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Análise: "Battlefield 5" é para quem busca game de tiro "sem frescura"

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL

19/11/2018 04h00

É impossível falar de "Battlefield" sem citar "Call of Duty" e vice-versa. As séries são as mais tradicionais concorrentes quando o assunto é game de tiro com forte apelo multiplayer e uma dose de "mundo real", tanto em termos visuais quanto na jogabilidade.

Essa concorrência toda, no entanto, ganhou um capítulo atípico em 2018. Neste ano, as séries tomaram caminhos totalmente distintos.

Enquanto "Battlefield 5" traz uma fórmula bastante tradicional, englobando conteúdo para um jogador e um robusto modo online, "Call of Duty: Black Ops 4" apostou em uma experiência totalmente multiplayer, deixando de lado o modo história presente em todos os games da série até então.

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Essa abordagem clássica, somada ao retorno da série para a Segunda Guerra Mundial, são características que tornam o jogo, ao menos em tese, uma espécie de "porto seguro" para os fãs da série.

É justamente esse conteúdo mais tradicional que iremos tratar nesta análise do UOL Jogos, uma vez que modos inéditos, como o "Cursos da Guerra" e o battle royale "Firestorm" ainda não estão disponíveis.

Histórias "esquecidas"

Antes de mais nada, vale falar que a "Battlefield V" seguiu o mesmo conceito de "Battlefield 1" na hora de definir o seu modo para um jogador e, ao invés de jogar uma história contínua, a modalidade foi dividida em capítulos que visam mostrar recortes pouco relatados da Segunda Guerra Mundial.

Inicialmente há três opções, nas quais você poderá lutar como uma membro da resistência norueguesa em missões com uma pegada mais furtiva; como um soldado senegalês que integra o exército da França e é alvo de racismo; e com um soldado inglês no norte da África. Além disso, no início de dezembro haverá uma outra "mini-campanha", contando a história de um alemão já no final do conflito, que é focada no controle de um tanque Tiger.

Ainda que não haja brilhantismo tanto na variedade dessas missões, é interessante acompanhar o desenrolar do conflito sob abordagens que raramente foram exploradas em outros produtos culturais, como filmes.

E, como o jogo terá conteúdos adicionais grátis, resta aguardar como e se esse modo será expandido.

Amigos e inimigos de carne e osso

Criado como um game multiplayer, "Battlefield" sempre se diferenciou por adicionar uma boa dose de propósito ao típico tiroteio desenfreado dos modos online de games de tiro. Em "Battlefield V", essa característica está mais presente do que nunca.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que "lobos solitários" tendem a se dar muito mal no modo online do jogo. Andar em grupos e dividir funções torna o game mais divertido e, especialmente, menos frustrante.

O game reforçou as diferenças entre as classes. Elas continuam sendo as tradicionais Assalto, Médico, Suporte e Batedor, mas cada uma ganhou especializações que fazem com que possam ser utilizadas de maneiras distintas. Como exemplo, podemos citar o Médico, que pode ser tanto um Médico de Campo, totalmente direcionado a curar e reviver companheiros, quanto um Médico de Combate, que ganha um maior alcance dos golpes corpo a corpo e também corre mais rápido quando está ferido.

Ter um grupo bem equilibrado e agir de maneira coordenada, portanto, é o segredo para encarar bem o modo online do game.

Fora isso, há poucas novidades no que diz respeito às modalidades online. Além dos tradicionais mata mata em equipes, dominação, conquista e linhas de frente, o modo Operações Grandiosas chama a atenção. Ele segue uma sequência de eventos que mistura modalidades distintas e é uma espécie de evolução do modo Operações de "Battlefield 1".

O que é legal é que cada parte do conflito do Operações Grandiosas é capaz de influenciar o andamento da próxima fase. Além disso, questões como mudanças dinâmicas no cenário tornam essa modalidade uma das mais empolgantes no lançamento do jogo.

De maneira geral, o modo multiplayer funciona bem em "Battlefield V". Há alguns tropeços, como pequenos problemas de interface - às vezes você só quer reviver um companheiro, mas acaba fechando uma porta ou trocando de arma de forma involuntária, por exemplo. São detalhes que devem ser corrigidos em atualizações futuras.

Gostoso de jogar

Em termos práticos, "Battlefield V" é um game gostoso de jogar. Alguns controles, em especial de veículos, podem ser configurados individualmente da forma que o jogador bem entender, o que é um belo avanço.

O jogo também deu uma aliviada na simulação de balística das armas, o que acabou tornando os soldados mais letais. É mais simples acertar os inimigos - ainda que isso passe longe de ocorrer como em "Call of Duty". As balas ainda sofrem o efeito da gravidade, edificações são destrutíveis e por aí vai.

Da mesma maneira, sons e gráficos são competentes - vantagem clara para o PC, nesse aspecto. O caos das linhas de frente do conflito é bem retratado, com explosões, nuvens de poeira e momentos nos quais é difícil se orientar.

Um fator negativo, no entanto, é que nem todos os mapas se mostram capazes de abrigar determinados modos de jogo. O resultado é que cenários menores acabam ficando excessivamente caóticos em modalidades como o modo Conquista.

De qualquer forma, "Battlefield V" nasce como um game de tiro robusto e que provavelmente agradará seus fãs. A temática de Segunda Guerra Mundial não marca uma ruptura em relação a "Battlefield 1", cujo palco era a Primeira Guerra Mundial. Isso tem como efeito prático uma adaptação mais rápida e melhora as chances de uma migração mais natural daqueles jogadores que passaram os últimos anos se aventurando no modo online do game lançado em 2016.

Resta ver como a Dice e a EA trarão novos conteúdos de maneira a manter a longevidade do game e o interesse dos jogadores. A julgar pelo conteúdo de estreia, não há como negar que "Battlefield V" tem potencial para obter sucesso.

"Battlefield V" será lançado no dia 20 de novembro para PlayStation 4 (por R$ 209,90), Xbox One (por R$ 239,00) e no PC (via Origin, por R$ 239,00).

Nota: 8