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Análise: "PES 2019" privilegia toque de bola, mas tropeça em simplicidade

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Jogos

31/08/2018 04h00

E aí, você é fã de "FIFA" ou "PES"? Essa é uma dualidade comum no mundo dos games quando falamos de futebol virtual e, como é de se imaginar, um combustível muito eficiente para discussões intermináveis.

A ideia aqui, no entanto, é falarmos da edição deste ano do game da Konami. Lançado no último dia 28 de agosto para PC (R$ 199,90), PS4 (R$ 199,90) e Xbox One (R$ 200), ele chegou ao mercado exatamente um mês antes do rival da EA.

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Ao contrário de uma partida de futebol, onde um atacante chegar à bola antes de um zagueiro é garantia de jogada perigosa, largar na frente em data de lançamento não é garantia de vantagem alguma a "PES 2019".

Quando falamos de um game de futebol, o segredo do sucesso se apoia em outros fatores, como jogabilidade e conteúdo. E, nesses quesitos, o game da Konami mistura pontos positivos e negativos em uma equação cujo resultado veremos adiante.

Tiki-taka virtual

Antes de falarmos de qualquer coisa, vale tratar da jogabilidade de "PES 2019". De cara, é possível cravar que o game é bastante acessível e, como já foi dito quando tivemos a oportunidade de fazer um breve teste do jogo, ele permite que qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento de games de futebol sente, pegue um controle e jogue com facilidade.

Em campo, há um incentivo constante à troca de passes, no melhor estilo "tiki-taka". Quem quiser se dar bem nas partidas de "PES 2019" terá que manter a posse de bola, tocar com paciência e, com isso, criar brechas na defesa adversária de maneira a encontrar um companheiro livre.

Divulgação
Imagem: Divulgação

É um futebol mais cadenciado e, de certa maneira, simples, que tende a privilegiar os ataques. É normal, portanto, vermos partidas acabando com placares elásticos.

O game não enfatiza jogadas de efeito individuais - como o próprio sistema de dribles e movimentos especiais, um tanto confuso, deixa claro desde o início -, sendo que uma troca de passes rápida é capaz de causar mais estragos do que uma tentativa de entortar o beque adversário com um drible desconcertante.

É algo divertido de se ver, de início, mas que acaba se tornando um pouco repetitivo conforme se disputa mais partidas. O jogador sabe que há jogadas "fatais" que, se minimamente bem executadas, vão resultar em gol. É um tanto frustrante tentar jogadas mais elaboradas e ver o seu adversário chegar na cara do gol com meia dúzia de toques rápidos.

Ainda que haja uma boa liberdade de movimentos, a tendência é que aqueles que queiram vencer se apoiem repetidamente em táticas manjadas e eficazes. 

Ter uma dessas jogadas "na manga" depende muito da sua habilidade com a bola, claro, mas você terá uma facilidade ainda maior se fizer um plano de jogo adequado antes de começar a partida. Isso, somado à possibilidade de alterar rapidamente o posicionamento do time com um toque de um botão, dá um ar estratégico interessante ao game, mesmo que a simplicidade excessiva acabe reinando.

Reprodução
O Palmeiras é uma das equipes licenciadas Imagem: Reprodução

Como ponto positivo, temos a movimentação dos jogadores, que parecem mais soltos em relação às últimas versões do game e não agem tanto de maneira "scriptada". Incomoda, porém, a grande vantagem que os atacantes têm sobre as defesas e, principalmente, a inteligência artificial do goleiro, ansiosos por fazer uma lambança na primeira oportunidade.

Variedade de modos

Quando falamos de modos de jogo, "PES 2019" traz o que se espera de um game esportivo atual. Além da possibilidade de disputar partidas amistosas e participar de ligas diversas, tanto online quanto offline, o jogo também possui três variantes de um "modo carreira".

A primeira e mais famosa é a Master Liga, quando o jogador escolhe um time e atua diretamente tanto durante os jogos quanto na hora de comprar, vender e treinar jogadores. É um modo divertido e atrativo para quem quer uma experiência mais persistente.

Além dela, há a possibilidade de criar um jogador e controlá-lo durante toda a sua carreira e também o MyClub, quando o jogador "coleciona" jogadores para montar equipes fortes e disputar partidas.

Um dos destaques em todos os modos online é a estabilidade da conexão. Em diversas partidas jogadas, não houve um engasgo ou problema sequer, garantindo disputas fluidas e conexões estáveis.

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Imagem: Divulgação

Times genéricos e desatualizados

Se você é fã de futebol é bem provável que tenha ligado a TV no dia 26 de maio para acompanhar a final da Liga dos Campeões da Europa entre o poderoso MD White e o Liverpool, que acabou 3 a 1 para o time espanhol. "MD White?", você deve estar se perguntando. Sim, esse é o nome do Real Madrid em "PES 2019".

Por outro lado, "PES 2019" agrada os brasileiros ao ter as equipes do Campeonato Brasileiro totalmente licenciadas. Os principais estádios do país também marcam presença no game, o que é interessante para reunir um pessoal e cada um poder jogar com o seu time do coração.

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O São Paulo é uma das equipes licenciadas e exclusivas de "PES 2019" Imagem: Reprodução

O pacote de localização também conta com a narração de Milton Leite e comentários de Mauro Beting. Aqui, causa estranheza o fato do áudio da dupla aparecer abafado diante dos sons da partida e dos gritos da torcida. Há também alguns engasgos, quando, claramente, o jogo junta nomes e frases de maneira pouco natural.

Ao menos o visual dos jogadores é bom, lembrando suas contrapartes reais. O mesmo vale para os gráficos do game em si, agradáveis e sem qualquer tipo de problema que mereça citação.

Vale a pena?

Entre acertos e erros, "PES 2019" se mostra como uma opção de game de futebol mais casual e claramente com ênfase na diversão. Ele pode incomodar um bocado quem decidir jogar "sério" e acabar tendo que lidar com os seus aspectos repetitivos. Não é o melhor game do estilo e, como acontece ano a ano, ainda corre atrás de "FIFA". Pelo menos, porém, não passa vergonha em relação à concorrência.

NOTA 7

Do "Winning Eleven" ao "PES": a evolução dos jogos de futebol da Konami