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Xbox One X: passei 15 dias com o videogame mais poderoso do mundo

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Imagem: Divulgação

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

02/01/2018 04h00Atualizada em 04/01/2018 10h44

Recebi o Xbox One X da Microsoft no mesmo dia que o "console mais poderoso do mundo", como é chamado pela fabricante, chegou ao mercado brasileiro. A expectativa era alta: um ano antes, eu tinha comprado uma TV 4K e estava curioso para saber o que o "monstro" era capaz de fazer.

Diferente de outros colegas de redação, eu não havia testado ou sequer visto demonstrações do novo Xbox nos meses anteriores. Não estive na E3 quando ele foi revelado, nem visitei a Brasil Game Show, onde os fãs brasileiros tiveram o primeiro gostinho da jogatina em Ultra HD. Escolhi esperar. Bem, a espera acabou, ou quase isso.

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A primeira coisa que me chamou a atenção no aparelho foi o tamanho: quase as mesmas medidas do modelo padrão atual, o Xbox One S, e um design similar, porém mais pesado. Foi fácil arrumar espaço para ele na estante e, ao instalar o console ao lado do primeiro Xone, observar as diferenças entre os dois aparelhos.

O Xbox One original parece um antigo vídeo cassete, enorme e com um design de gosto duvidoso. O Xbox One X é um produto premium, com linhas modernas e bastante compacto - parecido com o S, mas em preto, o que automaticamente deixa qualquer aparelho eletrônico mais elegante.

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O Xbox One X tem quase as mesmas dimensões da versão 'slim', o Xbox One S. Mas o acabamento preto fosco - e sem os elementos vazados - faz toda a diferença. Imagem: Divulgação

Ao ligar a máquina pela primeira vez, dá para ver que a Microsoft quer impressionar: a tela inicial exibe o chip Scorpio e seus muitos teraflops em meio a ondas de luz esverdeada, tudo acompanhado por um efeito sonoro imponente. É o console mais poderoso já feito, com capacidade de processamento 40% superior ao concorrente - e a fabricante faz questão de enfatizar isso - toda vez que você ligar o aparelho.

Como eu já tenho um Xbox One, me adiantei à chegada do console e fiz a transferência do meu perfil de usuário e preferências de sistema alguns dias antes, através do site do console. Um serviço prático e que poupa algum tempo entre ligar a máquina e sair jogando pela primeira vez.

Pluguei meu HD externo e selecionei na biblioteca do console os jogos que eu já tinha e eram "aprimorados" para o Xbox One X… e fiquei esperando as atualizações serem baixadas. Há uma grande quantidade de games já lançados que receberam melhorias e rodam mais lisos e bonitos no novo console, mas fazer o download dessas atualizações pode ser demorado: alguns jogos têm quase 50 GB de arquivos para baixar! Jogar em Ultra HD requer paciência, ainda mais se você tem uma internet mais lenta.

É bom lembrar que, se você já tem um Xbox One, pode baixar nele essas atualizações antecipadamente e até mesmo fazer a transferência direta dos dados de um console para o outro.

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Com todas as atualizações baixadas, o jogo de ação "Quantum Break" ocupa 1/5 do espaço em disco do Xbox One X Imagem: Divulgação

Algo que senti falta nesse primeiro momento foi um grande jogo acompanhando o lançamento do console. O game mais recente da Microsoft - e um dos mais bonitos no Xbox One X - é o jogo de corrida "Forza Motorsport 7", lançado um mês antes. Tudo bem, eu ainda estou jogando os games da temporada e, em muitos casos, os gráficos renovados justificam o retorno a um jogo mais antigo, mas a impressão é que, nesse momento, você está investindo R$ 4 mil numa promessa. Situação parecida com a do lançamento do rival PlayStation 4 alguns anos atrás, tenho que admitir.

