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Análise: "Mega Man X Legacy Collection" alivia saudade de fãs com novidades

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL

06/08/2018 04h00

O final de 1993 foi agitado para os fãs japoneses de "Mega Man". Quem tinha um Famicom (o nosso conhecido Nintendinho) recebia, em 5 de novembro, o game "Mega Man 6", último da série clássica a chegar para a plataforma. Já em 17 de dezembro, os donos de Super Famicom (o nosso Super Nintendo) puderam colocar as mãos em um game que revitalizava completamente a série do robô azul.

Falamos aqui de "Mega Man X", game que se passa cerca de 100 anos após os eventos da série clássica.

O sucesso da novidade foi inegável, com o game ganhando mais sete sequências, até o derradeiro "Mega Man X8", lançado para PlayStation 2 em dezembro de 2004.

E é justamente esse período de 11 anos que a coletânea "Mega Man X Legacy Collection 1+2" cobre. A Capcom optou por criar dois games separados, cada um trazendo quatro games da série. Há versões para PC (R$ 39,99 cada, R$ 79,98 o pacote), PlayStation 4 (R$ 89,99 cada, R$ 179,99 o pacote), Switch (R$ 75,45 cada) e Xbox One (R$ 89 cada, R$ 179 o pacote).

Viagem para o futuro

Mesmo sendo ambientada no mesmo universo que a série original, "Mega Man X" tem poucas ligações diretas com os games clássicos. A principal delas, além do nome do protagonista, é a presença do cientista Dr. Light, criador tanto de Mega Man quanto de Mega Man X.

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Coleção moderniza visual dos Mega Man X clássicos Imagem: Reprodução

Ainda que a história da série não dê detalhes sobre isso as circunstâncias nas quais X foi criado, o que se sabe é que ele nunca entrou totalmente em operação na ocasião, sendo selado em uma cápsula.

A razão para isso é que Dr. Light acreditava que X estava muito à frente do seu tempo e o mundo não estava preparado para ter um robô de potencial ilimitado e extremamente parecido com um humano, inclusive no livre-arbítrio. Acontece que um belo dia essa cápsula foi descoberta por um arqueólogo chamado Dr. Cain, X foi ativado e sua tecnologia foi replicada em outros robôs.

Pronto, o mundo de "Mega Man X" estava criado.

Para quem acompanhava os games da série clássica, jogar a novidade significava mesclar elementos clássicos com diversas novidades. O visual era mais "realista" e representava um salto considerável em relação ao que era visto no NES. As músicas grudavam na cabeça como chiclete - e prova disso é a quantidade de vídeos no YouTube com fãs da série reproduzindo esses temas na guitarra.

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Zero está presente na coletânea Imagem: Reprodução

O game trazia diversos segredos, melhorias para o personagem e inimigos, sem contar a presença de Zero - parceiro de X que rivaliza em popularidade com o protagonista - e do vilão Sigma, a quem aprendemos a odiar rapidamente.

Engana-se, porém, se você pensa que o pacote se resume a trazer os games da série sem quaisquer novidades. Antes delas, porém, vamos tratar de um assunto importante: o quanto os games da coletânea estão fiéis às versões originais.

Adeus, saudade!

É importante deixar claro que todos os games presentes em "Mega Man X Legacy Collection" estão disponíveis em suas versões originais - apenas "X7" e "X8" receberam um tratamento para exibir polígonos em alta definição.

Não se trata, portanto, de uma remasterização ou um remake. Os games aparecem na coletânea nas seguintes versões: de "Mega Man X" a "Mega Man X3" temos as versões de Super Nintendo; de "Mega Man X4" a "Mega Man X6" são as versões de PlayStation; e "Mega Man X7" e "Mega Man X8", as lançadas originalmente para PlayStation 2.

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"Mega Man X8" teve seus polígonos tratados para alta definição Imagem: Reprodução

Há de se salientar que é possível escolher entre as versões norte-americanas ou japonesas dos seis primeiros jogos da série e entre as versões norte-americana, japonesa e internacional dos dois últimos games.

Por fim, é possível escolher as proporções da imagem (mantendo o aspecto original com bordas temáticas de cada game, alinhando com os limites verticais ou distorcendo a imagem para o formato 16:9) e também optar por três filtros para os seis primeiros jogos. O primeiro suaviza os contornos dos elementos da tela, o segundo mantém gráficos originais e imita as "scanlines" das TVs de tubo e o último se limita a apresentar o visual nativo do jogo.

Toques de modernidade

Mesmo que os jogos tragam conteúdo idêntico ao de cada versão original, há espaço para algumas atualizações. A mais notável delas é um inédito sistema de salvamento ao final de cada fase nos três primeiros jogos da série, o que, nos anos 1990, acontecia por meio de senhas - as famosas passwords que garantem benefícios para quem as usa - continuam funcionando.

Todos os jogos ganharam um "Rookie Hunter Mode", que facilita as coisas para quem estranhar a dificuldade um pouco mais alta desses games, especialmente os três primeiros da série.

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Modo X Challenge coloca jogador contra dois chefões de uma vez Imagem: Reprodução

Os fãs mais nostálgicos também passarão muito tempo na galeria dos jogos, que trazem todo tipo de conteúdo relacionado aos games, como artes conceituais, imagens, produtos licenciados, tocador de música e também o curta-metragem "Day of Sigma", que conta como Sigma se tornou o vilão da série.

Além de tudo isso, há um modo completamente inédito: chamado X Challenge, ele coloca o jogador para encarar duplas de chefões de fase, em lutas de dois contra um. Para isso, é possível escolher entre três armas adicionais, além de outros três níveis de dificuldade. Há um placar de líderes online para esse modo.

Uma homenagem e tanto

A mistura entre o conteúdo nostálgico e as novidades fazem de ambos "Mega Man X Legacy Collection" games indispensáveis para quem é fã da série. Melhor do que essa coletânea, só mesmo se você tiver à disposição as versões originais dos games e em seus respectivos consoles. Algo, convenhamos, bastante raro hoje em dia.

Além disso, a coletânea é uma verdadeira viagem no tempo que trará ótimas lembranças para quem passou as tardes livres da infância se aventurando pela história do poderoso robô azul.

Nota: 9