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"Zoeira" com Palmeiras fez "Elifoot" continuar vivo

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Simplicidade é uma das principais características de "Elifoot", começando pela sua tela de apresentação Imagem: Reprodução

Rodrigo Lara

Do Gamehall

05/06/2017 04h00

Um belo dia, em 1996, o português André Elias resolveu ver se havia registros na Internet de um game que ele criara em 1987, aos 17 anos. Uma busca pelo nome do game o levou até uma imagem de um cartaz exposto durante uma partida de futebol e, segundo ele, isso o animou a retomar o desenvolvimento de sua criação.

O tal cartaz dizia: "Palmeiras campeão só no Elifoot". O jogo, claro, é aquele que se tornou uma espécie de "pai dos managers".

Ou seja: se "Elifoot" - cujo nome é uma corruptela de "Elias" e "Football" - existe até hoje, 30 anos após ser criado, não seria exagero nenhum dizer que o clube paulistano e, especialmente, os jogadores brasileiros são duas das principais razões para isso acontecer. E, como era de se esperar, o episódio marcou o piloto de avião - e programador nas horas vagas - português.

"Sou torcedor do Benfica, tetracampeão português, tendo já transportado toda a equipe até a Alemanha. Mas essa passagem fez com que o Palmeiras se tornasse meu clube do coração no Brasil", contou Elias em entrevista exclusiva ao UOL Jogos.

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André Elias se divide entre pilotar aviões e manter "Elifoot" vivo; atualmente, o jogo está presente em celulares e terá uma versão novinha em folha ainda neste ano Imagem: Reprodução

Já sobre a base de fãs do game no Brasil - acreditem, nos anos 1990 era mais fácil achar um computador no país sem editor de texto do que encontrar um no qual "Elifoot" não estivesse instalado -, Elias descobriu à época que o game era popular por aqui. Mas a noção exata disso veio anos depois, ao ver comentários em redes sociais e o bom resultado de downloads das versões atuais do game, lançadas para celulares.

"O número é enorme e bem maior do que poderia imaginar nos anos 1990. A versão 2012 para Android superou um milhão de downloads no segundo ano. Julgando comentários em redes sociais, fica fácil acreditar que todos os adolescentes no passado jogaram 'Elifoot'. A resposta exata para a quantidade de pessoas que fizeram isso no Brasil deve estar na casa dos 50 milhões". 

Ajuda da pirataria

O game, criado em 1987 para ZX Spectrum e distribuído em disquetes para os amigos, "Elifoot" era para ter sido uma brincadeira. O game ganhou algumas atualizações anuais a partir de 1990, já em versão para MS-DOS (posteriormente, em 1994, o jogo teve uma variante para Windows), as quais traziam elencos das "equipas". Elias, porém, planejava se dedicar aos estudos a partir 1994 e, com isso, abandonou temporariamente o game - até ver a fatídica faixa feita para zoar o Palmeiras.

"Elifoot" seria retomado em 1998, como versão shareware. Para desbloquear todas as funções, era necessário pagar. Não é preciso dizer que isso fomentou a pirataria, uma vez que o sistema de controle do jogo por meio de códigos de registro era simples e facilmente burlável.

O que seria um terror para a maioria dos desenvolvedores de jogos, porém, acabou sendo um motivo a mais para "Elifoot" decolar. "A criação de programas geradores de códigos acabou fazendo de 'Elifoot' um sucesso. Pessoas que nunca iam pagar para jogar acabaram jogando mesmo assim e popularizaram o jogo".

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Simples e fácil de ser jogado, "Elifoot" ajudou a popularizar alguns termos e piadas em português de Portugal por aqui; as infames "Chicotadas Psicológicas" era um dos momentos mais temidos do jogo Imagem: Reprodução

Hoje o game basicamente sobrevive com duas versões: a gratuita, que possui limitações como a impossibilidade de começar o jogo na primeira divisão - ou ser convidado para treinar um time dessa categoria -, a capacidade de substituir jogadores da equipe somente nos intervalos das partidas e a possibilidade de apenas uma pessoa jogar o game por vez (a versão paga, chamada de "Pro", permite até oito jogadores).

Esse sistema ajuda "Elifoot" a se bancar. "As vendas ajudam nos custos, especialmente quando é necessário contratar ajuda para programação", explica Elias.

Vai continuar vivo?

Hoje é possível ter a experiência de comandar uma equipe de formas realistas nas populares séries "FIFA" e "PES" - e também em games de outros esportes, como "NBA 2K" -, mas a simplicidade de "Elifoot" tem seu charme. E Elias não duvida que seu jogo foi fonte de inspiração para esses concorrentes, mas vislumbra um futuro para a sua criação.

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Hoje, "Elifoot" enfatiza as versões para celulares e traz muito mais opções do que o que era visto na "era de ouro" do game Imagem: Reprodução

"Refiz o game em 2016 e estou desenvolvendo algo igual. É interessante ver jogadores pedindo todas as características simples das versões iniciais, como comportamento dos jogadores, idade e aposentadoria, que estarão de volta na edição 2017, já em testes avançados. Desenvolver o game hoje traz uma série de novos desafios, com elementos que não existiam nos anos 1980. Então é preciso acompanhar o avanço do mundo", conta.

Nem mesmo o trabalho como piloto de aviação deverá impedir "Elifoot" de ganhar novas versões. "Eu trabalho com aviação charter [que atua em áreas onde não existem rotas regulares], então eu acabo voando menos e tendo estadias mais prolongadas nos lugares. Assim, o desenvolvimento de 'Elifoot' acaba sendo feito nos quatro cantos do mundo, de Papua-Nova Guiné a Santiago do Chile", brinca.

A julgar pela disposição de seu criador e interesse do público - a versão gratuita de "Elifoot 16" aponta mais de 100 mil downloads pela loja Play Store -, o "pai dos managers" e sua cativante simplicidade terão vida longa.  

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