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Problemas sem fim: "Fallout 76" é o maior mico dos games nos últimos tempos

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"Fallout 76" é o 1º jogo da série totalmente multiplayer; sequência de problemas mostra que a Bethesda errou a mão Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2018-12-11T04:00:00

11/12/2018 04h00

O que pode acontecer de ruim para um jogo em seu lançamento? Baixas vendas, recepção ruim de crítica e público, problemas técnicos etc.

Nós vimos tudo isso em diversos jogos lançados nesta década. Games como "Battlefield 4", "Diablo 3", "Street Fighter V" e  "Destiny", por exemplo, sofreram com problemas em seus servidores. Já games como "Mass Effect: Andromeda" e "Assassin's Creed: Unity" chegaram aos consumidores recheados de bugs.

E não há como não citar a falta do que fazer em "No Man's Sky" (o que, convenhamos, acabou sendo corrigido posteriormente) e a versão para PC de "Batman: Arkham Knight", recheada de problemas técnicos no lançamento, mas que acabou com os defeitos corrigidos com o passar do tempo.

Nenhum desses casos, no entanto, sequer chega aos pés do que ocorre com "Fallout 76". O game, lançado na primeira metade de novembro, parece em envolto por uma "tempestade perfeita". E o pior: isso não ocorre apenas por problemas relacionados diretamente à qualidade do game em si, mas envolve cortes de preço poucos dias depois do jogo ser lançado, propaganda enganosa e até mesmo vazamento de dados de compradores.

Ser ruim é o menor dos problemas

Não é novidade nenhuma que "Fallout 76" não agradou nem mesmo o fã mais ferrenho da série. O game recebeu avaliações nada favoráveis da imprensa especializada - leia, inclusive, a opinião de UOL Jogos sobre o game aqui - e em sites agregadores de notas, como o Metacritc, ele está longe de figurar entre os melhores lançamentos do ano. A média das notas mais favoráveis que os jogadores deram ao game foi para a versão de PC: 2,7, de zero a dez. 

Entre as principais críticas estão o mundo vazio, as atividades nada divertidas, história sem graça e gráficos ultrapassados. Ah, e claro: os 56 GB de atualização obrigatória para quem quisesse começar a jogar o game.

Com esse "cartão de visitas", não é nenhuma surpresa que o game não esteja vendendo bem. Segundo a consultoria GFK (não há dados provenientes da Bethesda, a produtora do jogo), em mercados como o Reino Unido "Fallout 76" vendeu, em sua primeira semana, 82% menos do que seu antecessor, "Fallout 4", no mesmo período pós-lançamento. 

Por incrível que pareça, as fracas vendas na primeira semana e as críticas ao jogo foram apenas o início do calvário de "Fallout 76". 

A raiva dos jogadores aumentou poucos dias após o lançamento do jogo, quando ele teve cortes de preço consideráveis em decorrência da Black Friday. Quem pagou preço de lançamento (US$ 60 nos EUA e mais de R$ 200 no Brasil) viu o jogo sendo vendido com descontos de até 50%. E, claro, não gostou nada disso.

Edição nada especial

Outra questão envolveu a edição especial do game, chamada "Power Armor Edition", que custa US$ 200 (o que equivale a mais de R$ 780) e traz um capacete da Power Armor, famosa armadura da série, além de outros itens. Entre eles, ao menos no anúncio, estava uma bolsa, que parecia ser feita de material bastante resistente.

Quando os primeiros compradores dessa edição receberam suas encomendas - atrasadas, por sinal -, surpresa: ao invés de uma bolsa de lona resistente, a Bethesda enviou bolsas de náilon que, além de feias, não eram nada resistentes. É claro que isso motivou uma chiadeira sem fim, como vemos abaixo.

Passados alguns dias, a Bethesda anunciou em seu Twitter que enviará bolsas iguais às do anúncio para quem comprou essa versão do game. Antes disso, porém, a empresa alimentou a ira dos donos da edição especial ao dizer inicialmente que o material para fazer a bolsa das fotos estava em falta e que não tinha o que fazer sobre isso e, depois, ao tentar "agradar" os clientes dando uma certa quantia de créditos dentro do jogo - que mal permitiam comprar uma roupa para o personagem.
 
A história não para por aí: diante de tantas decepções, vários jogadores entraram em contato com a Bethesda pedindo o reembolso pelo jogo. Alguns conseguiram prontamente, enquanto outros foram informados que não tinham direito a isso. Essa política confusa, inclusive, motivou um escritório de advocacia de Washington (EUA) a investigar a ação da empresa e, eventualmente, entrar com uma ação coletiva contra a Bethesda. 
 
Por fim, outro problema: vários clientes que pediram o reembolso acabaram recebendo, em suas caixas de entrada da conta da Bethesda, dados de todos os outros clientes que pediram reembolso. Dentre as informações estavam nome, endereço e dados do cartão usado na compra do jogo.

Pouco tempo depois, a Bethesda respondeu, em um fórum, que "o problema havia sido resolvido". E só.

A tentação dos games como serviço

Os "narizes torcidos" dos jogadores em relação a "Fallout 76" começaram após a Bethesda anunciar que ele seria um jogo 100% multiplayer online, indo em um rumo contrário ao tradicional da série, que sempre trazia games para um jogador.
 
A intenção da produtora era clara: entrar no lucrativo segmento dos games como serviço, que nada mais são do que jogos persistentes, que fidelizam jogadores ao ter novos conteúdos frequentemente e rendem montanhas de dinheiro às produtoras graças às microtransações de itens. Basicamente, é tratar um jogo como uma plataforma.
 
Para dar certo, no entanto, uma primeira impressão minimamente positiva acaba sendo fundamental e, para isso, é preciso apresentar um produto robusto e que tenha algum ponto positivo para manter os jogadores interessados. 
 
A alta recompensa faz com que ter um game do tipo seja bastante atraente para qualquer produtora. Até agora, porém, a Bethesda parece ter ficado apenas com os riscos quando falamos de "Fallout 76". 

Assista ao nosso review de "Fallout 76"

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