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Review: "Call of Duty: Black Ops 4" se destaca por conteúdo e battle royale

Daniel Esdras

Do GameHall

19/10/2018 12h25

“Call of Duty”, conhecido como COD pelos mais íntimos, é uma das séries mais populares do mundo e conta com diversas linhas dentro da franquia, passeando por momentos históricos e fictícios, indo de passado a futuro distante. No último dia 12 de outubro, a franquia ganhou o quarto título em uma da suas subdivisões: "Call of Duty: Black Ops 4". Uma novidade porém assustou os jogadores, essa é a  primeira vez na história da franquia que um "Call of Duty" não tem um modo campanha e foca somente na jogatina online.

Com versões para PC (R$ 199,90, apenas na battle.net), PlayStation 4 (R$ 229,90) e Xbox One (R$ 230,00), "Black Ops 4" trouxe novas variáveis para serem ser consideradas em uma análise, por ser só online, como por exemplo a quantidade de conteúdo disponível no lançamento, a qualidade dos servidores e como o jogo trata os jogadores iniciantes.

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A boa notícia para quem é fã da série é que “Black Ops 4” é competente em todas essas frentes e se solidifica como um dos melhores multiplayers do ano.

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Bem vindos a análise do "Call of Duty: Black Ops 4" Imagem: Reprodução

A forma como os iniciantes são tratados é um bom exemplo que prova que focar só no multiplayer tem um lado bastante positivo. A começar pelos menus que explicam muito bem como funciona cada modo de jogo e ao mesmo tempo não são intrusivos, longos e repetitivos como vemos em muitos jogos por aí.

Isso é só o começo, já existe um modo chamado  QG dos Especialistas, que é o mais próximo de um modo história no jogo. Nele os jogadores podem escolher um dos 10 especialistas para conhecer melhor a sua história e aprender sobre suas mecânicas.

Funciona basicamente assim: um capitão vai gritar no seu ouvido piadas militares engraçadinhas enquanto te ensina sobre como suas habilidades podem despedaçar inimigos. Ao final da explicação, que conta com testes práticos, você será colocado em uma partida com bots para treinar o que aprendeu e de quebra aprender mais sobre os modos de jogo.

Quando o jogador completar a missão com um especialista, poderá ver uma animação muito bem feita sobre a história desse personagem. Tudo isso pode ser feito em três dificuldades diferentes e provavelmente vai melhorar muito o nível dos jogadores que têm pouca afinidade com a série. Nada disso seria possível em um jogo que dividisse as atenções entre o modo online e campanha, principalmente já no lançamento.

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Os novatos vão aprender como jogar no QG dos especialistas Imagem: Reprodução

Zumbis e multiplayer normal jogam seguro

Esse cuidado com os novatos se estende para outros modos, como o tutorial narrado do modo Zumbis, onde cada detalhe que envolve os elixires, armamento e vantagens é explicado, com calma e exemplos práticos para o jogador ficar familiarizado. No final você ganha até mesmo um certificado de que está pronto para combater a horda amaldiçoada.

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Você ganhará um certificado ao completar o tutorial do zombies Imagem: Reprodução

Conteúdo aliás é o que não falta. Na aba do multiplayer, os veteranos vão se sentir em casa. Aqui eles poderão escolher um dos modos clássicos para fazer jogos rápidos e competitivos. São cinco modos de jogo aqui:

  • Assalto: onde o time que extrair uma mochila com dinheiro primeiro ou matar todos os adversários ganha o round
  • Controle: dois times alternam entre defender e atacar objetivos
  • Contra Todos: o clássico Deathmatch ou cada um por si
  • MME Chaos: Mata mata por equipes
  • Captura: Times tentando capturar áreas no mapa para fazer pontos

O gameplay no geral está mais rápido em relação ao que foi mostrado no primeiro beta fechado e com certeza vai agradar os fãs que ficaram preocupados com a possibilidade de encontrar mais do controverso “Black Ops 3” do que dos títulos anteriores. A movimentação inclusive não tem mais as forçadas corridas pelas paredes e nem jetpacks para voar pela fase, embora ainda existam pontos de armadura para algumas classes.

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Os operadores parecem balanceados em Black Ops 4 Imagem: Reprodução

As fases que pareciam eternas repetições de corredores simplistas no beta foram reformuladas e agora contam com áreas que potencializam as habilidades de cada especialista. Outra mudança significativa é que agora os jogadores precisam se curar manualmente, não bastando ficar escondido sem tomar balas para a vida começar a se recuperar.

