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Jogamos: "The Divison 2" mudou muito pouco em relação ao anterior

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Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

12/02/2019 04h00

Desde que foi anunciado em 2013, o primeiro "The Division" passou por diversos altos e baixos. De críticas que iam da falta de conteúdo até o já clássico "downgrade", o jogo que prometia ser um divisor de águas patinou por bastante tempo até ficar redondinho. O fato é que da forma como está hoje, o primeiro jogo se tornou um ótimo título para quem curte ação frenética online no estilo esconder atrás de uma cobertura para atirar.

Para surpresa de muitos, a Ubisoft anunciou na E3 do ano passado que já teríamos um novo jogo da franquia em 2019. Após alguns meses de polimento, rolou nesse fim de semana um beta fechado que mostrou mais do jogo e as novidades em relação ao antecessor. Com um personagem criado com aparência aleatória, foi possível jogar em uma área inicial e participar de uma versão reduzida da Dark Zone, local onde rola o PVP em "The Division".

Confira nossas impressões:

Washington D.C.

A primeira mudança é em relação a ambientação. Enquanto o primeiro jogo se passa em Nova Iorque, a sequência ocorrerá em Washington D.C., a capital dos Estados Unidos. Isso deu ao game ambientes bem mais variados tanto para a narrativa quanto para o gameplay. Enquanto Nova Iorque é tomada por arranha-céus e paisagens quase que exclusivamente urbanas, fechadas e estreitas, Washington fornece ambientes repletos de natureza, praças enormes, abertas e não deixa de fornecer ambientes para embates mais curtos em prédios históricos.

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Washington D.C. fornece ambientes mais abertos e naturais que Nova Iorque Imagem: Reprodução

Na demo passamos por algumas dessas áreas e o resultado foi para lá de positivo. Como o gameplay nesses jogos tende a ser repetitivo, alterar a ambientação deixou tudo menos cansativo e até mesmo mais divertido, uma vez que esses novos biomas colocaram os inimigos em posições inesperadas e desafiadoras.

No que diz respeito a narrativa, Washington se concentra ainda mais na guerra civil entre os sobreviventes do vírus que querem reconstruir a sociedade e as gangues de rua impiedosas e anárquicas. O estado de degradação social é ainda mais evidente que em Nova Iorque e o povo parece sofrer bem mais na mão dos bandidos. No beta fomos apresentados aos Hyenas, que possuem o estereótipo clássico de membros sem camisa, totalmente tatuados e utilizando lenços para cobrir a face. Suas maldades vão desde assaltos até sequestros de crianças.

Os gráficos continuam competentes por conta da Snowdrop Engine, e especialmente a iluminação chama a atenção, mas já não parecem mais tão impressionantes como na época do primeiro jogo, especialmente porque a evolução gráfica no geral foi bem tímida do primeiro para o segundo título. O destaque nessa parte são realmente os novos ambientes que por serem mais variados que o antecessor, permitem visualizar outras capacidades da engine que antes não apareciam.

Gameplay

Por ser um Beta, obviamente muita coisa pode e deve ser mudada para o lançamento, mas no geral essas mudanças ocorrem no micro, como por exemplo alterar o balanceamento entre as armas, no macro pouca coisa deve mudar. E no macro na realidade pouca coisa mudou do jogo anterior para esse. Se você gostou da jogabilidade do primeiro "The Division", também deve gostar bastante aqui, talvez até um pouco mais. Se você não gostou vai continuar sem muito interesse no que é apresentado por aqui.

Uma mudança significativa foi na árvore de habilidades que está repleta de novidades. Na demo não foi possível testar todas, mas deu para sentir um gostinho de três delas, sendo uma o tão falado drone . Embora estejam visualmente legais e parecendo bem poderosas, não podem ser analisadas de verdade antes de chegar no conteúdo endgame, onde elas serão testadas contra os equipamentos de alto nível, então basta saber que elas estão divertidas no combate e parecem competentes.

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As novas habilidades são divertidas e trazem um frescor ao jogo Imagem: Reprodução

A inteligência artificial dos inimigos, que foi muito criticada no primeiro jogo, teve mudanças para a continuação. Agora os NPCs estão bem mais atentos em relação a cobertura e mudam imediatamente o foco para os agentes que estão vulneráveis. Também é bem comum ver comportamentos espertinhos da máquina, como flanquear e de supressão por disparos. No entanto, o problema de inimigos inexplicavelmente saírem da cobertura ou correrem em direção a granadas ou locais com fogo continua, o que derruba um pouco a imersão.

Uma outra mudança bem vinda é a destruição da armadura dos inimigos mais fortes, os chefes de cada missão. No primeiro jogo eles eram esponjas de bala que quebravam a imersão. Agora, embora ainda tenham uma resistência sobre-humana, podem ser derrubados com maior facilidade depois de ter sua armadura quebrada.

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Agora é possível destruir as armaduras dos inimigos mais fortes Imagem: Reprodução

Em relação às mecânicas na Dark Zone, a principal mudança é na relação risco/recompensa. Enquanto no jogo anterior você arriscava tudo ao chamar o helicóptero para resgatar o que você encontrou, agora existem itens que nessa área que não são infectados e podem ser usados imediatamente. Isso significa que embora boa parte do que você dedicou lá dentro possa ser perdido em questão de segundos, no geral você não sairá de mãos vazias.

Base de Operações e Sidequests

Assim como no jogo original, existe uma base central de operações que com o passar do tempo pode ser melhorada e facilita a sua vida em campo. Essa base dessa vez fica dentro da Casa Branca e parece começar ainda mais debilitada que a de Nova Iorque.

O que deu para ver de mudança é na relação da cidade com ela. No jogo anterior você participava de missões recebidas via rádio onde se resgatava um especialista e trazia ele imediatamente para a sua base. Agora você deve ajudar distritos da cidade a se recuperarem do caos e então receber especialistas e melhorias diversas para a sua base vindos desses locais.

O interessante é que os próprios distritos vão ganhando melhorias cada vez que você completa missões para eles, que por sua vez liberam mais missões secundárias de cidadãos resgatados ou que agora precisam de alguma coisa nova. Isso com certeza agrega muito no todo e ajuda na profundidade das sidequests, que no primeiro jogo eram muito chatas e superficiais.

Embora tenha sofrido várias pequenas mudanças e continue mantendo a parte boa do antecessor, "The Division 2" não teve nenhuma adição importante que deve trazer de volta aqueles que não gostaram do primeiro jogo e provavelmente também não deve atrair muitos que deixaram passar o título anterior. A ambientação em Washington foi positiva por variar as áreas de conflito e contribuir positivamente para a história, mas é na qualidade do conteúdo de fim de jogo que saberemos se os jogadores ficarão por muito tempo jogando ou não. O bom é que pelo menos essas pequenas mudanças devem tornar o processo até o level máximo bem mais divertido.

"The Division 2" será lançado no dia 15 de março para PC, PS4 e Xbox One.

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