Como não escaparia da fila de downloads, decidi aproveitar que o Xbox One X tem um leitor de Bluray  4K e assistir o documentário "Planet  Earth  II", da BBC. Por mais deslumbrantes que fossem as imagens na tela, aprender sobre a vida dos pinguins com a narração adorável de Sir David Attenborough não era o que eu imaginava para minha primeira noite com um videogame novo.

Após algum tempo, tinha uma boa seleção de games para experimentar, incluindo aí todos os principais lançamentos do final do ano: "Assassin's Creed Origins", "Forza 7", "Call of Duty: WWII" e "Star Wars Battlefront 2". Ao longo dos dias seguintes, vários dos meus jogos favoritos, como "Diablo 3", "Fallout 4", "Ghost Recon Wildlands" e "The Witcher 3", juntaram-se ao acervo.

Adeus, Sir David. Olá, noites de jogatina.

Jogar em 4K faz tanta diferença?

Essa é a primeira pergunta que alguém sensato faz ao pensar no investimento feito para curtir tudo o que o Xbox One X pode oferecer. Afinal, além do preço pago no console, você precisa de uma TV 4K com HDR, que não sai por menos de R$ 2 mil. E, claro, alguns jogos.

A resposta, após 15 dias com o "monstro" da Microsoft é: sim, faz. Não é apenas a nitidez maior por ter 4 vezes mais pixels na tela do que um jogo rodando em 1080p, mas a quantidade de detalhes visíveis, seja nas grandiosas paisagens egípcias de "Assassin's Creed" ou nos pequenos equipamentos e auras luminosas do meu caçador de demônios em "Diablo".

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O jogo de ação "Assassin's Creed Origins" é um dos melhores exemplos do que o Xbox One X é capaz de fazer Imagem: Divulgação

Boa parte do mérito nos gráficos vai para o HDR, efeito que aumenta o número de cores simultâneas na tela - e que o Xbox One S já faz - mas a combinação disso com a resolução superior e o poder de processamento extra faz uma grande diferença para quem está acostumado a jogar em consoles.

Jogadores de PC que realmente investem em placas de vídeo, memória e toda a parafernália de ponta, sabem bem como é isso e não são o público-alvo do Xbox One X. Este console foi feito para quem quer o melhor processamento possível, mas não tem vontade ou intimidade com hardware para montar um super computador. É a solução pronta para curtir os games com a melhor qualidade possível atualmente.

Ainda assim, é interessante observar que a qualidade dos jogos aprimorados (e não "Melhorados", como dizem as caixinhas) varia bastante nessa safra inicial. "Killer  Instinct", por exemplo, já era um game bonito e que rodava macio no Xbox One convencional e mesmo com a maior resolução, não parece tão diferente. Há um limite para o que as texturas melhores podem fazer, quando os modelos foram pensados para uma resolução inferior. Ao menos os tempos de 'loading' do game de luta diminuíram muito no novo console.

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As texturas em altíssima resolução que o Xbox One X é capaz de processar são perfeitas para mostrar os modelos de "Star Wars" usados nas partidas de "Battlefront II". Imagem: Divulgação

Da mesma forma, "Call of Duty: WWII" fica mais bonito em Ultra HD, mas há um limite para o que o motor gráfico da popular série de tiro é capaz de fazer. "Halo 5" e, principalmente, "Star Wars Battlefront 2" pareciam muito mais reluzentes.

Dos jogos antigos, "Diablo 3", "Ghost Recon" e "Fallout 4" me impressionaram. São games que conheço bem, tendo passado algumas centenas de horas em cada um deles antes da chegada do Xbox One X e falo com tranquilidade: parecem jogos novos, com gráficos e fluidez no mesmo nível das melhores versões para PC.

O premiado RPG "The Witcher 3" me chamou a atenção não só pelas melhorias gráficas, mas pelas opções dadas pela produtora no Xbox One X: jogar em 4K ou com resolução dinâmica e uma maior taxa de quadros por segundo? Embora tenha curtido apreciar as paisagens medievais em Ultra HD, a fluidez do game em 60 fps se mostrou a melhor opção.

