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Análise: "Dragon Quest XI" usa fórmula clássica de RPGs japoneses

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Jogos

28/08/2018 04h00

O lançamento de um novo "Dragon Quest" é praticamente um evento nacional no Japão - tanto que há uma lenda urbana de que o governo japonês "obrigou" a produtora Enix (hoje, Square Enix) a lançar novos episódios do jogo aos sábados, para evitar que crianças matem aula e, até mesmo, a produtividade do país caia.

A verdade é que não há qualquer lei nesse sentido, mas desde "Dragon Quest III" todos os jogos da série - menos "Dragon Quest X" - foram lançados aos sábados no Japão.

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Tamanha comoção se explica pelo fato de que a série definiu as bases dos RPGs japoneses a partir de 1986, influenciando praticamente todos os games do estilo lançados desde então. Sim, "Final Fantasy" entra nessa lista.

No país asiático, inclusive, a série é considerada como o "jogo nacional do Japão".

E é justamente com essa responsabilidade que chegou "Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age". Lançado no Japão para Nintendo 3DS e PlayStation 4 em 29 de julho de 2017, o game chegará ao Ocidente no próximo dia 4 de setembro, em versões para PC (R$ 179,90) e PS4 (R$ 249,90).

De cara, avisamos: se você procura uma experiência completamente inovadora, "Dragon Quest XI" não é o seu jogo. Agora, se você é do tipo que preza pela tradição e quer ter uma experiência familiar que dure várias dezenas de horas, o game tem tudo para te agradar.

Visual encantador

Uma das marcas da série é o estilo visual, criado por Akira  Toriyama - sim, o mesmo mangaká por trás de "Dragon Ball". Tanto que os traços dos personagens do game facilmente poderiam ser confundidos com aqueles vistos no famoso mangá e no anime.

Apesar de familiares, é de se aplaudir a capacidade do artista de criar tantos elementos, como humanos e monstros distintos. Os cenários também são variados, levando o jogador a passear por campos, florestas, ruínas e, claro, grandes cidades.

Reprodução
Imagem: Reprodução

Mesmo com o game se desenrolando em um ambiente 3D, o colorido do visual passa a impressão de que estamos assistindo a um desenho animado.

Ainda na parte audiovisual, também se destaca a trilha sonora, assinada por Koichi Sugiyama, outro veterano da série. Ela mescla batidas firmes com arranjos clássicos, capazes de transmitir com eficiência a atmosfera de cada passagem do jogo.

E não podemos deixar de citar os efeitos sonoros, que são uma espécie de releitura dos sons clássicos da série. Mais familiar, impossível.

Clichê sim, e daí?

Não é possível falarmos muito da história de "Dragon Quest XI" sem incorrermos no erro de revelar passagens importantes do enredo. E, certamente, quem está disposto a encarar as mais de 50 horas de jogo - considerando somente a história principal - não gostaria que isso ocorresse.

O que é possível citar é que o game traz a velha fórmula de "salvador do mundo contra uma força maligna que pode acabar com tudo".

Esse salvador, em questão, faz o tipo "protagonista mudo" e leva o nome que o jogador decidir. É uma forma de fazer o jogador se sentir como parte da aventura, ainda que, particularmente, eu prefira a existência de personagens com traços de personalidade mais marcantes.

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Imagem: Reprodução

Conforme o jogo se desenrola, você agrega companheiros, esses sim com potencial de proferir falas e criar interações mais memoráveis.

Ainda que possa ser considerado clichê, é um enredo que acaba tendo passagens marcantes, reviravoltas e potencial para emocionar quem estiver jogando.

De maneira geral, tudo ocorre de maneira bem linear. Há missões secundárias e outras atividades como forjar armas, mas a história em si oferece um caminho definido e cabe ao jogador segui-lo.

Lutas parecem simples, mas não são

O sistema de batalha de "Dragon Quest XI" lembra bastante o visto em "Dragon Quest X". O jogador vê os inimigos no mapa e decide se vai, ou não, entrar em uma luta. Isso pode ser feito apenas ao encostar em um monstro ou desferindo um ataque nele, o que aumenta a chance de você ganhar um turno adicional no início da luta.

Na hora do "pau quebrar", o jogador encara um sistema que, basicamente, é um RPG por turnos. Por mais que você possa controlar os movimentos do personagem em uma espécie de arena com paredes virtuais, isso pouco afeta o desenrolar da batalha em si.

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Imagem: Reprodução

O jogador pode optar por controlar as ações de cada personagem individualmente, definir perfis de atuação automáticos individuais para alguns deles ou, simplesmente, deixar as batalhas acontecerem de forma totalmente automática - algo útil, por exemplo, para quem tem preguiça de enfrentar inimigos "comuns" pelo mapa.

Os personagens contam com golpes físicos, magias, habilidades específicas e também uma habilidade chamada Peep, um modo no qual o personagem fica com uma aura ao seu redor e tem os atributos melhorados. Esse estado é interessante, uma vez que, caso mais de um personagem esteja nele, é possível lançar um poder especial em conjunto que causa bastante dano aos inimigos.

Cada personagem pode usar dois tipos de armas diferentes, com movimentos e golpes especiais únicos. O sistema de evolução também é, essencialmente, fechado - os atributos se desenvolvem automaticamente e novas habilidades são aprendidas assim.

Há, porém, uma árvore de habilidades para cada um deles, onde o jogador pode gastar pontos obtidos a cada nível avançado para comprar melhorias e até novos golpes. É algo que dá um toque de personalização e de estratégia ao game.

Jogando seguro

Com as devidas ressalvas feitas no início deste texto, é fácil recomendar "Dragon Quest XI". É um game que "joga seguro", reunindo todos os elementos que fizeram o sucesso da franquia nesses mais de 30 anos de existência.

Há, claro, espaço para inovações, mas a impressão que a Square Enix passa com a série é que as novidades continuarão aparecendo de maneira bem contida. E, a julgar pela recepção dos fãs a cada novo capítulo da franquia, essa é a estratégia ideal para a série.

NOTA 9