O tempo para eliminação inimigos, ainda está um pouco elevado para o nosso gosto. A mecânica de armaduras certamente não ajuda o conceito principal do mata-mata, que prevê disputas rápidas para ver quem tem melhores reflexos e decisões.

Outro modo que retorna é o Zumbis, que dessa vez começa com 4 mapas – um deles só disponível via DLC – e traz de volta personagens clássicos desse como Takeo e Nikolai. Cada fase conta com uma ambientação diferente, já que a história gira em torno de portais que levam os jogadores a tempos históricos diferentes. Em determinado momento você estará atirando em zumbis com armaduras em uma arena de gladiadores, enquanto em outro você estará no deck de um navio em um cruzeiro amaldiçoado.

O diferencial aqui ficou por conta do novo modo chamado de Rápido. Nele os jogadores não precisam resolver nenhum enigma no mapa, só passar de sala em sala tentando sobreviver a hordas de zumbis. Não há também nenhum tipo de contador de pontos, que era utilizado para comprar armas e abrir portas, somente ação rápida.

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Tigres zumbis? Bala neles! Imagem: Reprodução

No geral fica o gostinho amargo de que a fórmula desse modo já deu o que tinha que dar. A forma com que a história é contada e deixada em segundo plano também não ajuda a emplacar. Provavelmente em um próximo jogo da franquia teremos mudanças grandes na estrutura de gameplay do Zumbis.

Battle royale com pitadas inovadoras

Tudo até aqui já existia de alguma forma em jogos anteriores da série que contavam com um modo campanha e portanto foi introduzido o novíssimo modo Blackout, que nada mais é que o battle royale de “Call of Duty”.  A implementação aqui bebeu mais da fonte de “PUBG” do que de “Fortnite” e adicionou até algumas mecânicas para a balística que só estão presentes nesse modo.

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Veículos também estão presentes no modo Blackout Imagem: Reprodução

Um ponto recompensador é que o avanço do jogador nos modos Multijogador e Zumbis também influencia o progresso dos operadores usados no modo Blackout, liberando habilidades que podem ser utilizadas no mapa. De inovador dentro do gênero temos as áreas onde hordas de zumbis aparecem e correm para te atacar. Para aqueles que forem lutar com os mortos vivos há ótimas recompensas, mas os disparos contra os zumbis podem atrair outros jogadores - às vezes é melhor sair correndo dali.

Em relação a “PUBG”, uma vantagem de "Black Ops 4" está no trabalho de interface. Equipar e melhorar as armas é bem mais fácil e intuitivo, a forma como o inventário é tratado também. É fácil utilizar bandagens e kits que garantem vantagens ao seu personagem, mesmo no controle dos consoles, onde as teclas são poucas em comparação a um teclado.

O mapa também é bastante variado, com um vasto número de construções, algumas até fazendo referências a outros jogos da série. Existem casas que têm paredes de vidro por todos os lados, bunkers, lojas pequenas e grandes, postos de gasolina... São dezenas de opções diferentes para buscar armas e jogadores adversários. Em todos esses locais a estratégia para sobreviver muda. Aqueles que se acostumarem com cada local vai levar vantagem.

No mais são as regras clássicas que fizeram do battle royale, o gênero mais popular dessa geração: 100 jogadores, começo da partida no salto de um helicóptero, coleta loot e ser o último sobrevivente.

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Não seria um Battle Royale se não tivesse um salto de um avião Imagem: Reprodução

O jogo conta com dublagem e legendas em português. Em alguns modos ela funciona melhor que em outros. Como a história não foi o foco dessa vez, a localização parece ter recebido menos de carinho do que deveria. Algumas traduções ficaram meio incoerentes, como em um momento no QG dos especialistas em que o seu comandante alerta sobre “fazer xixi na água”.

Algumas piadas no modo zumbi também não fazem muito sentido em português, e o tempo dado para as frases por vezes quebra o fluxo dos diálogos. Mas há partes onde ele realmente funciona, como nas cenas cinematográficas e comentários dos operadores, que arrancaram algumas gargalhadas inesperadas na nossa experiência.

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As cinemáticas estão muito bem feitas e bem dubladas Imagem: Reprodução

“Call Of Duty Black Ops 4” faz um papel competente e não peca no conteúdo, o que é raro para um jogo lançado com foco somente no multiplayer. Os seus modos de jogo são variados e carregam profundidade, o que deve garantir diversão durante bastante tempo para jogadores novos e veteranos. A forma como o jogo trata os iniciantes é brilhante e o seu novo modo chamado de Blackout deve colocar fogo no mercado dos jogos de battle royale.

Nota: 8