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Jogos como "Diablo III" (foto) e "Path of Exile" ganham muita nitidez nos detalhes e efeitos de luz e sombra muito superiores ao visto no Xbox One convencional. Imagem: Reprodução

Esse tipo de recurso está presente em alguns dos jogos e corrobora a ideia de que o Xbox One X é a resposta da Microsoft para os "PC gamers". Quem joga no computador está acostumado a poder configurar e escolher opções gráficas e de performance, coisa que ainda é rara nos consoles.

Outros jogos, como "Titanfall 2", aproveitam o poderio do console para oferecer a melhor taxa de quadros de animação possível, sem dar opção para o jogador. No jogo de tiro da Respawn, a resolução dinâmica foi a saída para manter a taxa de fps em constantes 60 quadros - e essa é, sem dúvida, a melhor coisa que você pode esperar em um jogo multiplayer.

Os jogos que valem a compra

Poucos games já disponíveis mostram tudo o que o Xbox One X é capaz de fazer: "Forza 7" e "Assassin's Creed Origins" fazem isso e apontam o que os jogadores devem esperar dos jogos otimizados para o console em 2018.

"Forza Motorsport 7" roda em 4K, com HDR e 60 fps no Xbox One X. O jogo já era bonito antes, mas aqui, além da paleta de cores, há melhores texturas e sombras, em um nível de acabamento que deve ser o padrão para as grandes produções da própria Microsoft daqui para a frente.

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Com o perdão do trocadilho, "Forza Motorsport 7" é o "carro-chefe" do Xbox One X atualmente. O jogo de corrida roda em Ultra HD, com HDR e os sonhados 60 fps. Não é a toa que foi usado para testes do console antes do lançamento. Imagem: Divulgação

O mesmo vale para "Assassin's Creed Origins": o jogo fica muito detalhado, com um nível de alcance visual muito superior a quando joguei no Xbox One convencional. Tanto as vastas paisagens egípcias quanto os pequenos detalhes como as folhas das palmeiras e os pêlos dos camelos prendem a atenção. É um jogo pensado para esse tipo de resolução, onde as cores extras do HDR dão vida ao mundo. Tudo roda macio, mesmo nas sequências mais movimentadas.

Jogos como "Forza 7" e o novo "Assassin's Creed" justificam o investimento em um Xbox One X, se você já tem uma TV 4K. E, se você já é um jogador de Xbox, o "monstro" é uma evolução natural, que roda todos os jogos da sua biblioteca.

Para o futuro

Agora, embora ainda esteja jogando novamente "Ghost  Recon" e "The Witcher 3", me pego pensando em algumas coisas: nos próximos jogos que receberão atualizações (estou na espera pelo patch de "The Division") e nos futuros lançamentos.

Jogos como "Crackdown 3", "Sea  of  Thieves" e "State  of  Decay 2", por exemplo. Os três são lançamentos da Microsoft já programados para 2018 e têm potencial para mostrar o poder de processamento do Xbox One X não só com gráficos em Ultra HD, mas com novas funcionalidades, interação online mais fluida e outras ideias que nem consigo imaginar.

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"State of Decay 2" promete um mundo aberto cheio de zumbis, com elementos de combate, sobrevivência, gerenciamento de recursos, exploração e multiplayer cooperativo. O que mais os produtores podem fazer com o Xbox One X? Imagem: Divulgação

Também penso na necessidade de adquirir mais um HD externo, já que em pouco tempo os jogos que já possuo tomaram o 1 TB disponível no console, com suas grandes atualizações para o Xbox One X - seria bacana ter modelos com 2 TB ou até mais, no futuro.

A Microsoft prometeu lançar um console super-poderoso e cumpriu a promessa. O Xbox One X (mais do que o Xbox One original e mesmo o PS4 Pro) se parece muito mais com o console da geração atual que esperávamos no final de 2013. Agora é questão de esperar para ver o que os desenvolvedores vão fazer com todo esse poder de fogo adicional.