Topo

Jogos

Análises

Divertido, "Pokémon Let's Go" agrada novatos e veteranos da série

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL

23/11/2018 04h00

Se você conhece alguém que se interessou recentemente pelo universo de "Pokémon" - como consequência, por exemplo, do sucesso de "Pokémon Go" para celulares - e quer experimentar outros games da série, não precisa pensar duas vezes: pode recomendar "Pokémon Let's Go" de olhos fechados.

Lançada exclusivamente para Nintendo Switch (por R$ 250,79) em 16 de novembro, a mais nova aventura dos populares monstrinhos é, provavelmente, a mais inclusiva da série. Alguns sistemas foram simplificados, como veremos adiante, da mesma maneira que o visual é chamativo, criando uma combinação perfeita para quem está em busca da sua primeira aventura no universo da série.

E, mesmo assim, uma das partes mais interessantes desse pacote é que ele não é nem um pouco enfadonho para jogadores "mais rodados" pela franquia. Ainda que alguns possam sentir falta de mecânicas mais complexas, como as vistas em "Pokémon Sun & Moon", eles encontrarão em "Let's Go" um jogo robusto, divertido e que traz uma generosa dose de nostalgia para quem acompanhou os primórdios da série.

VEJA TAMBÉM

Direto ao ponto

"Pokémon: Let's Go" tem duas versões, Eevee e Pikachu, cuja diferença mais notável é vista na hora de você ter o seu Pokémon inicial - e principal. Quem jogar mais também notará que há monstrinhos exclusivos para cada versão.

A versão Pikachu tem Sandshrew, Sandslash, Oddish, Gloom, Vileplume, Mankey, Primeape, Growlithe, Arcanine, Grimer, Muk e Scyther como exclusivos. Já a Eevee tem Ekans, Arbok, Vulpix, Ninetales, Meowth, Persian, Bellsprout, Weepinbell, Victreebel, Koffing, Weezing e Pinsir.

Isso, no entanto, não significa que é necessário ter as duas versões do jogo para ter acesso aos Pokémon. Graças ao sistema de trocas entre jogadores e à integração com "Pokémon Go", a lista pode ser completada facilmente.

Ainda que, ao menos tecnicamente, "Let's Go" seja um remake de "Pokémon Yellow", game lançado 1998, o novo jogo vai além e muda alguns elementos básicos da série.

Lembra que falamos que ele é ideal para novatos? Então, essas mudanças nada mais são do que simplificações de alguns sistemas e também eliminação de características "chatas" dos jogos clássicos.

Agora, por exemplo, não há mais batalhas aleatórias ao andar na grama ou em cavernas. As lutas só ocorrem contra outros treinadores ou vilões. Como consequência direta, a exploração de cenários passou a ser mais prática e rápida. Acabou aquela história de você estar com seus Pokémon machucados, sem itens de cura e se ver no meio de uma caverna recheada de inimigos e sem previsão para encontrar uma saída tão cedo.

Reprodução
Em "Pokémon Let's Go", não há batalhas aleatórias na grama ou em cavernas Imagem: Reprodução

Da mesma maneira, outra mudança significativa ocorre na hora de capturar os Pokémon selvagens. Não há mais batalhas contra esses monstrinhos para que, uma vez que eles estejam mais fracos, você consiga capturá-los.

A dinâmica de captura em "Pokémon: Let's Go" lembra bastante a vista em "Pokémon Go" e é uma espécie de minigame no qual é preciso utilizar os controles de movimento do Switch para arremessar a pokébola e acertar o alvo. Há diversos tipos de pokébola (cujas versões mais avançadas melhoram a chance de captura), além de também haver itens que facilitam o processo.

Por fim, alguns processos mais "chatos", como trocar os membros de sua equipe de Pokémon apenas nos computadores dos Centros Pokémon, ficaram mais dinâmicos: agora você pode alternar sua equipe na hora que bem entender.

Movimento em falso

Essas medidas têm como efeito imediato tornar o game mais simples e mais palatável a uma nova audiência. Em termos práticos, porém, elas têm resultados bem distintos.

Enquanto a ausência de batalhas aleatórias e o sistema de troca de equipe deixam o game mais dinâmico e divertido, o uso de controle de movimentos para capturar acaba sendo um tropeço do jogo. Ele se divide em dois tipos: usando um Joy-Con destacado do Switch ou utilizando o videogame com o controle encaixado, no modo portátil.

