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Jogo rápido: se você curte explosões (e só), "Just Cause 4" é a sua cara

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Não convém esperar nada muito aprofundado do jogo Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/12/2018 04h00

Mais um dia na vida de Rico Rodriguez e mais um governo ditatorial a ser deposto. A linha narrativa central da série "Just Cause" permanece inalterada em "Just Cause 4" e, de certa forma, isso é algo que funciona bem para a premissa básica do jogo: causar o máximo de destruição possível.

No quarto episódio da série - com versões para PC, PlayStation 4 e Xbox, lançadas em 4 de dezembro -, Rico vai até Solis, um país fictício da América do Sul que lembra um bocado a porção andina do continente. A missão da vez é atacar diretamente a Black Hand, o exército mercenário mais poderoso do mundo e que, de alguma forma, poderia ter respostas sobre quem matou o pai de Rico. 

Para isso, ele terá que lidar com o ditador local, Oscar Espinosa que, além de ter transformado a Black Hand em uma organização gigante, também patrocina pesquisas para desenvolver mecanismos capazes de controlar o clima. 

Ainda que não seja exatamente bem desenvolvida - ou até mesmo necessária para um jogo do tipo - a trama tem momentos interessantes e funciona especialmente para criarmos antipatia em relação aos antagonistas. Não convém esperar nada muito aprofundado, no entanto.

Para cumprir seu objetivo, Rico conta com um arsenal de gadgets que ficaram famosos na franquia: um gancho retrátil, um traje planador e paraquedas. Esses três itens em conjunto, aliás, permitem que o jogador alcance praticamente qualquer lugar do mapa. Há, inclusive, desafios envolvendo esses itens - como quem vai mais alto com um paraquedas ou voa por mais tempo com traje planador --que podem ser disputados com jogadores de sua lista de amigos.

A dinâmica de "Just Cause 4" envolve fazer com que um grupo de rebeldes comande cada vez mais territórios que estavam nas mãos do governo local. Isso é conseguido conforme o jogador realiza missões específicas ligadas a determinados personagens, além de ganhar pontos que aumentam um medidor de caos. A ideia é que, quanto mais caótica tiver uma área, mais habitantes poderão se juntar à sua causa até que o governo seja expulso de uma determinada região.

É algo que parece bem mais complexo na teoria do que na prática. 

O problema é que essas missões são um tanto repetitivas e, em geral, pouco inspiradas. Mesmo as missões principais do game sofrem desse mal e, ainda que algumas sejam realmente interessantes, os pontos altos acabam sendo raros demais. 

Contribui para isso o fato de que os inimigos não são, exatamente, inteligentes. Em geral eles surgem em hordas e se apresentam como uma ameaça apenas em bandos. Individualmente, Rico e seu arsenal são suficientes para que até mesmo jogadores menos habilidosos sejam capazes de se livrar rapidamente do problema.

Um ponto que incomoda é que essas hordas surgem basicamente do nada. Não há uma lógica, um ponto de origem ou algo assim, o que não ajuda na imersão dos jogadores e dá um ar artificial ao mundo do game.

Por falar nisso, o mundo de "Just Cause 4" é interessante e apresenta uma boa variedade de paisagens, com áreas montanhosas sendo intercaladas com densas florestas e regiões mais urbanas. Além disso, mudanças climáticas como tornados e tempestades podem influenciar bastante na jogabilidade, especialmente quando se está voando com traje planador ou o paraquedas.

Também há muitos carros e outros veículos espalhados pelo mapa, como helicópteros controlados tanto por grupos ligados à Black Hand quanto aos rebeldes e habitantes locais. Com os seus gadgets, Rico consegue se prender a esses veículos, sequestrá-los ou, somente, pegar uma carona. 

Um ponto que, felizmente, a franquia evoluiu é no que diz respeito ao apuro técnico. "Just Cause 4" ainda tem longos tempos de carregamento, mas, ao menos na nossa experiência, não houve qualquer travamento. O que incomoda um bocado é a já citada inteligência artificial limitada dos inimigos e alguns bugs, como problemas de física e de colisões que podem fazer o jogador "se enroscar" com o cenário.

Se essas pequenas questões e uma história pouco inspirada não te incomodarem e você for do tipo que se empolga com a ideia de um game no qual a ideia é causar caos e sair explodindo coisas, "Just Cause 4" tem tudo para ser a sua cara. Esse é um game para não ser levado muito a sério e quem conseguir isso tem tudo para se divertir.