha sido usada para jogar a demo do game semanas antes do lançamento.

São ausências curiosas, pois “Mario Tennis Open”, do 3DS, permitia a escolha das roupas e raquetes usadas pelos personagens. É outro detalhe que caberia em uma atualização.

Modo “Wii Sports”

“Mario Tennis Aces” ainda traz o Swing Mode, que se assemelha ao tênis encontrado em “Wii Sports”. Só um Joy-Con é necessário para controlar o personagem escolhido, que se movimenta automaticamente pela quadra e atua com base em controles de movimento.

Como os novos controles da Nintendo são mais precisos e modernos que aqueles do Wii, era de se esperar uma experiência melhor, porém não é o que acontece. É difícil prever onde vão parar as rebatidas com o Joy-Con, o que torna esse modo mais irritante do que divertido.

Ainda é útil para jogar com alguém que não é familiarizado com o jogo padrão, que não tem o costume de apertar tantos botões quanto o game exige. No entanto, o Swing Mode é inquestionavelmente inferior ao modo normal, possivelmente a melhor da história da franquia.

Esse é o principal trunfo de “Mario Tennis Aces”: uma jogabilidade refinada, que permite uma ampla gama de estilos e partidas frenéticas. O game peca no quesito customização, porém tem uma base sólida e irretocável, ensinada ao jogador de forma inteligente e divertida pelo modo história.

Nota: 8