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Sem inovar, "Darksiders 3" é ideal pra quem quer bater muito e pensar pouco

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL

03/12/2018 04h00

Se essa análise seguisse o espírito de "Darksiders 3", ela teria uma única frase: esse é um jogo para quem gosta de pancadaria e não está nem aí para história, atuação dos personagens ou, ainda, mecânicas complexas.

Esse é um resumo bastante fiel do que os jogadores encontrarão no game da THQ Nordic, lançado no último dia 27 de novembro e disponível para PC (R$ 189,99), PlayStation 4 (R$ 229,90) e Xbox One (R$ 249). Novamente no controle de um dos cavaleiros do apocalipse, desta vez a explosiva Cólera, cabe ao jogador explorar uma Terra devastada e "colocar ordem nas coisas".

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A narrativa do jogo é basicamente essa acima, com Cólera precisando lidar com inimigos que representam os Sete Pecados Capitais. É claro que há reviravoltas no roteiro, mas o clichê de protagonista durona que, aos poucos, vai ficando com o coração mais mole acaba sendo um dos pontos centrais da trama.

Bata antes, pergunte depois

Desde os primeiros minutos, "Darksiders 3" deixa claro que ele é um jogo que, ao menos em tese, privilegiaria a jogabilidade. As mecânicas do game orbitam ao redor do sistema de combate, com elementos como quebra-cabeças e exploração ficando em segundo plano.

Cólera faz uso de um chicote no começo do jogo, porém outros tipos de armas são liberados conforme o jogador avança. Elas mudam os principais elementos de jogabilidade e também a forma como as situações de confronto podem ser abordadas, indo desde um combate próximo até lutas de média e longa distância.

Divulgação
Imagem: Divulgação

As armas podem ser melhoradas, desde que o jogador tenha itens para tal. O mesmo vale para os atributos de Cólera, que recolhe "almas" sempre que derrota inimigos. Essas almas podem ser trocadas por itens ou pontos para evoluir seus atributos, em um esquema parecido com "Dark Souls". Da mesma forma, sempre que você morrer as almas serão "perdidas": na verdade, elas ficam vagando na forma de um espírito que o jogador precisa atacar para então recuperá-las.

Na hora da pancadaria, o jogador tem, basicamente, um botão de ataque. Dependendo do ritmo em que ele é pressionado, Cólera realiza combos e movimentos diferentes. Outro pilar do sistema é a esquiva. Dominar o movimento é fundamental, especialmente na hora de enfrentar mais de um inimigo por vez. Além disso, caso o jogador desvie no último momento, Cólera irá contra-atacar com um movimento especial e mais forte.

Atacar, desviar, contra-atacar: essa é a mecânica básica do jogo, que recebe pitadas de variedade com os poderes especiais de Cólera, liberados no decorrer do jogo.

É uma dinâmica que lembra um bocado os primeiros "God of War", ainda que não haja a "magia" que fez o exclusivo de PlayStation virar uma franquia famosa. Há poucos lugares secretos para exploração, da mesma forma que os citados quebra-cabeças não são, exatamente, desafiadores.

Reprodução
A protagonista Cólera junto com os seus irmãos Morte e Guerra. Imagem: Reprodução

Um ponto um tanto decepcionante são as batalhas com os chefes, que tinham tudo para serem grandiosas, mas acabam sendo uma mera reciclagem de mecânicas vistas no decorrer do jogo.

Visual agradável

O UOL Jogos testou o game em um PlayStation 4 convencional e a experiência foi, até certo ponto, satisfatória. Está longe de ser o game mais bonito da geração, mas "Darksiders 3" passa longe de fazer os olhos sangrarem.

O mesmo vale para o desempenho. Foram poucos os momentos de queda de quadros por segundo. Elas ocorreram de uma maneira mais perceptível quando há muitos elementos na tela, mas ainda assim não comprometem a experiência.

O mesmo pode ser dito do som, tanto em termos de dublagem (o game está em inglês, com legendas e português) quanto em efeitos sonoros e músicas. Não é marcante, mas não decepciona.

Estamos mal acostumados?

Depois de algumas horas jogando "Darksiders 3", a pergunta acima veio à minha cabeça. Será que os últimos grandes games de ação nos deixaram mal-acostumados?

É notório que o game da THQ Nordic não esteja à altura do último "God of War" ou, ainda, de um "Dark Souls", nem traz novos elementos para o gênero. Mesmo assim, ele entrega uma experiência divertida, especialmente para quem está mais preocupado em trucidar inimigos do que, propriamente, se envolver emocionalmente com a trama.

Ainda que soe cruel, por suas mecânicas simples e visual apenas honesto para os dias atuais, "Darksiders 3" seria um jogo excelente se fosse lançado, vamos ver, há uns cinco anos. No final de 2018, no entanto, ele acaba, invariavelmente, ofuscado pela concorrência.

Isso não significa que o game não seja capaz de divertir. Para isso, contudo, já avisamos: é bom os jogadores não assumirem o controle de Cólera com muitas expectativas.

Nota: 7