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Jogamos: "Battlefield V" tem potencial e uma enxurrada de problemas

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"Battlefield V" vem aí em Novembro Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

11/09/2018 04h00Atualizada em 11/09/2018 15h40

“Battlefield V” foi adiado para novembro e segundo os produtores, o principal motivo foi o pedido de mudanças por parte dos jogadores que experimentaram a versão alfa. Para compensar o mês a mais de espera, os jogadores poderão ter um gostinho do que vem por aí na versão beta aberta que fica no ar até hoje para o Playstation 4, Xbox One e PC. 

Várias das reclamações, como a movimentação dos personagens e o balanceamento de classes e armas tiveram modificações já para o beta e o resultado dividiu os fãs da franquia.

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Confira o que achamos animador e decepcionante até o momento.

Animador

Roterdã é Sensacional: Nesse beta você pode experimentar a fase Roterdã, que foi retratada no início da Segunda Guerra, ainda antes de sofrer a devastação por conta dos combates. O level design foi usado de forma competente na construção do mapa, primeiro por fornecer diversos pontos com variação de gameplay, favorecendo por vezes o combate de curtas distâncias, como nos trilhos de trem, e outras vezes com trocação de prédio a prédio, favorecendo o combate de médias e longas distâncias. A forma como a navegação pela cidade foi pensada também é bastante satisfatória, exigindo o uso dos veículos e tornando a conquista por objetivos bastante complicadas.

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Roterdã está belíssima e com o level design apurado Imagem: Divulgação

Tiroteio: É fato que as mecânicas de tiro vêm sendo casualizadas desde o “BF III”, visando atingir um grupo maior de jogadores, principalmente por conta do apelo que o jogo ganhou nos consoles. No entanto, ainda que mais arcade, o tiroteio em “BF V” funciona muito bem, com a permanência de mecânicas de recuo horizontal e vertical e uma variação de gameplay por arma digna de nota. A crítica fica ao exagero no flash das armas, que por vezes atrapalha a visualização do ambiente, diminuir o contraste ali talvez seja uma alternativa.

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Snipers merecem todo o ódio que recebem Imagem: Reprodução

Gráficos: Nesse momento é seguro dizer que “BF V” é provavelmente o jogo FPS multiplayer com os melhores gráficos da geração. Desde as texturas, que agora contarão com Ray Tracing para reflexões nas novas placas de vídeo, até a extensa geometria aplicada nos cenários, tudo é muito bonito e prazeroso de se observar. Mas como nada é perfeito, fica a crítica para o sistema de partículas, que ainda conta com alguns efeitos abaixo da média.

Som: O som nesse momento oscila entre um ponto animador e um ponto de decepção, tudo por conta de alguns bugs que estão influenciando bastante na parte em que ele é mais importante, o gameplay, falaremos disso mais tarde. No geral, o som em todos os capítulos da série da EA foi um ponto positivo e em “BF V” não é diferente. O momento em que você realmente se sente dentro da guerra é quando você está em locais cobertos e um tiro de tanque é dado do lado de fora, fazendo você sentir o ambiente hostil que te espera, uma vez que o áudio é realisticamente modulado para dar a impressão de que tudo a sua volta tremeu.

O modo "Grandes Operações": Esse modo caiu como uma luva na série. A primeira mudança significativa aqui é a forma de deploy. Em vez de escolher um ponto e nascer diretamente nele, os jogadores serão jogados de aviões no meio da batalha, já correndo o risco de serem alvejados no primeiro momento. Isso dá uma tremenda imersão. A segunda mudança positiva é o sistema de dias. Cada dia funciona como um round e dependendo da performance da equipe, ela ganhará mais ou menos recursos para o dia seguinte. A grande operação termina em uma batalha por defesa de objetivos, com um time defendendo e o outro atacando. Muito divertido.

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O modo Grandes Operações é muito divertido Imagem: Reprodução

Desanimador

Aviões: O controle dos aviões e suas mecânicas no geral foram o maior problema no alfa. Aqui no beta alguns pontos foram melhorados, mas ainda está longe do ideal. No momento as batalhas entre aviões continuam muito lentas e sua eficácia para abater infantarias é desprezível. Para se ter uma ideia, um dos modelos, o Spitfire, está sendo chamado nos fóruns do jogo de atirador de marshmalows, uma vez que não consegue matar nem outros aviões nem soldados no chão. Tudo isso é piorado com a mecânica de consertar os aviões, que pode ser feita no ar, deixando o combate ainda mais lento. Com tanta coisa para consertar até novembro, fica difícil ficar otimista para essa parte.

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O atirador de Marshmallows Imagem: Divulgação

Interface e navegação: Sendo bem sincero, as interfaces na série “Battlefield” nunca foram um ponto alto do jogo, mas dessa vez exageraram. Primeiro que a tendência ao minimalismo passou do ponto, deixando certas partes da interface confusa. Depois pelo uso exagerado do branco para passar informações em cenários com neve, dificultando a leitura. A cereja do bolo fica com a manutenção inexplicável de ter que sair do servidor para melhorar suas armas e personagens. Jogando em esquadrões, onde a busca por partidas já demora, ter que fazer isso e voltar para procurar um servidor de novo é desanimador.

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Ter que sair do servidor para melhorar seu equipamento é muito irritante Imagem: Reprodução

Bugs: A quantidade de bugs presentes no jogo no momento é assustadora e fica difícil imaginar que vão corrigir tudo até novembro. O som, por exemplo, sofre bastante no gameplay por conta deles, primeiro por conta da mixagem pobre dos passos dos jogadores, que por diversas vezes, mesmo sem tiroteio nenhum por perto, ficam inaudíveis. Segundo pelos bugs que fazem com que o som de armas de jogadores desapareçam sem mais nem menos, o que é cômico e irritante ao mesmo tempo. Agora basta lembrar que têm bugs que fecham o jogo, obrigam a sair do servidor, fazem você nascer travado em alguma construção e coisas do tipo que você ficará preocupado como a gente.

Sistema de Reviver e Classes: Buscando melhorar a interação entre esquadrões, os desenvolvedores mexeram mais uma vez no sistema de reviver. Agora o tempo para nascer passou para longos 10 segundos, isso somado ao tempo que você fica no chão para poder ser levantado eventualmente por outro jogador.

As classes influenciam na forma em que você pode ser levantado. Os médicos te levantam com vida completa e rapidamente, já as outras classes podem te levantar também, mas demora bastante tempo e te revivem com pouca vida. Tudo isso é bonito no papel, mas no jogo não funciona bem. E como você quase nunca é revivido ou seu médico está por vezes longe, pode acontecer de ficar até 15 segundos sem conseguir renascer, fora o tempo que gastará no caso de trocar algo na sua classe.

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No beta temos Assault, Médico, Engenheiro e Sniper Imagem: Reprodução

Outro ponto negativo aqui é que para compensar os pontos previsíveis aonde os jogadores nascem, foi introduzido um sistema de invencibilidade por alguns segundos ao nascer. Isso faz com que jogadores simplesmente ganhem 2 ou 3 abates simplesmente por conta do sistema. Quem está passando por esses locais está sempre em desvantagem pelo perigo de encontrar um semi-deus a prova de balas.

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Ser levantado demora demais Imagem: Reprodução

A conclusão é que “Battlefield V” tem potencial e caminha para uma boa direção, mas que o tempo que ele precisa para ficar redondinho é bem maior do que o prazo que tem para ser entregue. Os fãs podem esperar um lançamento conturbado e com problemas que devem ser resolvidos somente com as atualizações que virão com o tempo, o que certamente dividirá a comunidade.