No primeiro estilo, é preciso movimentar o Joy-Con como se fosse uma espécie de vara de pescar para que a bolinha seja lançada no game. A precisão, aqui, é sofrível, o que garante uma boa dose de irritação e muitas pokébolas perdidas, especialmente quando o Pokémon a ser capturado não está no meio da tela.

Reprodução
Mecânicas para captura de Pokémon são uma adaptação ao que foi adotado em "Pokémon Go" Imagem: Reprodução

Com o Switch no modo portátil, o processo é simplificado. Basta inclinar o console na direção desejada e apertar o botão A para fazer o arremesso.

Os controles de movimento também são utilizados na hora de brincar com seu Pokémon principal (Eevee ou Pikachu). Assim, é possível fazer cafuné no bichinho ou, ainda, servir uma fruta para que ele a coma. Nessas situações, o recurso tende a funcionar de maneira satisfatória. No modo portátil, isso é feito pela tela de toque do Switch.

Tirando essa novidade, a jogabilidade em si é bastante simples, sem segredos. Há uma leve camada de complexidade, especialmente na hora de se definir em quais Pokémon investir - para isso, há uma mecânica que avalia o potencial de cada monstrinho capturado.

Fora isso, a dinâmica de batalhas, do uso de itens e da exploração do cenário seguem o que é visto na série - e em boa parte dos RPGs por turno.

As batalhas contra treinadores seguem a fórmula clássica da série principal

Também é possível jogar de maneira cooperativa, com um segundo jogador assumindo o comando de um Joy-Con e participando ativamente da exploração e das batalhas, o que torna o game extremamente fácil. O componente multiplayer do jogo também surge na forma de partidas competitivas e no sistema de troca de Pokémon. Em ambos os casos, é possível utilizar a internet ou a conexão local entre dois Switch para realizar esse tipo de atividade.

Por fim, um dos aspectos mais interessantes é a integração do game com "Pokémon Go". Para isso, é necessário avançar mais na história do jogo, desbloqueando uma área na qual os monstrinhos capturados no jogo de celular ficam disponíveis para serem obtidos também no game de Switch. É um incentivo a mais para que aqueles que abandonaram o app para smartphones voltem a utilizá-lo com mais frequência.

Olhos e ouvidos agradecem

Um dos pontos de destaque de "Pokémon: Let's Go" é o seu visual. Colorido e bonito, ele se destaca especialmente nas batalhas, com movimentos bem animados e efeitos primorosos na hora dos monstrinhos usarem suas técnicas.

Da mesma maneira, cada Pokémon tem uma modelagem caprichada e, pelo fato do jogo enfatizar a primeira geração de monstrinhos, justamente a mais conhecida, diversos deles aguçam a memória afetiva dos jogadores.

As músicas são releituras modernizada dos clássicos do primeiro game da franquia, que combinam perfeitamente com cada passagem do game. Já os gritos dos Pokémon são bem distintos, sendo que, enquanto os monstrinhos principais (Eevee e Pikachu) "falam" de maneira mais clara, os demais repetem os grunhidos tradicionais dos jogos anteriores.

Um bom aquecimento

Se o jeitão de remake não torna "Pokémon Let's Go" uma experiência totalmente nova para os fãs da série, ao menos ele funciona como um ótimo primeiro passo para a franquia no Nintendo Switch. Ao trazer uma experiência clássica, ainda que simplificada, o jogo cumpre bem a função de entreter jogadores mais veteranos da mesma maneira que é extremamente atraente para quem é marinheiro de primeira viagem na franquia.

Além disso, o game é uma forma de preparar o terreno para o já previsto novo jogo da franquia que deverá desembarcar no console no final de 2019. Ainda sem título e sem muitos detalhes, esse novo game, nas palavras do executivo-chefe da Pokémon Company, Tsunekazu Ishihara, trará uma nova geração de Pokémon e será o que os fãs da série estariam esperando.

Enquanto a novidade não chega, "Pokémon: Let's Go" é um game que vale a pena e tem potencial de sobra para divertir os donos de Switch por muitas horas.

Nota: 9