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Review: "Thronebreaker: The Witcher Tales" é boa adição a universo da série

Daniel Esdras

Do GameHall

24/10/2018 04h00

A expansão de "Blood and Wine" concluiu "The Witcher 3: Wild Hunt" em 2016, terminando em grande estilo a trilogia da CD Projekt Red. Além do novo patamar que assumiu no mercado graças ao sucesso da série, a empresa polonesa recebeu dos fãs uma missão: transformar o minigame "Gwent". Esses são os bastidores de "Thronebreaker: The Witcher Tales", um spinoff da icônica série de fantasia.

Antes do novo jogo ser revelado, veio a promessa de um jogo de cartas com multiplayer que viria acompanhado de uma campanha que contasse mais sobre os personagens de Gwent, utilizando as suas mecânicas originais e misturando com outras em um mundo novo.

Com o passar do tempo de produção, mais um período em beta, o projeto ficou tão grande que acabou também se transformando em "Thronebreaker: The Witcher Tales", disponível para PC (por R$ 99,00, exclusivamente no GOG) e com lançamento para PlayStation 4 e Xbox One marcado para 4 de dezembro.

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O personagem principal aqui não é o já icônico Geralt, muito embora ele tenha um papel importante na trama e a história se passe perto do lugar onde ele nasceu, Rívia. O jogador controla de Meve, a rainha de Lyria e Rívia, que fez fama pela coragem e pelos ótimos resultados liderando seu exército no campo de batalha.

A história se passa vários anos antes do primeiro jogo da trilogia "The Witcher", mais precisamente entre os livros ?Batismo de Fogo? e a ?Dama do Lago?. Nesse período, as forças de Nilfgard estavam avançando por todo o reino de Aedirn e chegaram finalmente nos portões de Lyria, uma região que nunca foi explorada na trilogia original.

Em desvantagem numérica e envolvida em conflitos dentro das próprias muralhas, coube a Meve convocar e liderar guerrilhas que tinham como missão minar os poderes do exército negro e salvar o seu povo.

A ambientação consegue passar com sucesso o clima hostil de um reino em guerra. Durante a jornada, a rainha encontrará vilarejos destruídos, muito sangue derramado de forma desnecessária e o desespero do seu povo. Em cada uma dessas situações cabe ao jogador decidir o que fazer, de forma parecida com o que já acontecia na trilogia do Geralt.

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Nilfgard não perdoa ninguém pelo caminho Imagem: Reprodução

A história é contada por um narrador e por diálogos com a dublagem da rainha e dos demais envolvidos na narrativa, dando todo um clima de RPG de mesa.

Depois da parte narrada, as decisões são tomadas pelo jogador. Algumas delas são bem difíceis, como escolher entre livrar um elfo acusado de ser um espião das mãos do seu povo, arriscando entregar informações para o inimigo, ou enforcá-lo e gerar a ira dos não-humanos. Em alguns casos, o impacto das escolhas no mundo é visível, podendo custar até mesmo a vida de alguns personagens importantes.

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A narrativa lembra uma aventura de RPG de mesa Imagem: Reprodução

Para andar de um lado para o outro, o jogador deve ir clicando no mapa para indicar a Meve onde ela deve ir. O sistema que define o caminho que a personagem deve tomar após o clique é impreciso e faz com que Meve fique parada as vezes, mesmo após cliques em lugares que ela já passou antes.

Já a câmera adotada usa a perspectiva isométrica, posicionada acima da personagem e dando uma ampla visão do mundo. Não é possível movimentar a câmera, que somente segue o movimento de Meve, o que deixa a exploração mais truncada e as vezes frustrante.

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A navegação sofre com alguns probleminhas Imagem: Reprodução

Enquanto navega pelo mundo, Meve pode coletar suprimentos que são úteis no seu acampamento, que pode ser aberto a qualquer hora no mapa. Nesse local é possível melhorar as suas cartas, conversar com aliados importantes do seu exército e fazer melhorias em todas as suas edificações, o que rende algumas vantagens como maior velocidade na movimentação. No acampamento também é possível treinar contra a máquina para aprimorar as suas habilidades no Gwent.

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Dá para melhorar diversos atributos e edificações no seu acampamento Imagem: Reprodução

O combate do jogo é todo por meio do Gwent. De um lado do tabuleiro estará a rainha comandando seu exército, que é representado pelas cartas e do outro o seu inimigo, que pode ser comandante de Nilfgard ou um monstro abominável, como mandrágoras e trolls.

Mas há diferenças em relação a jogabilidade tradicional do card game - o ritmo aqui é bem mais acelerado. Em algumas batalhas haverá apenas um round que decidirá tudo, já em outras você receberá um deck montado para resolver um puzzle específico, como matar um dragão que está cercado de vacas sem que elas morram. Todas essas variações deixam o jogo mais divertido e menos cansativo, mesmo para os que não gostaram tanto desse minigame no jogo original.

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Quem já domina o Gwent vai se sentir em casa Imagem: Reprodução

Há diversos elementos icônicos da trilogia original no mapa de ?Thronebreaker?, como os quadros de missões, que aqui também indicam pontos de interesse para serem explorados, e as placas em portas de vilas que permitem viagens rápidas entre dois lugares. O jogador que gosta de explorar cada cantinho também é recompensado com mapas do tesouro e pedaços de cartas que, após serem reunidos, podem ser utilizadas no seu deck.

Existe um sistema que controla a moral dos seus comandados, mas ele peca na simplicidade. São apenas três estados: Moral Baixa, Moral Neutra e Moral Alta, todos eles se alternando com apenas um ponto de diferença.

No caso de moral alta, suas cartas terão um ponto a mais de poder. Com a moral baixa é o contrário, elas perderão um ponto. Já a moral neutra não altera nada. Como é possível ganhar pontos de moral com facilidade e não há acúmulos de pontos negativos, o sistema fica desprezível e você acaba não prestando muita atenção nele durante o jogo.

Com quase 30 horas de campanha, o "Thronebreaker" chega a ficar cansativo em determinados momentos. São poucas as novas adições nas mecânicas após o tutorial e a cada novo mapa parece que você está apenas em um novo ambiente para completar uma lista de coisas repetidas a fazer. O que segura as pontas são os ótimos diálogos e as reviravoltas da história, que parecem sempre trazer algum personagem interessante e um questionamento intrigante para ser respondido.

A localização em português também é um ponto alto, com dublagem e legendas no nosso idioma. São raros os erros de tradução e existem alguns pequenos errinhos de digitação, mas nada que tire o brilho do trabalho dedicado da CD Projekt em trazer uma experiência completa para os brasileiros.

As músicas com cantorias locais também mantiveram a qualidade da franquia e ajudam a entrar no clima eslavo do universo criado nos livros de Andrzej Sapkowski, como foi em ?The Witcher 3?. Por conta dessa qualidade, os momentos de tensão e heroísmo se tornam memoráveis.

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O seu exército é o seu deck em Thronebreaker Imagem: Reprodução

?Thronebreaker: The Witcher Tales? pode parecer apenas uma parte que se desgarrou de Gwent à primeira vista, mas é um jogo que brilha por si só dentro do universo da franquia. Os personagens são bem desenvolvidos como em todo jogo da CD Projekt Red e as decisões tomadas no decorrer da história impactam o mundo a sua volta. Mesmo com alguns problemas na navegação, é uma aquisição obrigatória para os fãs da série do ?bruxão?.

Nota: 8