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"Seria muito legal universo Marvel nos games", diz produtor de "Spider-Man"

Rodrigo Lara/UOL Jogos
Para Ryan Schneider, produtor do novo jogo do Aranha, seria legal transportar o universo Marvel para os games Imagem: Rodrigo Lara/UOL Jogos

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Jogos

2018-09-12T04:00:00

12/09/2018 04h00

Bastam poucos minutos pendurados pelos prédios da ilha de Manhattan criada pela Insomniac Games para o game "Spider-Man" para qualquer fã das histórias da Marvel notar pontos familiares. Isso porque o game - cujo lançamento rolou na última sexta-feira (7), para PS4 - traz diversas referências geográficas a outras histórias e personagens da Casa das Ideias.

Há a torre dos Vingadores, o Sanctum Sanctorum, a embaixada de Wakanda, para citar alguns locais que podem ser visitados pelos jogadores.

Esse detalhe nos fez levantar a seguinte questão: seria "Marvel's Spider-Man" para os games aquilo que o filme "Homem de Ferro", de 2008, foi para o cinema quando falamos sobre o surgimento de universo Marvel?

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Na opinião do chefe de marca da Insomniac, Ryan Schneider, isso seria "muito legal".

"O 'Homem de Ferro' de 2008 começou algo muito especial e se nós tivermos a sorte que o nosso jogo faça algo similar, nós ficaremos muito felizes e, certamente, a Marvel ficará muito feliz", afirmou, em entrevista exclusiva ao UOL Jogos.

Schneider ressalta que essa "felicidade" não seria somente em termos de negócios, mas também pelo fato de que ele sentiu uma química entre o personagem e a produtora, que tem games como "Sunset Overdrive", "Ratchet & Clank" e "Spyro" no seu currículo.

"Nós amamos trabalhar com o Homem-Aranha porque a Marvel e o Peter Parker acabam tendo muito a ver com o que somos enquanto estúdio. Se você jogar qualquer um dos nossos jogos, você verá que há grandes doses de humor e sensibilidade. E Peter Parker é isso: ele é engraçado, ele é encantador, ele é afiado, é um personagem que se encaixa perfeitamente com a gente e que nós gostamos muito de retratar". 

História inédita

Um dos pontos que mais chamam a atenção - e até mostram uma boa dose de coragem da parte do estúdio - foi a aposta em colocar o cabeça de teia em uma história inédita. E isso ocorre colocando os jogadores no controle de um personagem que não é nenhum herói principiante.

"Em nenhum momento sequer cogitamos contar a história do personagem. É algo que está muito bem definido e já foi contado diversas vezes, então um ponto definido desde o início do desenvolvimento do jogo é que contaríamos uma história nova".

De acordo com Schneider, o fato de haver uma parceria entre a Marvel e a Sony deu mais confiança para a desenvolvedora levar essa ideia adiante.

"O maior desafio foi escolher o que incluir e o que deixar de fora. Quando se olha para o universo do Homem-Aranha, que é muito vasto e divertido, é fácil se distrair e perder o foco. Então nos concentramos naquilo que havíamos decidido".

Outro aspecto que foi uma espécie de "cláusula pétrea" na hora de definir como o game seria foi o fato de fazer de tudo para que os jogadores se sentissem na pele do personagem.

E, aqui, não falamos apenas do Homem-Aranha, mas também de Peter Parker. "Nós queríamos que os jogadores tivessem uma noção do que acontece quando o mundo do Homem-Aranha colide com o de Peter Parker. É justamente essa conexão que faz as histórias do personagem serem tão boas. E, se você quiser fazer uma história boa com ele, não pode se concentrar só em um ou outro aspecto".

A presença desse elemento humano também pode ser vista, por exemplo, quando se controla a repórter Mary Jane Watson, em algumas porções do jogo.

Comparação bem-vinda

Ao jogarmos um pouco de "Spider-Man" logo nos lembramos da série "Batman Arkham", que redefiniu, na década passada, como deveria um game de super-herói.

Quando perguntado sobre possíveis influências, Schneider não se incomoda pela comparação. "Nós seríamos ingênuos se disséssemos que não jogamos 'Batman Arkham'. Nós respeitamos muito a Rocksteady [produtora da série]. Se as pessoas enxergam elementos de 'Batman Arkham' no nosso jogo, não é algo deliberado, mas encaramos como um elogio por ser uma comparação com o trabalho de uma empresa que respeitamos muito".

"Nossa ênfase era a de fazer o melhor game do Homem-Aranha que poderíamos, que honrasse o personagem".

Quem jogar o game até o fim provavelmente ficará com a sensação de que há espaço para uma continuação - não entraremos em detalhes para não incorrer em spoilers. Perguntado sobre isso, Schneider sorri, mas desconversa.

"Por enquanto estamos totalmente concentrados nas expansões [serão três delas, já a partir de outubro], que irão expandir e trazer outras abordagens para a história do jogo. Qualquer informação [sobre uma sequência] não passaria de mera especulação".

A julgar pelo que vimos do jogo, torcemos para que a especulação se torne realidade em breve.

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