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Análise: "Mega Man 11" traz tudo que os fãs mais antigos adoram

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL Jogos

03/10/2018 04h00

Fãs do robô azul mais famoso do mundo, comemorem: "Mega Man 11" finalmente chegou no último dia 2 de outubro e, depois de oito anos, temos uma aventura inédita de um dos personagens mais icônicos da história do videogame.

Nós já falamos um pouco sobre o game, assim como também contamos um pouco das dificuldades que significa ser um fã moderno do personagem, especialmente devido à aridez de novos games.

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O lado bom é que essa espera toda, de certa forma, foi compensada. Com versões para PC (R$ 69,99), PlayStation 4 (R$ 149,99), Xbox One (R$ 149) e Switch (R$ 130), "Mega Man 11" é uma verdadeira homenagem aos elementos mais clássicos da franquia: jogabilidade precisa e a dificuldade elevada.

Ao contrário de "Mega Man 9" e "Mega Man 10", o novo game não aposta em gráficos retrô. O que vemos é um jogo com visual contemporâneo e que, em termos de design dos personagens, é quase uma mistura entre o visto em "Mega Man 7", para Super Nintendo, e "Mega Man 8", lançado originalmente para PlayStation e Saturn.

Progressão tradicional

O mundo, supostamente, está em paz após os eventos de "Mega Man 10". Dr. Light criou novos robôs, cada um com funções específicas, enquanto Mega Man, Rush, Roll e companhia seguem suas atividades cotidianas normais.

A história em si começa com esses oito robôs sendo recolhidos para o laboratório do Dr. Light para que seja feita uma manutenção de rotina. Oito robôs com habilidades distintas reunidos em um único lugar? É claro que a deixa é perfeita para que o incansável Dr. Wily surja e comece mais um dos seus planos.

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Imagem: Divulgação


Dessa vez, no entanto, o vilão se vale de uma invenção de sua juventude: o chamado Gear System. Ao usar os poderes do artefato, ele rapidamente sequestra os oito robôs sem dar a menor chance de defesa para Mega Man. Resta ao herói vestir suas modificações de batalha e tentar impedir os planos de dominação mundial de Wily.

O que se vê a partir daí é o roteiro tradicional de qualquer jogo da série. É necessário enfrentar oito fases, cada uma com um chefe ao final, para então invadir o castelo de Wily e tentar derrotá-lo.

A grande novidade é o tal do Gear System. Mega Man pode usar três poderes especiais, sendo um deles a Speed Gear, que deixa a ação em câmera lenta e permite que o personagem se mova mais rapidamente pelos cenários; a Power Gear, que aumenta o poder dos tiros, permitindo disparos em rajadas mais carregadas do que o normal e também deixa as armas dos chefes mais poderosas; e a Double Gear, que combina os dois poderes e pode ser usada quando o personagem está com pouca energia.

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Imagem: Divulgação

É um sistema útil que adiciona uma camada de complexidade à jogabilidade do game. Há trechos das fases que praticamente exigem que o jogador faça uso desse novo poder, seja para se esquivar de perigos ou derrotar inimigos mais resistentes. Além disso, os chefes de fase também fazem uso desse sistema, mudando completamente o padrão de ataques e dando sufoco durante as batalhas.

Por falar nas fases, elas são longas, lembrando um bocado o que ocorria em "Mega Man 8". Enquanto algumas, como a de Block Man, são mais simples, outras, como a de Acid Man e suas sequências repletas de espinhos, vão exigir habilidade e, principalmente, paciência dos jogadores. E, como é padrão, as fases finais representam um salto adicional nessa dificuldade.

Se isso tenderia a afastar novatos, temos uma boa notícia: o game possui níveis de dificuldade distintos, sendo que os mais fáceis dão algumas ajudinhas para jogadores novatos, evitando que eles morram ao cair em buracos e facilitando o confronto contra os inimigos. É uma boa forma de "pegar a manha" do jogo.

Pequenos tropeços

Em termos de jogabilidade, "Mega Man 11" não decepciona. Os comandos são precisos e jogadores mais habilidosos podem comandar o robô azul com destreza suficiente para superar boa parte dos desafios em segurança. Também há novidades, como uma roda de seleção das armas, o que facilita na hora de escolher o poder mais adequado para a situação.

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Fora isso, os elementos clássicos da série, como o "carrinho" que ajuda a passar por áreas apertadas ou desviar de tiros, a possibilidade de dar tiros carregados e o uso do cão Rush para saltar mais alto ou voar pelo cenário também estão presentes.

O visual das fases também merece destaque, com cenários bem produzidos. Por outro lado, eles parecem um tanto "mortos" às vezes, ao contrário do que era visto, por exemplo, em "Mega Man 8". Incluir elementos no sentido de tornar o visual mais "recheado" era algo que a Capcom poderia ter feito para dar uma vida extra a aparência do jogo.

As músicas, por sua vez, não comprometem, mas não são exatamente marcantes. E, por fim, a lista de críticas também diz respeito à falta de participação ativa de personagens queridos da franquia, como Protoman e Bass - que, inclusive, eram jogáveis nos últimos games da série.

Por outro lado, um enorme acerto foi a mudança de visual que Mega Man passa ao selecionar as armas dos chefes derrotados. É algo bem bacana ver o robô azul adotar características desses inimigos, em vez de apenas mudar de cor, como tradicionalmente ocorria.

Fiel às origens

Entre prós e contras, "Mega Man 11" é um game digno da história do personagem e que tem tudo para agradar aos fãs da franquia. Ele traz um pacote bem tradicional de elementos e mescla algumas novidades pontuais e que funcionam bem.

Uma atenção adicional aos detalhes da parte da Capcom seria o suficiente para dizer que o game não é ótimo, mas memorável. De qualquer maneira, torcemos para que esse seja apenas o primeiro passo de uma revitalização mais profunda da franquia - quem sabe ele não inspire um possível "Mega Man X9", não é mesmo?

Nós, fãs, não teríamos do que reclamar.

Nota 8