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Análise: "Captain Toad: Treasure Tracker" é uma aventura curta e cativante

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

23/07/2018 04h00

Ao desenvolver “Super Mario 3D World”, a Nintendo percebeu que um minigame recorrente no principal game do Wii U em 2013 tinha potencial para ser um jogo único. Foi assim que o Captain Toad ganhou sua própria aventura, lançada para o fracassado console no final de 2014. Quase quatro anos depois, a empresa decidiu dar uma segunda chance ao cogumelo, que chegou ao Switch com o relançamento de “Captain Toad: Treasure Tracker”.

Disponível na Loja Nintendo desde o dia 13 de julho por R$ 155,49 (preço de lançamento), o jogo é praticamente o mesmo pacote que chegou ao Wii U. Entram fases temáticas de “Super Mario Odyssey”, feitas especialmente para Captain Toad explorar, saem as fases de “Super Mario 3D World”, as quais não eram originais ao game do cogumelo - só tiveram a jogabilidade adaptada a ele.

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Fora esses extras, o conteúdo é o mesmo. O game consiste em uma série de quebra-cabeças no formato de dioramas, que você atravessa com o objetivo de chegar até uma estrela, que representa o final dos estágios. Além de Captain Toad, que é um medroso (apesar do nome), o jogador também pode controlar a corajosa Toadette.

O personagem usado varia de fase para fase. Estruturado em três livros, “Captain Toad: Treasure Tracker” começa com um capítulo exclusivo ao protagonista, que é seguido por outro em que só Toadette é controlada. No terceiro e derradeiro episódio, os dois vão se alternando.

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Captain Toad pode usar rabanetes como armas Imagem: Divulgação

Ambos têm as mesmas habilidades – que não são muitas. Ao contrário de Mario e Luigi, ou mesmo do Toad tradicional, o capitão e Toadette não pulam de forma alguma. Eles só conseguem correr ou arrancar plantas do chão, que podem virar armas como rabanetes e picaretas, ou prêmios como cogumelos, moedas, vidas e colecionáveis.

Mas a jogabilidade vai além dos controles simples dos personagens. As próprias fases devem ser manipuladas para que o jogador progrida. O capitão e Toadette são controlados pelo analógico esquerdo, enquanto o direito permite os ajustes da câmera, que gira em torno dos estágios e, dependendo do ângulo, mostra passagens e segredos que você não via antes.

Melhor como portátil

Por se tratar de uma versão para um novo console, o game também recebeu alguns ajustes nos controles. No Wii U, a tela de toque era uma parte essencial da jogabilidade, o que foi mantido quando o Switch é usado no modo portátil, com os Joy-Con acoplados. Certas fases exigem que o jogador toque em objetos, que então se deslocam em alguma direção. Outras posicionam o capitão e Toadette ao lado de uma espécie de volante, que deve ser rodado com o dedo na tela.

Nos outros modos do Switch, isso vira uma pequena inconveniência. No caso dos objetos que devem ser tocados e movimentados, o jogador deve controlar um pointer com o sensor de movimentos do controle, alinhá-lo com objeto e daí apertar o botão ZR. Já no do volante, o ZR deve ser pressionado para que a rotação seja feita com o analógico direito.

Fica evidente que a melhor maneira de jogar “Captain Toad” é com uma tela de toque à disposição, que é como o jogo foi concebido originalmente para o Wii U.

Visual cativante e bom design de fases

A maior vantagem de jogar na TV é poder apreciar o visual simplista e bonito do game. Ele segue o padrão gráfico de "Super Mario 3D World", que não ficou defasado mesmo quatro anos depois. Só que em vez de fases expansivas como no jogo do Mario, elas são compactas, repletas de detalhes e elementos.

Os estágios são todos curtos e têm seu final determinado pela estrela. Para chegar a esse ponto, “Captain Toad” apresenta uma boa variação de quebra-cabeças e desafios. São dezenas de fases no total, as quais podem ser terminadas em poucas horas pelos mais apressados.

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Jogo tem inspiração em clássicos da Nintendo, como o Donkey Kong dos arcades Imagem: Divulgação

Existem quebra-cabeças mais diretos, fases que funcionam como um shooter sobre trilhos, duelos contra chefes, escaladas enquanto as plataformas afundam na lava ou veneno, labirintos... a variedade é grande e faz com que a fórmula do jogo não fique cansativa.

Além da estrela no fim, todos os estágios trazem têm três diamantes escondidos. Não é necessário coletá-los para passar de fase, mas eles também não devem ser ignorados. Isso porque existem fases específicas que exigem um número mínimo de diamantes.

Em conjunto com os coletáveis, todas as fases trazem um objetivo paralelo, que pode consistir na coleta de um número específico de moedas, a eliminação de todos os inimigos ou chegar à estrela sem tomar nenhum dano. O jogo segue o padrão dos Marios clássicos, o que significa que o capitão Toad e Toadette começam grandes, mas viram miniaturas se levarem dano. Ao pegar um cogumelo vermelho, o tamanho original é restaurado.

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Derrotar todos os inimigos pode ser um objetivo extra das fases de Captain Toad Imagem: Divulgação

Fracassar em “Captain Toad” significa levar dano duas vezes na mesma fase, sem se recuperar com um cogumelo, ou cair de um precipício sem fundo.

Fases extra e livro bônus

O jogo ainda tem certos níveis especiais que surgem de vez em quando, nos quais o objetivo é acumular o máximo de moedas para aumentar o estoque de vidas. A matemática é a clássica da série Mario: 100 moedas = uma vida.

Esses níveis vão aparecendo aleatoriamente ao longo dos três livros que narram a divertida historinha do jogo. Ao final dela, um livro bônus surge, trazendo mais conteúdo para quem quiser um pouco mais. É nesse pacote que estão as ótimas fases baseadas em “Super Mario Odyssey”.

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No Switch, New Donk City foi adaptada ao universo de Captain Toad Imagem: Divulgação

Além delas, existem outros dois tipos de desafios: estágios remixados em que o jogador deve encontrar todo esquadrão Toad e chegar à estrela sem levar dano e fases em que uma sombra maligna segue o capitão – deixar ela encostar em você é Game Over.

Mesmo com os extras, “Captain Toad: Treasure Tracker” ainda é um jogo curto, mas que apresenta mecânicas inventivas, além de desafios divertidos e únicos. Nos consoles, o único game que eu me lembro com uma proposta semelhante é “echochrome”, que só está no PlayStation 3. No iPhone, a série “Monument Valley” tem elementos parecidos com os de “Captain Toad”.

Jogadores que não tiveram um Wii U não irão se decepcionar com o jogo, que é uma ótima mistura dos gêneros plataforma e quebra-cabeça. Para quem já se aventurou com o capitão e Toadette no último console da Nintendo, a história é diferente, porque a versão de Switch traz pouco de novo para justificar o investimento no game.

Bônus: "Captain Toad: Treasure Tracker" também ganhou uma versão para o 3DS no mesmo dia em que foi lançado para o Switch. Ela tem visuais adaptados para o portátil, que roda o jogo surpreendentemente bem. Os controles também foram adaptados e funcionam direitinho, enquanto o conteúdo é o mesmo do game de Switch.

Nota: 8